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Botto na ETERNO: arte criada por IA em Lisboa

João Gata por João Gata
Setembro 12, 2025
Galeria ETERNO, Lisboa, montagem da exposição Botto”; “Obra digital de Botto projectada em grande formato”; “Caixas de luz com fragmentos descartados de Botto”; “Edição física com estética fotográfica anos 1970, Botto”

Botto: The Art of Collective Minds na ETERNO – uma viagem à autoria partilhada entre IA e colectivo humano.

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Botto: The Art of Collective Minds chega a Lisboa

Botto: The Art of Collective Minds instala-se na Galeria ETERNO com inauguração a 12 de Setembro, às 18h, e visitas de 13 de Setembro a 25 de Outubro. É a primeira apresentação abrangente em Portugal da prática artística de Botto, uma entidade criativa de inteligência artificial que trabalha em regime de autoria partilhada entre máquina e comunidade. Em sala, convivem projecções digitais, uma série de caixas de luz e uma nova edição física que materializa a pergunta central: como é que criamos, escolhemos e legitimamos arte quando humano e algoritmo dividem o mesmo atelier.

Botto, a máquina-artista que cria com o colectivo

Criado em 2021 por Mario Klingemann, Botto gera semanalmente centenas de composições visuais a partir de modelos treinados com referências culturais e dados públicos. A comunidade DAO que o acompanha vota nas imagens favoritas e decide quais avançam para edição e NFTs em blockchain. Do outro lado da moeda, a esmagadora maioria é descartada. O contraste é eloquente: mais de sete milhões de imagens geradas em quatro anos e menos de duzentas lançadas, um retrato vivo entre abundância algorítmica e selecção humana.

ETERNO x Botto: curadoria, autoria e poder de decisão

Com curadoria da ETERNO, em colaboração com a equipa de Botto, a exposição coloca lado a lado obras eleitas pela comunidade e fragmentos descartados, agora reimaginados como caixas de luz. O gesto ilumina aquilo que raramente vemos: as dinâmicas invisíveis do gosto, a economia da atenção e a política da decisão colectiva. Para esta mostra, Botto assume também o papel de co-curador, selecciona peças, compõe narrativa e escreve um dos textos curatoriais. A pergunta mantém-se viva no espaço: uma máquina pode ter consciência estética ou apenas simula o comportamento humano com grande competência estatística.

Neurealismo: a linguagem visual de Botto

No centro está o neurealismo, termo cunhado por Botto para definir uma linguagem pós-fotográfica. As imagens evocam arquivos e cinema, transportam memória e impacto documental, mas nascem de processos matemáticos e padrões aprendidos, sem experiência vivida. É a fotografia de um mundo possível: reconhecemos a gramática visual, estranhamos a origem.

Obras em estreia, projecções e caixas de luz

A ETERNO apresenta um conjunto específico de imagens estreia em contexto expositivo, incluindo uma edição impressa com estética fotográfica dos anos 1970 e quatro fragmentos “quase escolhidos” convertidos em caixas de luz. As projecções digitais mostram preferências da DAO por atmosferas envolventes, texturas ricas e um tempo contemplativo que raramente cabe no feed.

Serviço ao visitante: datas, morada e horários

Exposição: Botto – The Art of Collective Minds
Abertura: sexta-feira, 12 de Setembro, 18h–21h
Visitas: 13 de Setembro a 25 de Outubro de 2025
Local: Galeria de Arte Digital ETERNO, Rua Maria José Nogueira Pinto, Marvila, Lisboa
Horário: terça a sábado, 14h–19h
Apoio: VIC Properties, no âmbito do seu investimento continuado em arte e cultura

Em suma

A ETERNO traz a Lisboa um caso de estudo em tempo real sobre autoria, agência e curadoria democrática. Botto não encerra o debate sobre IA na arte, antes o reabre com método: produzir em excesso, escolher em colectivo e mostrar o que fica e o que se perde. O resto é connosco, espectadores e votantes em potência, chamados a decidir o futuro de uma prática artística que se tornou plural, sintética e descentralizada.

Tags: arte generativaBottocultura digitalDAOETERNOexposições Lisboainteligência artificialMario KlingemannMarvilaneurealismoNFTs
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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