
Os podcasts deixaram de ser apenas som nos ouvidos. Em 2025, transformaram-se num fenómeno visual, comercial e cultural com impacto transversal na televisão, no digital e até no comportamento das marcas.
Podcasts ou Videocasts VS Podcasts e Videocasts
De acordo com o mais recente relatório The Podcast Consumer 2025 da Edison Research, e em linha com o que a imprensa britânica tem vindo a destacar, ter juntado imagem ao áudio resultou em cheio e o crescimento é inequívoco: os videocasts são agora a nova televisão.

A ascensão dos videocasts, já consumidos semanalmente por 26% dos norte-americanos, está a alterar o panorama mediático. Plataformas como o YouTube, Spotify, TikTok ou até Instagram tornaram-se canais principais para este novo formato híbrido, que é podcast, mas também é talk-show, debate, entrevista e televisão on-demand.
O podcast é o novo mainstream. E o videocast é o novo palco
A Edison Research revela que 158 milhões de americanos consomem podcasts mensalmente, sendo 115 milhões ouvintes semanais. A audiência semanal gasta hoje mais de 773 milhões de horas com este formato, um crescimento de 355% desde 2015. Mas o dado mais expressivo é este: mais de metade da população já viu um videocast.
Ou seja, o podcast deixou de ser apenas “ouvido”. Ele é visto, partilhado e discutido. E quanto mais jovem é o público, maior a probabilidade de o consumir em formato vídeo.
A geração Z, em particular, descobre podcasts via YouTube, redes sociais ou recomendações de amigos. E o conteúdo, muitas vezes, é acedido através de Smart TVs, Apple CarPlay ou Android Auto. O podcast acompanha o ouvinte no carro, em casa e até no televisor da sala, onde antes reinavam os canais tradicionais.
A televisão tradicional começa a perder o monopólio
O The Telegraph destaca esta semana o impacto crescente de programas como “The Rest is Football”, com Gary Lineker, que garantiu direitos de transmissão da FIFA Club World Cup. Mas o fenómeno vai muito além: podcasts como “The Rest is Politics” e “Diary of a CEO” dominam tanto as plataformas áudio como as de vídeo. O segundo, por exemplo, já é conhecido pelo cenário minimalista e pela presença quase estratégica de uma garrafa de Huel, sim, o videocast também é palco para product placement.
A televisão tradicional, de forma quase forçada, começa a ceder terreno. O Channel 4 firmou recentemente acordos com o Spotify, enquanto a BBC já disponibiliza podcasts em vídeo no iPlayer. Há até reality shows com podcasts paralelos – como Uncloaked, da série The Traitors – concebidos directamente no formato videocast.
O modelo está a mudar. Mais barato, mais flexível e com audiência mais fiel, o videocast ameaça os orçamentos e a linguagem da TV convencional. A mudança é inevitável.
O podcast conquista todas as faixas etárias e todos os bolsos
Longe de ser apenas um fenómeno jovem, o podcasting em 2025 atinge todas as idades, etnias e classes sociais. O relatório aponta que:
- 66% dos americanos entre 12 e 34 anos são ouvintes mensais;
- 61% na faixa dos 35 aos 54 anos;
- E 38% com mais de 55 anos – um recorde absoluto.
A audiência é mais rica, mais instruída e mais leal às marcas. Entre os ouvintes semanais, 44% compraram algo promovido num podcast. E 65% sentem gratidão pelas marcas que apoiam os seus programas favoritos.
O fim da fronteira entre áudio e vídeo
O que começou como “radio on demand” é agora um formato multimédia autónomo. Muitos podcasts funcionam tão bem em áudio como em vídeo. E, para as novas gerações, a diferença entre ambos é cada vez mais irrelevante. Podcast, para eles, é conteúdo. Seja onde for, como for.
A facilidade tecnológica (câmaras acessíveis, estúdios portáteis, IA na edição) permitiu que o conteúdo visual deixasse de ser exclusivo da televisão. Todos os criadores podem ser broadcasters.
Mas nem todos querem ver os apresentadores a falar em estúdio – 40% preferem ouvir apenas o áudio, segundo a Edison. A versatilidade do formato é a sua força.
Do auscultador ao ecrã: o podcast é agora omnipresente
O podcast evoluiu de um formato de nicho para um meio dominante, e o videocast já ultrapassa a televisão tradicional em influência e acessibilidade. O YouTube é agora a maior plataforma de podcasting do mundo. A BBC, a Fox e outras gigantes dos media reconhecem o fenómeno e começam a adaptar-se.
A revolução já não está a caminho, já aconteceu. E o público? Está a assistir. Literalmente.




