
A Comissão Europeia quer investir na cibersegurança. A Check Point agradece… mas exige foco, estratégia e menos burocracia.
A Comissão Europeia anunciou esta quinta-feira um novo pacote de investimento no valor de 145,5 milhões de euros para reforçar a cibersegurança na União. Aplaude-se a intenção, mas a execução preocupa os que realmente sabem do que falam.
A Check Point, uma das vozes mais experientes e interventivas no sector, não esconde a satisfação com o anúncio — mas deixa um aviso sem papas na língua: se o dinheiro não for bem alocado, com critério e foco em soluções que já funcionam, será apenas mais um número bonito nas folhas de Excel de Bruxelas.
Peter Sandkuijl, Vice-Presidente de Engenharia e Evangelista da Check Point Software para a região EMEA, não poupa nas palavras:
“Aplaudimos o investimento, sobretudo pelo foco nas PMEs e no sector da saúde — áreas críticas e cronicamente vulneráveis. Mas 145 milhões, por muito que soe bem, são um balde de água se não forem usados com estratégia.”
O sector da saúde está de rastos — e os cibercriminosos sabem disso
O mais recente relatório europeu de inteligência de ameaças da Check Point aponta o dedo: a saúde continua a ser um dos alvos preferenciais dos ataques. A pressão é constante. E os números são pesados: em média, 2.430 ataques semanais a instituições de saúde em todo o mundo; 1.986 só na Europa.
Entre os incidentes recentes, destacam-se:
- O ataque ao grupo hospitalar Kettering Health, nos EUA, que paralisou 14 hospitais e mais de 120 clínicas;
- A campanha de phishing que comprometeu 276 milhões de registos de pacientes, ao explorar a confiança nos prestadores de cuidados;
- O ataque à clínica privada russa Lecardo, onde foram expostos dados sensíveis de 52.000 pessoas — já à venda na dark web.
IA Generativa: a arma que pode mudar as regras
Uma das boas notícias neste novo pacote europeu é a aposta em soluções que integrem inteligência artificial generativa (GenAI). Ferramentas como o Infinity AI Copilot da própria Check Point têm demonstrado capacidades impressionantes: desde a automatização da análise de ameaças à aceleração de respostas e aplicação de políticas de segurança.
“A Europa tem uma oportunidade única de liderar na aplicação responsável da IA à cibersegurança”, reforça Sandkuijl.
“Mas para isso, precisa de apoiar soluções testadas e comprovadas — e não se perder em reinvenções dispendiosas e projectos de fachada.”
Dinheiro sim, mas com critério
No fim de contas, a Check Point sublinha o óbvio: mais do que o valor investido, importa a forma como é aplicado. A Europa pode dar um passo decisivo na protecção das suas infraestruturas — ou desperdiçar uma oportunidade histórica num mar de relatórios, concursos e intenções.
A lição é simples: sem estratégia, formação e aposta nas tecnologias certas, o investimento é só espuma.






