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Análise OPPO Find X9 Ultra: a câmara que também faz chamadas

João Gata por João Gata
Junho 19, 2026
OPPO Find X9 Ultra em Tundra Umber sobre superfície de madeira, com o módulo de câmara circular Hasselblad em destaque e o botão de disparo laranja visível no lateral

Um telemóvel que parece uma câmara, funciona como uma câmara e pesa como uma câmara. Falta só o correio para pendurar ao pescoço.

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Zoom óptico 10x, sensor de 200MP e parceria com a Hasselblad: o OPPO Find X9 Ultra não é um telemóvel com boa câmara, é uma câmara com boa conectividade e com bateria para dois dias.

Confesso que pedi à marca especificamente este OPPO para me acompanhar numas férias aos mundos escandinavos. Queria saber se é realmente possível visitar destinos sem a preocupação de levar uma câmara Full Frame, ou vá lá, micro 4/3 na bagagem e nunca questionar essa decisão.

Portanto, chegada a hora, saí de casa com o OPPO Find X9 Ultra e, para resumir desde já a experiência, aconteceu mais ou menos o que esperava: ao longo dos dias, deixei de pensar no equipamento e comecei a emoldurar apenas o que estava à minha frente: gaivotas de cabeça preta muito esquisitas num corrimão a trezentos metros, o reflexo de um semáforo numa poça de chuva, um velho super-herói meio equivocado sentado na rua (mistura entre Astérix e superman), um casal de amigos idosos a ler o jornal numa esplanada com o sol a entrar de lado, para além de todos os pormenores, os incríveis pormenores que visualizei.

São o tipo de cenas que normalmente passam à conta de “olha, que pena não ter trazido a câmara”. Só que desta vez… trouxe. Estava no bolso e chama-se Find X9 Ultra.

Analise OPPO Find X9 Ultra 7

Um telemóvel que não tem vergonha de parecer uma câmara

O design do Find X9 Ultra é a primeira coisa que as pessoas vão notar. Na versão Tundra Umber, que felizmente foi a que me calhou, o corpo combina couro vegan com uma moldura metálica que citam directamente a Hasselblad X2D 100C Earth Explorer, a câmara de médio formato mais cobiçada pelos fotógrafos que ainda podem pagar uma casa em Lisboa.

Analise OPPO Find X9 Ultra 8

Os logos da OPPO e da Hasselblad partilham o espaço na parte traseira, alinhados horizontalmente como numa câmara a sério, sinalizando a orientação preferida para fotografar. O botão de disparo laranja no lateral tem foco por pressão parcial, como numa câmara fotográfica convencional, enquanto o anel à volta do módulo de câmara tem uma textura que imita o anel de focagem de uma objectiva mas, atenção, não roda, o que vai decepcionar exactamente a percentagem de pessoas que tentou rodá-lo… como eu.

O módulo de câmara em si é redondo e enorme, hexagonal por dentro, e tem um tratamento visual que imita as lâminas de abertura de uma objectiva aberta. É ao mesmo tempo o elemento mais bonito e o mais desconcertante do Find X9 Ultra: desconcertante porque quando se o coloca de costas para cima numa mesa, aquele módulo fica ali a olhar para o tecto como um olho que não fecha como que a pedir-nos “agarra lá em mim e dá mais uma volta, mesmo que estejas estourado de mais um dia em que caminhaste quase 15 km”.

Cinco câmaras, um sensor de cor, e a física do zoom óptico real

Analise OPPO Find X9 Ultra 6

Antes de entrar nos números, uma clarificação para quem não está habituado à linguagem das câmaras de telemóvel: quando os fabricantes falam em “zoom” na maioria dos casos estão a fazer batota – ampliam digitalmente a imagem, que é o equivalente a fazer zoom num Google Maps até aos pixeis ficarem visíveis.

Zoom óptico real significa que existe vidro a mover-se dentro do telemóvel, tal como numa objectiva de câmara fotográfica, e o resultado mantém qualidade independentemente da ampliação.

