Numa altura em que meio mundo anda louco para comprar uma bicicleta e o outro meio a encontrar coragem para conseguir pedalar por entre o trânsito citadino, nota-se que a forma de viver e pensar a cidade mudou. Se é pela crise ou moda, logo se farão as contas à percentagem, mas num repente, Lisboa (para citar a minha cidade) assiste diariamente a um crescente número de ciclistas, uns que já são profissionais nos atalhos casa-trabalho-casa e outros que ainda só circulam por zonas como Monsanto, corredor verde ou Expo. Eu faço parte destes últimos e ainda tenho receio de me aventurar na estrada… talvez porque conduzo há muito, muito tempo e sei como os outros se comportam.
Na verdade, o que eu quero mesmo é uma scooter (a preferência emocional recai numa Yamaha que é demasiado cara ou outra com três rodas que é o preço de um carro, a racional segue os trilhos de centenas de motociclistas que escolheram uma Honda toda cheia de design e mais em conta).
Então, dirão vocês, comprei uma bicicleta para recuperar o equilíbrio, reaprender a fazer razias e controlar derrapagens com a roda traseira… mas não. Comprei-a mesmo porque faz bem pedalar e, como gosto de tirar fotografias, assim vou também fazendo os ensaios às câmaras. A bicicleta é um excelente veículo que me leva a recantos onde os automóveis não entram e uma moto também não o consegue tão bem… talvez porque tenha motor que faz barulho e fumo.
Qualquer dia estará na hora de vender a bicicleta e adquirir uma de muitas motas em segunda mão, pois de certeza que vou reunir coragem e manha para aprender a afastar-me dos taxistas, camionistas e demais “istas”. A dificuldade, pelo que todos os amigos motards me dizem, é passar a andar enlatado nos dias em que não me apeteça ser livre (devido à chuva ou frio ou ter de transportar um qualquer embrulho maior que uma mochila).
Se calhar não é boa ideia vender a bicicleta… mas comprarei uma scooter.







