A Tesla está novamente sob o olhar atento das autoridades norte-americanas. Depois de várias investigações sobre o seu sistema de condução autónoma Full Self-Driving (FSD), a empresa de Elon Musk lançou um novo modo de condução, baptizado de “Mad Max” e o nome já diz tudo.
Tesla volta a acelerar para o lado errado da história
De acordo com a agência Reuters, a NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration) contactou a Tesla para obter informações detalhadas sobre esta nova funcionalidade, que permite que o veículo aumente a velocidade e execute manobras agressivas em tráfego intenso, incluindo mudanças súbitas de faixa e ultrapassagens automáticas.
Reguladores em alerta
Num comunicado oficial, a NHTSA confirmou que “está em contacto com o fabricante para recolher informações adicionais” e reforçou que “o condutor continua totalmente responsável pela condução e pelo cumprimento das leis de trânsito”.
Na prática, este tipo de contacto é o primeiro passo antes de uma investigação formal, que poderá resultar em penalizações ou na suspensão da funcionalidade.
A preocupação é compreensível: nos últimos anos, o sistema FSD da Tesla tem estado envolvido em vários acidentes e controvérsias sobre a sua fiabilidade, levando a múltiplas queixas de condutores e organizações de segurança rodoviária.
“Mad Max”: entre o marketing e o risco

O nome “Mad Max” é uma clara referência à icónica saga cinematográfica de acção iniciada nos anos 80, protagonizada por Mel Gibson e mais recentemente por Tom Hardy, Charlize Theron e Anya Taylor-Joy. Nos filmes, guerreiros do asfalto atravessam um mundo pós-apocalíptico dominado por perseguições e destruição.
É, portanto, uma escolha de nome no mínimo irónica e inquietante para um modo de condução autónoma.
A Tesla descreve o modo como uma configuração avançada do FSD que ajusta o comportamento do carro a um perfil mais “decidido”, reduzindo o tempo de reacção nas ultrapassagens e aumentando a velocidade em determinadas circunstâncias.
Contudo, especialistas em segurança afirmam que esta abordagem incentiva um estilo de condução agressivo, precisamente o oposto da filosofia de segurança que a Tesla diz defender.
Entre a inovação e a irresponsabilidade
A Tesla tem defendido a sua tecnologia como “assistência avançada à condução”, e não como autonomia total, embora o nome Full Self-Driving continue a gerar confusão entre consumidores.
O modo Mad Max, ao permitir que o carro ultrapasse de forma mais frequente e em maior velocidade, levanta questões legais e éticas:
- Até que ponto é o sistema autónomo responsável em caso de acidente?
- Será aceitável um fabricante introduzir modos de condução “agressiva”?
- E como reagirão as seguradoras perante o risco acrescido?
Para muitos analistas, esta decisão revela a aposta da Tesla num marketing ousado e provocador, mas que coloca em causa a segurança pública e a credibilidade da marca num momento em que as autoridades estão cada vez mais vigilantes.
O futuro da condução autónoma em debate
A Tesla não comentou oficialmente a investigação nem confirmou se o modo Mad Max será lançado fora dos Estados Unidos.
Enquanto isso, a NHTSA continua a recolher dados sobre os incidentes envolvendo veículos Tesla em modo FSD, num esforço para definir novas regras de certificação para sistemas de condução autónoma.
Entre os fãs, o modo Mad Max é visto como um símbolo de ousadia tecnológica. Entre os críticos, é mais uma jogada temerária de Elon Musk, que prefere desafiar os limites antes de os compreender.
Uma coisa é certa: a fronteira entre ficção e realidade está cada vez mais ténue e, neste caso, o apocalipse rodoviário de Mad Max parece estar a um software update de distância.





