A Xpand IT e a Morais Leitão estão a desenvolver um assistente virtual inteligente, baseado em IA, para transformar a forma como os profissionais da sociedade acedem à informação e executam tarefas do dia a dia.
O objectivo é directo: acelerar a pesquisa de conhecimento, facilitar o acesso a conteúdos relevantes, optimizar processos internos e libertar tempo para trabalho de maior valor acrescentado, tornando a prática jurídica mais ágil e eficiente.
Assistente virtual de IA: acesso seguro, contexto e personalização
Assente numa base tecnológica robusta, a solução integra-se totalmente com a base de conhecimento da Morais Leitão e com fontes jurídicas públicas, garantindo acesso seguro e contextualizado à informação.
Combina a solidez da infra-estrutura digital com a inteligência de modelos de linguagem de última geração, adaptados às especificidades do sector jurídico, para proporcionar interacções mais simples, rápidas e personalizadas.
Para equipas que vivem de prazos e rigor, isto traduz-se em rapidez, confiança e autonomia no fluxo de trabalho.
O que muda para as equipas jurídicas
O assistente foi pensado para encurtar o caminho entre pergunta e resposta, reduzir tarefas repetitivas e padronizar resultados com qualidade, mantendo a validação humana onde ela é crítica. A promessa é clara: menos tempo a procurar e formatar, mais tempo a analisar, argumentar e decidir.
Declarações Xpand IT e Morais Leitão
Para Sérgio Viana, Managing Partner da Xpand IT e responsável pela área de Customer Experience, a aplicação de IA generativa em ambientes altamente especializados como o jurídico desbloqueia uma nova geração de experiências digitais internas, mais ágeis e orientadas ao conhecimento, demonstrando como a tecnologia funciona como catalisador de produtividade e qualidade quando colocada ao serviço das pessoas e dos seus contextos reais de trabalho.
Já Martim Krupenski, Managing Partner da Morais Leitão, sublinha que a inovação tecnológica é uma prioridade para elevar a qualidade dos serviços e a eficiência das equipas num sector sofisticado e competitivo.
Este projecto integra uma estratégia continuada de investimento digital, que sustenta a abordagem pioneira da sociedade no panorama jurídico português, alinhada com padrões internacionais exigentes.
Em suma
A colaboração Xpand IT × Morais Leitão aposta numa IA pragmática e segura para resolver problemas reais: pesquisar mais depressa, trabalhar com contexto e ganhar tempo. Se a advocacia é cada vez mais digital, faz sentido que o conhecimento certo chegue no momento certo – com a pessoa certa a decidir.
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Ao reescrever este PR, fiquei apreensivo em relação ao que se está realmente a discutir. A lei com interpretação de uma entidade que não é humana, mesmo que sirva para aligeirar processos – e sabemos bem o quão atrasada é a nossa justiça (para quem é pobre) – obrigou-me a pensar sobre o assunto.
IA a interpretar a lei soa a futuro cintilante: respostas rápidas, jurisprudência na ponta dos dedos, peças pré-formatadas e notas de rodapé que não demoram três bicas e dois copos de água. A realidade é mais prosaica e mais interessante. Entre a aceleração produtiva e a segurança jurídica há um caminho estreito – e é aí que se decide se a tecnologia serve a Justiça ou apenas a agenda de quem a controla.
Vantagens que contam para o cidadão e para o advogado
A IA é máquina de trituração de papel com memória fotográfica. Pesquisa em segundos por entre milhares de acórdãos, detecta padrões, sugere linhas argumentativas e traduz termos técnicos sem nos fazer perder o fio. Pode reduzir custos de acesso à informação, nivelar equipas pequenas face a colossos, normalizar procedimentos e eliminar a entropia dos “copy-paste” mal afinados. Melhor ainda: quando bem treinada com bases de conhecimento fiáveis e contexto do caso, ajuda a encontrar a tal decisão esquecida que muda um desfecho. É produtividade com cabeça, se houver método e validação humana.
O optimismo tem limites. Modelos de linguagem alucinam – inventam referências, cruzam conceitos, dão certezas com voz de locutor e base de dados duvidosa. O enviesamento estatístico replica desigualdades antigas com estética de novidade. A opacidade torna difícil auditar por que razão a resposta foi A e não B, minando contraditório e direito de defesa.
Some-se a privacidade: dados sensíveis podem ir parar a sistemas externos sem retorno. E há a desigualdade de armas – quem tem orçamento compra modelos melhores, consultoria melhor e, no limite, “afina” resultados com vantagem processual. Justiça não é corrida de cavalos com tuning algorítmico.
Direito é linguagem, contexto, princípios, ponderação. Uma IA pode ajudar a mapear o terreno, mas não deve fechar o argumento. Precisamos de rastreabilidade – logs, versões, fontes citadas – para que juiz, advogado e parte consigam escrutinar cada passo. Precisamos de limites claros: a IA não decide, não produz prova sozinha, não substitui prudência judicial. E precisamos de responsabilidade: se um modelo induz erro grave, quem responde – o fornecedor, a entidade que o configurou, o operador que o usou?
A importância do papel das Xpand IT e Morais Leitão
A IA pode tornar a prática jurídica mais rápida, consistente e acessível. Também pode amplificar erros, cristalizar preconceitos e criar assimetrias novas com cara de modernidade. A chave é simples e difícil ao mesmo tempo: usar a máquina para fazer melhor o que já sabemos fazer – interpretar, ponderar, justificar – e nunca para abdicar da responsabilidade humana. Justiça não é autocompletar; é decisão fundamentada.





