Xá das  5
  • NOTÍCIAS
  • Audio
  • RODAS
  • Video + Foto
  • Análises
  • Opinião
  • Mobile
  • Ideias
Sem resultados
Ver todos os resultados
Xá das  5
  • NOTÍCIAS
  • Audio
  • RODAS
  • Video + Foto
  • Análises
  • Opinião
  • Mobile
  • Ideias
Sem resultados
Ver todos os resultados
Xá das  5
Sem resultados
Ver todos os resultados

Anthropic recusa o Pentágono e não ajoelhou!

redacção por redacção
Fevereiro 28, 2026
Dario Amodei, CEO da Anthropic, em entrevista, com logótipo da empresa ao fundo

Dario Amodei segurou a linha – mesmo com o Pentágono a ameaçar.

Share on FacebookShare on Twitter

Há momentos na indústria tecnológica em que uma empresa decide que há linhas que não cruza, independentemente de quem esteja do outro lado a fazer pressão, e foi o que aconteceu esta semana com a Anthropic – a empresa por detrás do assistente de inteligência artificial Claude –, quando o seu CEO, Dario Amodei, recusou publicamente as exigências do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Sem rodeios, sem cedências de última hora, sem o habitual jogo de cintura corporativo que transforma um “não” em “talvez mais tarde”.

Anthropic: o que está em jogo

anthropic header

A Anthropic tem um contrato de 200 milhões de dólares com o Pentágono, assinado em Julho passado, e foi inclusivamente a primeira empresa do sector a integrar os seus modelos de IA em redes militares classificadas. Ou seja, não estamos a falar de uma empresa que nunca quis trabalhar com as forças armadas norte-americanas – estamos a falar de uma empresa que quis fazê-lo… mas com condições.

Essas condições são duas e são simples de entender: a Anthropic quer garantias de que os seus modelos não serão usados em armas totalmente autónomas, isto é, sistemas que seleccionam e atacam alvos sem intervenção humana, e que não servirão para vigilância em massa de cidadãos norte-americanos no território nacional.

Não é um manifesto pacifista mas um pedido de balizas mínimas sobre aplicações que a própria comunidade científica, e vários organismos internacionais, consideram de risco elevado. O Pentágono queria o oposto, ou seja, acesso irrestrito para “todos os usos legais”, uma formulação que, na prática, retira à Anthropic qualquer capacidade de escrutinar como os seus modelos são aplicados.

Hegseth bate o punho na mesa e Amodei não se move

O ex-pivot de notícias Foxiano, e agora Secretário de Defesa (ele chama-lhe ministério da guerra) Pete Hegseth, escalou o conflito de forma bastante directa ao ameaçar classificar a Anthropic como “risco para a cadeia de abastecimento” – uma designação que, no contexto norte-americano, pode ter consequências sérias para um empresa –, e chegou a invocar a possibilidade de activar o Defense Production Act, uma lei que permite ao governo federal obrigar empresas a satisfazer necessidades de defesa nacional.

Em linguagem corrente foi algo como “ou fazem o que pedimos ou tornamos a vossa vida muito complicada!” Hegseth reuniu pessoalmente com Amodei na passada terça-feira no Pentágono e deu o prazo de até à noite de sexta-feira. Na quarta-feira à noite chegou a “última e definitiva proposta” do Departamento de Defesa mas na quinta-feira Amodei respondeu em declaração pública “as ameaças não alteram a nossa posição“. Mas a frase que ficou foi “não podemos aceitar em boa consciência”, uma formulação deliberada que mistura a linguagem da ética com a da responsabilidade corporativa.

O porta-voz do Pentágono e o argumento da legalidade

Dario Amodei

O porta-voz principal do Pentágono, Sean Parnell, tentou desmontar o argumento da Anthropic lembrando que a vigilância em massa de norte-americanos é ilegal e que, por conseguinte, ao exigir o uso para “todos os fins legais”, o Departamento de Defesa não estaria a pedir nada de extraordinário. É um argumento com alguma lógica formal mas que ignora uma realidade prática: o que é “legal” num contexto de segurança nacional é frequentemente definido por quem está no poder e essa definição muda com as administrações.

Parnell acrescentou que a posição da Anthropic “coloca em risco operações militares críticas e pode pôr em perigo os nossos combatentes” – uma linguagem de alto impacto emocional que a empresa terá certamente antecipado ao preparar a sua resposta.

O contexto que explica a dureza da negociação

Vale a pena notar que os concorrentes directos da Anthropic – OpenAI, Google e xAI (a empresa de Elon Musk) – aceitaram as condições do Pentágono sem estas restrições. A xAI foi ainda mais longe e aceitou esta semana a integração em sistemas classificados.

Isto coloca a Anthropic numa posição desconfortável comercialmente mas também numa posição diferenciada: é a única grande empresa de IA a tratar as salvaguardas éticas como linha vermelha em vez de ponto de negociação.

Amodei deixou a porta entreaberta ao afirmar que a preferência forte da empresa é continuar a servir o Departamento de Defesa mas com as duas salvaguardas pedidas em vigor. E acrescentou que, se o Pentágono decidir prescindir da Anthropic, a empresa colaborará numa transição tranquila para outro fornecedor, “evitando qualquer perturbação em operações militares em curso”. Uma saída elegante, que ao mesmo tempo demonstra boa fé e deixa claro que a empresa não está refém do contrato.

Em suma

O que aconteceu esta semana com a Anthropic é raro no sector tecnológico: uma empresa recusou ceder à pressão directa do governo norte-americano em matéria de princípios, mesmo com ameaças concretas de retaliação comercial. Pode chamar-se-lhe postura ética, pode chamar-se-lhe estratégia de posicionamento a longo prazo e, provavelmente, é as duas coisas ao mesmo tempo.

O que é certo é que Dario Amodei apostou na consistência quando seria mais fácil e mais lucrativo dobrar a coluna ou, como agora se diz, bend the knee. Para quem usa o Claude e se preocupa com a forma como os modelos de IA são implantados no mundo, é uma semana para ficar de olho no que o Pentágono decide fazer a seguir.

Tags: AnthropicClaudeDario Amodeiética em IAEUAinteligência artificialPentágonopolítica tecnológica
redacção

redacção

Redacção Xá das 5

Próximo artigo
Detox digital Jovem em ambiente de slow living, geração Z a desligar das redes sociais

Detox Digital: o mundo desliga-se... aos poucos

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Recomendados.

Nokia Lumia Black, actualização em marcha para WP8

Nokia Lumia Black, actualização em marcha para WP8

Janeiro 12, 2014
Centenas de sistemas em Portugal continuam vulneráveis ao WannaCry

Centenas de sistemas em Portugal continuam vulneráveis ao WannaCry

Maio 19, 2017

Tendências.

No Content Available

Parceiros

TecheNet
Logo-Xá-120

Gadgets, tecnologia, ensaios, opinião, ideias e futuros desvendados

  • Estatuto editorial
  • Política de privacidade , termos e condições
  • Publicidade
  • Ficha Técnica
  • Contacto

© 2025 Xá das 5 - Director: João Gata

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • NOTÍCIAS
  • Audio
  • RODAS
  • Video + Foto
  • Análises
  • Opinião
  • Mobile
  • Ideias

© 2025 Xá das 5 - Director: João Gata