A Sony lançou oficialmente o novo Sony Xperia 1 VIII (como já tinhamos referido no início de Maio) e, felizmente, continuou a resistir à tentação de fabricar mais um rectângulo genérico igual a todos os outros. Num mercado onde praticamente todos os smartphones premium parecem clones uns dos outros, o Xperia 1 VIII mantém-se teimosamente fiel ao ADN Xperia – e isso é simultaneamente o seu maior defeito e a sua maior virtude. Bom… mais ou menos. Se bem que continua a apostar na entrada para cartões de memória e a muito necessária tomada minijack, a verdade é que se rendeu ao quadrado das objectivas que se repetem em todas as marcas, mesmo que a descendo um bocadinho. Os fãs estão contra, mas é o que é.
Infelizmente, o novo topo de gama da marca japonesa não será vendido em Portugal tal como os modelos anteriores. Políticas espanholas vergaram o nosso cantinho à sua reles importância mercantilista e não há volta a dar. Mas este menino chega com mudanças importantes, uma nova aposta em inteligência artificial aplicada à fotografia e um salto considerável na teleobjectiva.
E, como referi, a Sony continua a fazer algo quase revolucionário em 2026: manter a entrada jack 3,5 mm, slot microSD e botão físico dedicado para fotografia. Sim, aparentemente ainda existem engenheiros japoneses que usam efectivamente os próprios produtos.
Sony Xperia 1 VIII muda finalmente o design

Depois de anos praticamente iguais, o Sony Xperia 1 VIII recebe finalmente uma alteração visual séria. A tradicional barra vertical de câmaras desaparece e dá lugar a um novo módulo quadrado mais próximo do mercado actual.
Ainda assim, a Sony não abandonou completamente a sua identidade visual. O ecrã continua sem notch nem furo, graças às margens superiores e inferiores simétricas. Isto permite manter uma experiência verdadeiramente limpa para vídeo, jogos e multimédia, algo cada vez mais raro na indústria.
O painel continua a apostar num OLED de 6,5 polegadas Full HD+ com 120 Hz. Alguns poderão criticar a ausência de resolução 4K permanente, mas a verdade é que a Sony parece finalmente ter percebido que autonomia e eficiência energética são mais importantes do que números absurdos numa ficha técnica.
Xperia 1 VIII continua a ser um telefone para humanos

Enquanto o resto da indústria elimina portas, reduz funcionalidades e obriga utilizadores a viver em dongle-land, a Sony continua a oferecer microSD e entrada áudio dedicada. Parece um detalhe pequeno, mas para fotógrafos, criadores de conteúdo, músicos ou simplesmente pessoas normais que gostam de usar auscultadores sem adaptadores ridículos, isto continua a fazer toda a diferença.
O botão físico dedicado para disparo fotográfico também regressa. Pode parecer nostalgia, mas quem fotografa regularmente sabe perfeitamente como um botão físico melhora estabilidade, rapidez e ergonomia.
Câmara do Sony Xperia 1 VIII sobe finalmente de nível

A grande novidade deste ano está na nova teleobjectiva. A Sony trocou o antigo sensor de 12 MP por um novo sensor Exmor RS de 48 MP e dimensões muito maiores. Segundo a marca, o novo sensor é quase quatro vezes maior do que o anterior.
O sistema traseiro passa agora a incluir três sensores de 48 MP:
- Principal de 24 mm
- Ultra grande angular de 16 mm
- Teleobjectiva de 70 mm
Tudo isto acompanhado por ópticas ZEISS T*.
Na prática, isto significa melhor fotografia nocturna, melhor alcance dinâmico e zoom muito mais utilizável sem destruir detalhe. A Sony parece finalmente ter percebido aquilo que marcas chinesas como Xiaomi, Vivo ou Oppo já descobriram há algum tempo: sensores maiores fazem diferença real na fotografia móvel.
Inteligência artificial chega ao Xperia
O novo AI Camera Assistant é outra das grandes apostas do Sony Xperia 1 VIII. O sistema sugere automaticamente lentes, profundidade de campo, tonalidades e configurações fotográficas consoante a cena detectada.
É uma abordagem claramente inspirada no que a Google faz nos Pixel, mas com uma filosofia mais próxima do universo Alpha da própria Sony. A ideia não é substituir o utilizador, mas ajudar quem não percebe muito de fotografia a obter melhores resultados.
E aqui está talvez o maior dilema moderno da fotografia móvel: os smartphones estão a tornar-se tão inteligentes que, em muitos casos, já fotografam melhor sozinhos do que os próprios utilizadores.
Snapdragon 8 Elite Gen 5 alimenta o Xperia 1 VIII
O novo flagship da Sony utiliza o Snapdragon 8 Elite Gen 5, acompanhado por até 16 GB de RAM e armazenamento que pode chegar a 1 TB. Sim, com expansão microSD incluída. Porque aparentemente a Sony ainda acredita que armazenamento local continua a ser importante numa era em que toda a gente acha normal pagar subscrições infinitas à cloud.
A bateria mantém os 5.000 mAh, mas a Sony promete até dois dias de utilização graças às optimizações energéticas do sistema.
Áudio continua a ser uma obsessão da Sony

A herança Walkman continua bem viva no Xperia. O telefone mantém altifalantes estéreo frontais, áudio Hi-Res e processamento sonoro herdado da divisão áudio da marca.
Enquanto muitos fabricantes tratam o áudio como um detalhe secundário, a Sony continua a ver o smartphone como uma plataforma multimédia completa. E honestamente? Faz falta haver marcas assim num mercado cada vez mais focado apenas em IA generativa e filtros automáticos.
O problema continua a ser o preço

O grande problema do Sony Xperia 1 VIII continua exactamente o mesmo: o preço. O modelo começa nos 1.499 euros e pode ultrapassar largamente isso nas variantes mais completas.
É muito dinheiro para um smartphone Android num mercado onde Samsung, Xiaomi, Honor, Oppo e Google oferecem alternativas fortíssimas.
Mas também é verdade que nenhum deles oferece exactamente esta combinação de:
- Fotografia inspirada nas Alpha
- Áudio Walkman
- MicroSD
- Jack 3,5 mm
- Botão físico de câmara
- Design sem notch
- Interface relativamente limpa
O Xperia continua a ser um produto de nicho. Mas talvez seja precisamente isso que o torna especial.