O Find X9 Ultra tem zoom óptico real a 3x e a 10x. Dez vezes!!! Nenhum outro telemóvel disponível no mercado global tem isto com este nível de sensor.

O sistema tem quatro câmaras activas e um sensor de cor que trabalha em segundo plano. A câmara principal usa o Sony LYT-901, um sensor de 200 megapíxeis com 1/1.12” de tamanho – o maior sensor de 200MP alguma vez colocado num telemóvel – com abertura f/1.5 e estabilização óptica.

A câmara de zoom óptico 3x tem outro sensor de 200 megapíxeis, desta vez OmniVision, com 1/1.28″ e abertura f/2.2, e permite foco aproximado até 15 cm, funcionando também como lente macro.

A ultra-grande-angular de 50 megapíxeis com sensor Sony de 1/1.95 polegadas fecha o trio habitual.

E depois temos o zoom 10x.

A câmara de zoom óptico 10x usa um sistema que a OPPO chama Quintuple Prism Reflection Periscope – um periscópio de cinco reflexões que dobra o caminho da luz cinco vezes para conseguir a distância focal equivalente a 230mm num espaço que fisicamente não deveria caber.

O resultado é um sensor de 50 megapíxeis com abertura f/3.5 e estabilização por deslocamento de sensor. Não é magia, é engenharia óptica séria, e o equivalente a andar sempre na rua com uma teleobjectiva de 230mm no bolso.

O que o 10x óptico muda na prática

A primeira semana com o Find X9 Ultra passa-se a fazer coisas que normalmente não se tentam com um telemóvel. Galinhas e galos numa capoeira e ao ar livre porque nos acordaram de madrugada, o topo de um torreão que fica a kms, o que está escrito num sinal a cinquenta metros.

Depois passamos aos telhados com detalhes arquitectónicos que não nos são geograficamente comuns, filmamos um ataque de uma espécie de gaivotas a outra espécie por causa de uns fios de massa que alguém teve o descaramento de deixar no chão, a outras coisas ainda mais bizarras apenas porque sim, porque se pode.

Há uma estranheza agradável em perceber que o alcance óptico disponível no bolso é genuinamente superior ao que a maioria das câmaras compactas oferece e isso faz-nos sorrir. Mas também começar a chorar, pois este OPPO tem dono…

A qualidade a 10x óptico é impressionante e o que “impressionante” significa aqui é que as imagens não parecem tiradas com zoom. Parecem tiradas de perto com uma boa objectiva com detalhe real e sem o aspecto plastificado que o processamento por inteligência artificial produz quando tenta reconstruir detalhe que não existe.

A OPPO chega a “qualidade óptica” declarada a 20x por corte do sensor de 50 megapíxeis, e os resultados a esta ampliação são ainda genuinamente utilizáveis, uma raridade nesta categoria.

Analise OPPO Find X9 Ultra 9

O Modo Master da Hasselblad é onde os fotógrafos com formação vão passar mais tempo. Contorna o processamento automático da OPPO e aplica apenas a ciência de cor da Hasselblad – aquela reprodução natural, com tons de pele que parecem pele e não ilustração de pele, que a marca sueca tem construído durante décadas.

Suporta RAW e RAW Max, controlo manual de exposição, ISO, foco e balanço de brancos individuais, peaking de foco, e nove simulações de película incluindo o Portra 400 e o CineStill 800T. Para fotógrafos que habitualmente trabalham com câmaras dedicadas, esta é a primeira vez que um telemóvel oferece um workflow credível em RAW sem comprometer a câmara ou fingir que é algo que não é.

A ultra-grande-angular é o elo mais fraco do conjunto – como quase sempre neste formato -, com alguma aberração cromática nas extremidades e prestação de pouca luz abaixo dos outros sensores. É suficiente para paisagens e grupos, não é o ponto de força do sistema.

