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Android 17 traz áudio LHDC aos Google Pixel

João Gata por João Gata
Julho 2, 2026
Smartphone Google Pixel com Android 17 ligado a auscultadores Bluetooth com suporte para o codec LHDC.

O LHDC promete áudio Bluetooth de maior qualidade nos Google Pixel compatíveis.

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Se tem um Google Pixel compatível com o Android 17 e gosta de ouvir música através de auscultadores Bluetooth, há uma novidade que merece a sua atenção: a Google passou a suportar oficialmente o codec LHDC, uma tecnologia que promete áudio de maior qualidade sem recorrer a fios.

Antes de começar já vale a pena esclarecer um ponto importante: isto não significa que o Bluetooth passou, de repente, a oferecer som perfeito, mas que, nas condições certas, poderá ouvir música com maior detalhe e menor compressão do que acontecia até agora.

O que é o LHDC?

O nome pode parecer complicado, mas a ideia é simples.

LHDC significa Low Latency High-Definition Audio Codec. Traduzindo para português corrente, trata-se de um sistema de compressão de áudio concebido para transmitir música através de Bluetooth com a maior qualidade possível e com baixa latência.

A latência corresponde ao pequeno atraso entre o momento em que o som é enviado e aquele em que chega aos auscultadores. Quanto menor for esse atraso, mais natural será a experiência, especialmente em vídeos e jogos.

O LHDC não é propriamente uma novidade. Foi apresentado em 2018 pela HWA Alliance e, desde então, tem sido utilizado por vários fabricantes de smartphones e auscultadores. O que muda agora é que os Google Pixel passam finalmente a integrar este codec de forma nativa com o Android 17.

Android 17

Mais qualidade… mas não faz milagres

Uma das grandes promessas do LHDC é o suporte para áudio de alta resolução.

Nos Pixel, o codec consegue reproduzir música até 24 bits e 96 kHz, valores bastante superiores aos utilizados pelos ficheiros MP3 tradicionais.

Na prática, isto significa que é possível transportar mais informação sonora, preservando melhor pequenos detalhes da gravação original.

No entanto, há um pormenor importante que muitas campanhas de marketing preferem deixar em segundo plano: o LHDC continua a utilizar compressão.

Ou seja, apesar de permitir uma qualidade muito elevada, não transmite áudio totalmente sem perdas (lossless). A largura de banda disponível através do Bluetooth continua a ser limitada e simplesmente não permite transportar todo o volume de dados de uma gravação de alta resolução sem recorrer a algum tipo de compressão.

É precisamente por isso que, apesar da certificação Hi-Res Audio Wireless, o LHDC continua a ter limitações semelhantes às de outros codecs avançados, como o LDAC da Sony ou o aptX Adaptive da Qualcomm.

Porque nem sempre ouvirá a qualidade máxima

Existe outro factor que influencia directamente a qualidade do som: a própria ligação Bluetooth.

Ao contrário de um cabo, cuja capacidade é constante, uma ligação sem fios depende do ambiente em redor. Quanto mais interferências existirem, maior a probabilidade de o codec reduzir automaticamente a quantidade de dados transmitidos.

É aqui que entra a chamada taxa de bits variável.

O LHDC consegue adaptar-se automaticamente às condições da ligação. Se estiver em casa, longe de interferências, poderá funcionar próximo da qualidade máxima. Mas se estiver dentro de um comboio cheio de pessoas, num aeroporto ou num centro comercial, a qualidade poderá baixar automaticamente para evitar cortes no som.

Na prática, o sistema prefere reduzir ligeiramente a qualidade do áudio em vez de interromper constantemente a música.

LHDC não significa automaticamente melhor som

À primeira vista pode parecer que um codec capaz de transmitir até 1.000 kbps será sempre superior aos restantes. Mas a realidade é um pouco mais complexa.

A qualidade final depende de vários factores:

  • Os auscultadores têm de suportar LHDC.
  • O smartphone também tem de ser compatível.
  • A qualidade da gravação original continua a ser determinante.
  • O ambiente onde utiliza o Bluetooth influencia directamente a estabilidade da ligação.

Ou seja, activar o LHDC não transforma automaticamente qualquer música numa gravação de estúdio.

Aliás, em determinadas situações, poderá ser difícil distinguir diferenças face a codecs como AAC, LDAC ou aptX Adaptive, especialmente em ambientes com muitas interferências.

Como activar o LHDC no Google Pixel

Se possui um Pixel compatível com o Android 17 e auscultadores que suportem LHDC, a activação é relativamente simples.

Depois de emparelhar os auscultadores, basta aceder às opções Bluetooth do dispositivo e verificar se o codec LHDC está disponível. Em alguns casos poderá também ser necessário activar as Opções de Programador, onde o Android permite escolher manualmente o codec de áudio Bluetooth utilizado.

Caso o equipamento ligado não seja compatível, esta opção simplesmente não aparecerá.

Vale a pena?

Para quem utiliza serviços de música em alta qualidade e possui auscultadores compatíveis, a resposta tende a ser positiva.

O LHDC oferece mais margem para reproduzir áudio com maior detalhe e aproxima-se da qualidade de uma ligação com fios, embora ainda não consiga igualá-la completamente.

Para quem ouve música em plataformas com compressão mais agressiva ou utiliza auscultadores Bluetooth de entrada de gama, as diferenças serão provavelmente pouco perceptíveis.

Tags: Android 17ÁudioauscultadoresbluetoothgoogleGoogle PixelHi-Res AudioLHDC Google Pixeltecnologia
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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