O que distingue o Logitech G512 X de qualquer teclado gaming convencional não é a iluminação, não é o material da carcaça nem o número de teclas programáveis. É o facto de ser, simultaneamente, um teclado analógico e um teclado mecânico e deixar ao utilizador a decisão de qual quer usar, tecla a tecla.
É o tipo de produto que chega ao mercado com a intenção declarada de mudar a forma como se pensa numa categoria inteira.
Dois tipos de switch, uma só placa

Para perceber o que isso significa na prática, é preciso primeiro entender a diferença entre os dois tipos de switch (o mecanismo por baixo de cada tecla que regista o toque). Um switch mecânico tradicional funciona como um interruptor: ou está premido, ou não está. A tecla activa ou não activa um comando, sem gradações.
Um switch analógico, por outro lado, consegue detectar a profundidade do toque, quanto mais fundo se prime, mais intensa pode ser a resposta. Imagine acelerar num jogo de corridas em função da pressão que aplica na tecla, em vez de alternar entre parado e velocidade máxima. É essa a lógica.
O G512 X tem 39 posições com o que a Logitech chama Dual Swap, plataformas que aceitam tanto switches analógicos TMR (de que falarei já a seguir) como qualquer switch mecânico standard de 3 ou 5 pinos, os formatos mais comuns no mercado. As restantes 81 posições aceitam switches mecânicos convencionais, e a versão de caixa inclui switches tácteis ou lineares já instalados.
No total, a configuração standard já vem equipada com switches mecânicos em todas as posições e com nove switches analógicos Gateron KS-20 incluídos na embalagem para quem quiser começar a experimentar a mistura.
TMR: a tecnologia por detrás do analógico

TMR é a abreviatura de Tunnel Magnetoresistance. É uma tecnologia de sensores que usa variações no campo magnético para determinar com precisão milimétrica a posição exacta do switch em cada momento, sem desgaste mecânico ao longo do tempo.
Comparado com os sensores analógicos mais comuns baseados em efeito Hall, o TMR oferece maior precisão e menor ruído de sinal o que, em termos práticos, se traduz numa leitura mais estável e fiável da profundidade do toque.
O G512 X permite ajustar o ponto de accionamento de cada switch analógico entre 0,1 e 4 milímetros, o que significa que é possível definir exactamente a que profundidade cada tecla dispara a sua acção. Para jogadores competitivos que trabalham com margens de tempo muito pequenas, este nível de controlo pode fazer diferença real.
8.000 relatórios por segundo

A taxa de reporte, a frequência com que o teclado comunica o seu estado ao computador, é aqui de 8.000 Hz, o equivalente a uma actualização a cada 0,125 milissegundos.
Para comparação, a maioria dos teclados gaming convencionais trabalha a 1.000 Hz, ou seja, uma actualização por milissegundo. A diferença pode parecer abstracta, mas em géneros competitivos onde o resultado de uma acção depende de fracções de segundo, uma latência oito vezes menor não é marketing, é uma vantagem técnica mensurável.
SAPP: dois comandos numa tecla

Uma das funcionalidades mais invulgares do G512 X chama-se SAPP, de Second Actuation Pressure Point, segundo ponto de accionamento. A ideia é simples: cada tecla analógica pode ter dois comportamentos distintos, activados a profundidades diferentes. Um toque superficial executa uma acção; um toque mais profundo executa outra. Os anéis SAPP incluídos na embalagem adicionam um ressalto físico perceptível ao segundo ponto, para que o utilizador sinta onde começa o segundo comando sem precisar de olhar para o teclado.
A aplicação mais óbvia é nos jogos, mas o potencial em produtividade – edição de vídeo, software de design, atalhos em camadas – é igualmente interessante para quem trabalha muito com o teclado.
Construção, tamanho e o que vem na caixa

O G512 X está disponível em dois formatos: o 75 teclas, mais compacto, com 15,5 centímetros de largura e pouco mais de 33 centímetros de comprimento; e o 98 teclas, que mantém o teclado numérico lateral.
A montagem em gasket, um sistema em que a placa de switches assenta sobre uma camada de silicone em vez de estar directamente parafusada à carcaça, amortece o som do toque e suaviza a resposta táctil, um detalhe que separa os teclados de gama alta dos de entrada de gama. As teclas são em PBT de dupla injecção, um material mais resistente ao desgaste e à oleosidade do que o ABS comum.
Há dois dials rotativos programáveis, botões giratórios que se podem configurar para controlo de volume, macros ou qualquer outra função, e um armazenamento embutido na parte posterior do teclado para guardar os switches e anéis SAPP incluídos, um pequeno pormenor de organização que demonstra que alguém pensou nos detalhes.
A ligação é feita por USB-C para USB-A, com cabo de 1,8 metros.
O repouso de punho, frequentemente incluído nos teclados desta gama, é vendido separadamente para o modelo 75 mas vem de borla no 98.
Logitech G512 X: dois mundos, uma decisão

Há um detalhe prático que merece nota: para aproveitar as funções analógicas do G512 X, é necessário instalar os switches Gateron KS-20 incluídos nas posições Dual Swap desejadas, pois a configuração de fábrica usa mecânicos em toda a placa.
A transição entre os dois modos faz-se via G HUB, o software da Logitech, que também centraliza a personalização de iluminação, perfis, macros e a configuração do KEYCONTROL, um sistema de camadas que permite atribuir múltiplas funções a cada tecla consoante o modo activo.
Preço e disponibilidade
Este teclado está disponível, em branco e preto, no site oficial da marca e chega a revendedores seleccionados a 2 de Maio, com preços recomendados de 189,99 (75 teclas) e 219,99 euros (98).