O ecrã, a bateria e o resto que também tem de funcionar

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O painel AMOLED de 6,82 polegadas com resolução QHD+ de 3168 x 1440 pixels, taxa de actualização variável entre 1 e 144Hz via tecnologia LTPO e brilho máximo de 3600 nits é dos melhores ecrãs disponíveis em 2026. Plano, com biseles finos, cores calibradas, suporte a Dolby Vision e HDR Vivid. Para avaliar fotografias no ecrã do próprio telemóvel, uma necessidade real quando se usa o Find X9 Ultra como câmara principal, é um ecrã que não mente: o que se vê é o que se tem.

A bateria de 7050 mAh em tecnologia silício-carbono é, sem ambiguidade, o melhor argumento de autonomia do mercado a este preço e dois dias de uso real com fotografia activa são alcançáveis com regularidade. A recarga rápida a 100W por cabo carrega de zero a 100 em 75 minutos enquanto os 50W sem fios funcionam com os carregadores proprietários da OPPO.

Infelizmente, não há suporte para Qi2 magnético, o que é a concessão mais irritante desta imensa ficha técnica e que não se compreende muito bem, pois os Pixel já o democratizaram no ano passado com a gama 10 e 10 Pro.

O coração

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O Snapdragon 8 Elite Gen 5 com 12 GB de RAM é o processador mais capaz disponível em Android em 2026. O ColorOS 16 baseado em Android 16 é fluido, com boas funcionalidades de IA incluindo o Mind Space – que guarda e organiza capturas de ecrã, notas de voz e fotografias com análise automática -, e integração com Gemini, Perplexity e DeepSeek.

Contudo, vivi alguns percalços meio estranhos, como o facto de não conseguir personalizar as notificações, por vezes nem mesmo ouvi-las, por muito que clicasse nos botões certos dos menus. Algo que poderá ter que ver com esta unidade de análise em específico que já correu por muitos dedos.

Como tem vindo, felizmente, a ser norma, a OPPO compromete-se com cinco anos de actualizações do sistema operativo e seis de patches de segurança, que fica abaixo dos sete anos da Samsung e Google mas é ainda assim um compromisso sólido para um produto deste preço.

Um à parte: o kit Earth Explorer e a teleconversora

Mesmo que não me tenha sido disponibilizado, há que apontar o Hasselblad Earth Explorer Kit com uma teleconversora de 300mm que se acopla à câmara de 3x, estendendo o alcance para zoom óptico de 13x e qualidade óptica declarada a 30x. O kit inclui ainda uma caixa com grip físico, botão de disparo de dois estágios, anel adaptador para filtros de 67mm e suporte para tripé. É um conjunto que transforma o Find X9 Ultra em algo que se fotografa genuinamente como um sistema de câmara compacta de viagem – com o benefício de continuar a ser um telemóvel com autonomia de dois dias quando se acaba o dia de fotografia.

Em suma

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O OPPO Find X9 Ultra é o telemóvel que mais se aproximou de me fazer deixar a câmara em casa. Não porque seja perfeito – o ultra-grande-angular tem limitações, o ColorOS tem peculiaridades, e 236 gramas no bolso fazem-se sentir ao final do dia – mas porque o zoom óptico de 10x com sensor de 50 megapíxeis é um argumento sem paralelo disponível no mercado global, a câmara de 3x com sensor de 200MP produz retratos e detalhes que rivalizam com câmaras compactas sérias, e a Hasselblad não emprestou apenas o nome – emprestou o processo.

Preço

A 1699€ é uma decisão que merece fazer muitas contas, mas para quem fotografa a sério e só quer carregar um único dispositivo ao longo do dia, o Find X9 Ultra é a resposta mais honesta que existe neste momento.

Galeria
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Tags: Análiseanálise flagship 2026câmaracâmara smartphoneFind X9 UltraflagshipfotografiaHasselbladOPPOZoomzoom óptico 10x
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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