
Num acordo de 6,5 mil milhões de dólares, Jony Ive, o homem que desenhou o iPhone (entre outras peças Apple), junta-se a Sam Altman para criar produtos que “elevem a humanidade”
21 de Maio de 2025 será lembrado como o dia em que Jony Ive, o lendário designer por trás do iMac, iPod e do iPhone, entrou oficialmente na era da inteligência artificial, ao vender a sua startup LoveFrom IO à OpenAI de Sam Altman. A operação — que totaliza uns impressionantes 6,5 mil milhões de dólares (cerca de 5,7 mil milhões de euros) — é mais do que uma aquisição. É o início declarado de uma nova era tecnológica, onde design e IA querem criar algo… além dos ecrãs que hoje nos dominam.
🤝 Uma parceria discreta, agora tornada pública
Segundo o The New York Times, Altman e Ive já colaboram em silêncio há dois anos, mas só agora tornaram a aliança oficial — e com pompa. A equipa de Ive passa a assumir o design estratégico da OpenAI, com liberdade criativa para desenvolver “uma nova família de produtos” que será revelada em 2026.
“Queremos ir além do legado de produtos que usamos há demasiado tempo.”
— Sam Altman
O que está por vir ainda é mantido no segredo dos deuses, mas os indícios são claros: a dupla quer substituir o smartphone — ou pelo menos desmaterializar a sua presença.
👓 O pós-smartphone: óculos de IA e a dissolução da interface
A ideia de um “pós-smartphone” não é nova, mas ganha agora uma equipa com poder para a tornar real. Tudo aponta para interfaces invisíveis, assistentes pessoais ubíquos, óculos com IA embutida e dispositivos de computação ambiental que não exigem que estejamos constantemente a olhar para um ecrã.
Altman já disse publicamente que vê o smartphone como um fim de linha: demasiado viciado, demasiado distrativo, demasiado dependente de gestos e atenção. Jony Ive, por seu lado, admite culpa no cartório:
“Tenho grande parte da responsabilidade por como os smartphones promovem distração e ansiedade.”
— Jony Ive
É uma frase pesada vinda do homem que desenhou o telefone mais influente da história. E é também uma pista sobre o tipo de contracultura digital que esta nova fase quer promover.
🧠 Design + IA: uma aliança que pode redefinir o quotidiano
A aquisição da IO pela OpenAI marca um momento de infusão criativa na indústria da IA. Até agora, o foco era o algoritmo, o modelo, a performance. Agora, entra o design como linguagem emocional e acessível — e quem melhor do que Ive, com o seu estilo minimalista e humanista, para dar corpo à IA do futuro?
Esta fusão poderá significar:
- Dispositivos mais discretos, inteligentes e intuitivos
- Interfaces invisíveis ou embutidas no ambiente
- IA multimodal ao serviço da rotina diária, com foco na simplicidade
Estamos a falar de sistemas que não exigem toque, nem escrita, nem leitura, mas que compreendem o mundo visual, auditivo e contextual à nossa volta — e agem com base nisso. É a IA como presença útil, mas não invasiva.
💡 2026 será o ano da revelação
Altman e Ive apontam para 2026 como o ano da grande estreia desta nova categoria de produto(s). E se conhecermos bem o histórico de ambos, não será apenas uma keynote com specs e gráficos — será um manifesto, uma proposta de estilo de vida, uma reinterpretação do que significa “usar tecnologia”.
O iPhone não foi apenas um telefone — foi um símbolo de uma nova era. A ambição aqui parece ser a mesma: não criar mais um gadget, mas sim mudar o paradigma.
🗣️ Jony Ive e Sam Altman querem que a tecnologia se torne invisível
Jony Ive e Sam Altman não se juntaram para lançar um wearable qualquer. Estão a tentar desenhar a próxima fronteira da interacção humana com a tecnologia. E isso levanta questões gigantes sobre privacidade, dependência, atenção e humanidade.
O que está em jogo aqui não é só uma linha de produtos. É a próxima década da nossa relação com o digital.
E sim, o smartphone — esse companheiro inseparável — pode muito bem estar a caminho da reforma.






