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Robot HONOR bate recorde mundial de meia maratona… e agora?

João Gata por João Gata
Abril 30, 2026
Robot humanoide HONOR D1 a correr em pista de atletismo durante a Meia Maratona de Pequim 2026, com multidão a observar em fundo

O D1 cruzou a meta em 50 minutos e 26 segundos. O recorde humano era de 57:20. A questão não é o tempo — é o que fazemos com ele.

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Em Pequim, no passado dia 19 de Abril, aconteceu qualquer coisa que ficará em algum museu do futuro como o momento em que a humanidade complicou definitivamente a sua relação com a própria grandeza. Um robot humanóide chamado D1, fabricado pela HONOR, cruzou a linha de chegada da meia maratona de Pequim em 50 minutos e 26 segundos. O recorde mundial humano era de 57 minutos e 20 segundos. O D1 não só venceu a prova para humanóides, como bateu o melhor tempo que algum ser humano alguma vez fez nesta distância, por quase sete minutos.

Sete minutos. Para quem não corre, pode parecer pouco mas para quem o faz, sabe que a diferença entre um corredor sério e um corredor de elite são, muitas vezes, dois ou três minutos numa distância desta. Sete minutos, a este nível, é um abismo e o D1 atravessou-o sem se importar…. ou atirou-nos para ele sem pensar duas vezes.

Vamos falar de Carlos Lopes

Carlos Lopes ganhou o ouro olímpico na maratona dos Jogos de Los Angeles, em 1984, com 37 anos, uma idade em que a maioria dos atletas já está a considerar reformar as sapatilhas. No ano seguinte, em Roterdão, correu uma maratona em 2 horas, 7 minutos e 12 segundos, batendo o recorde mundial. Era o melhor do mundo, e tinha conseguido isso à custa de décadas de treino, disciplina e uma resistência à dor e ao desconforto que a maioria das pessoas normais não consegue sequer imaginar. Reza a lenda que foi atropelado num dos treinos matinais…

Fernando Mamede, recentemente desaparecido, esse génio irregular e temperamental que o atletismo português ainda não sabe bem como explicar às gerações mais novas, estabeleceu em 1984 o recorde mundial dos 10.000 metros com 27 minutos e 13 segundos. Um recorde que, nos seus melhores dias, parecia ter saído de outro planeta.

Rosa Mota ganhou o ouro olímpico em Seul, em 1988, foi três vezes campeã do Mundo de cross country, venceu a Maratona de Boston três vezes. É, por qualquer métrica razoável, uma das maiores atletas que Portugal alguma vez produziu.

Estas pessoas chegaram onde chegaram à custa de muito esforço, de manhãs de Inverno em que o corpo dizia para ficar na cama e a cabeça disse que não. De lesões que cicatrizaram e voltaram, de uma relação com o esforço que é, na sua essência, aquilo que separa a glória do esquecimento.

E agora um robot de 169 centímetros de altura, com 159 peças metálicas e um sistema de refrigeração a líquido inspirado nos smartphones, decide aparecer numa meia maratona e correr mais depressa do que qualquer ser humano na história.

O problema não é o robot D1, o problema é a pergunta

O D1 não sofreu, não sentiu as pernas a arder nos últimos cinco quilómetros, não teve de negociar com a cabeça para continuar quando o corpo protestou, nem foi a lado nenhum buscar nada, “apenas” foi programado, testado em mais de 150 ensaios de estrada e enviado para a linha de partida com 2.000 quilómetros de experiência acumulada em apenas sete meses. A HONOR chama a isto orgulhosamente o seu plano estratégico, o Alpha Plan. É impressionante? Tecnicamente, é até extraordinário, mas isso não responde à pergunta que realmente importa: onde está o mérito?

O mérito, na acepção mais honesta da palavra, pressupõe a possibilidade do fracasso. Pressupõe que havia uma hipótese real de não conseguir, e que se conseguiu mesmo assim. Um robot que corre uma meia maratona em 50 minutos não falhou; foi construído para não falhar. Não escolheu ser veloz, porque foi concebido para o ser. Não sacrificou nada porque não tem nada a sacrificar. Quando Carlos Lopes cruzou a meta em Los Angeles, o mundo inteiro sentiu qualquer coisa. Quando o D1 cruzou a meta em Pequim, os engenheiros da HONOR ficaram satisfeitos com os dados.

Não é a mesma coisa e nem pode ser a mesma coisa.

A tentação de comparar o que não é comparável

Honor D1 b 1

A HONOR apresenta este feito como o início de uma nova era de inteligência física. E, do ponto de vista técnico, têm razão em estar entusiasmados: a autonomia total de navegação, a recuperação autónoma de colisões durante a corrida, a eficiência energética que lhes permitiu completar o percurso com baterias de troca rápida, tudo isso representa avanços reais e com aplicações que vão muito além de corridas de humanóides em Pequim.

Os robots que a HONOR está a construir têm potencial para mudar o trabalho industrial, a assistência domiciliar, as operações em ambientes de risco e tudo isto é genuinamente importante.

O problema surge quando se deixa que o recorde da meia maratona seja apresentado como uma vitória sobre a performance humana. Porque, simplesmente, é uma demonstração de engenharia e a diferença é fundamental, não pode ser comparável.

O que fica de pé

Há uma resposta tranquilizadora para tudo isto, e é a que normalmente se dá nestes momentos: os humanos continuarão a competir entre si, os robots competirão entre si, e as duas coisas coexistirão sem se anular. É uma resposta razoável e, provavelmente, é a resposta certa. Mas não responde completamente à pergunta que o D1 colocou em Pequim, que não é uma pergunta sobre velocidade.

A pergunta é: o que valorizamos, afinal? Se a resposta for apenas a velocidade ou a eficiência ou o resultado, então sim, o D1 ganhou e vai continuar a ganhar, e daqui a dez anos os recordes que hoje parecem inalcançáveis serão batidos por máquinas com cálculo e precisão que nenhum ser humano pode igualar. Mas se a resposta incluir o esforço, a entrega, a possibilidade real do fracasso e a escolha consciente de não desistir, então o que o D1 fez em Pequim não tem nada a ver com o que Carlos Lopes fez em Los Angeles ou Rosa Mota em Seul.

A distinção não é nostálgica, é filosófica e é urgente que a façamos antes que a velocidade da inovação nos faça esquecer que a fazemos.

Tags: atletismoCarlos Lopesdesportodesporto e tecnologiaFernando MamedeHonorHONOR D1inteligência artificialopiniãorobóticaRosa Mota
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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