A Nothing acaba de levantar o véu sobre uma inovação ambiciosa na sua nova geração de earbuds: os Ear (3) vêm com um “Super Mic” integrado ao próprio estojo de carregamento, uma abordagem pouco vista no mercado até hoje.
Como funciona o “Super Mic”
- O estojo de carregamento (charging case) traz dois microfones MEMS com tecnologia de formação de feixe (beamforming), capazes de focar na sua voz e filtrar ruído ambiente forte, a marca promete supressão de ruído de até 95 dB.
- Para activar o modo, existe um botão “TALK” no estojo. Aproximando o estojo da boca (recomenda-se cerca de 5 cm), é possível manter chamadas em modo “Super Mic” enquanto o microfone dos próprios fones fica desactivado.
- O activar pode ser feito com um toque para conversas rápidas ou um duplo toque, dependendo do uso desejado.
1. Microfone mais perto: menos ruído
Tradicionalmente, os microfones embutidos nos próprios earbuds (ou nos cabos) ficam bastante afastados da fonte da voz, o que compromete a qualidade em ambientes barulhentos. Colocar o microfone exactamente onde usamos o estojo próximo à boca pode tornar a captação mais directa e menos sujeita a interferências.
2. Compatibilidade e limites
- O Super Mic funciona em apps de chamadas de voz e vídeo como Zoom, WhatsApp, Teams, Google Meet etc.
- Porém, há ressalvas: alguns aplicativos de gravação ou apps de vídeo – especialmente em Android – não permitem seleccionar microfones externos, de modo que o estojo pode não substituir sempre o microfone interno dos auriculares.
- Em gravações de vídeo, especialmente ao usar a câmara nativa do smartphone, pode haver latência entre imagem e som.
- Outra limitação prática: é necessário estar com pelo menos um earbud conectado ao telefone, já que o estojo não se conecta sozinho.
3. Os auriculares não foram esquecidos
Os próprios auriculares mantêm os microfones usuais: cada unidade traz três microfones direccionais e uma unidade de captação por condução óssea (VPU), que detecta micro-vibrações na mandíbula para ajudar a separar a voz do ruído externo.
Também usam um sistema de cancelamento de ruído adaptativo que se ajusta de milissegundos em milissegundos conforme o ambiente em redor.

O que mais os Ear (3) trazem
Para além do Super Mic, os Ear (3) introduzem melhorias técnicas relevantes:
- Drivers dinâmicos de 12 mm, oferecendo melhor resposta de graves e alcance mais amplo de áudio.
- Cancelamento activo de ruído (ANC) adaptativo, com ajustes constantes conforme o ambiente.
- Design mais robusto: o estojo é feito com alumínio reciclado 100% anodizado com metal nos componentes internos para melhor desempenho e estética.
- Autonomia interessante, embora alguns críticos ressaltem que, com funcionalidades activadas (ANC etc.), pode ficar aquém do ideal para longos usos contínuos.
A ter em consideração
- Manter o estojo numa posição próxima e orientada correctamente à boca poderá ser incómodo ou pouco prático para chamadas longas.
- Em ambientes extremos, o processamento agressivo de supressão de ruído pode “cortar” partes do discurso.
- A limitação de compatibilidade com certos apps (ou os padrões de microfone pré-configurados nos sistemas operativos) pode impedir que o Super Mic funcione em todos os casos.
- A latência em gravações de vídeo pode comprometer o uso para criadores de conteúdo, vlogs ou transmissões em que imagem e som precisam estar sincronizados.
Em suma
O Super Mic dos Ear (3) é uma aposta ousada e tecnicamente elegante para enfrentar um dos maiores desafios dos auriculares: captar voz limpa em ambientes barulhentos. Embora não seja perfeito – com restrições de compatibilidade, latência e sensibilidade a posicionamento – representa um passo sofisticado para conseguir chamada mais nítidas.
Para quem faz muitas videochamadas, participa de reuniões em locais barulhentos ou grava voz em movimento, esta novidade pode ser útil, especialmente se o uso for ocasional. Mas, para gravações profissionais de vídeo ou ambientes extremos contínuos, ainda não é a ferramenta milagrosa que todos esperamos.






