Alguns anos atrás, descobri um serviço de música online que se chama Pandora e que me encheu todas as medidas e mais algumas. Era (e é no primeiro mundo) uma rádio on demand, feita pelos meus gostos e que me alertava para artistas similares que muito enriqueceram o meu conhecimento musical. Num repente, a malta do Pandora deixou de fornecer este extraordinário serviço público para muitos países, incluindo Portugal e o resultado é o que se ouve: a bimbalhice continua a reinar em todo o seu explendor.
Fiquei orfão num repente. Tinha uma lista fabulosa e cada vez mais seguidores que por minha vez perseguia. Toda uma espécie de rede social dinâmica e uníssona, ainda nem o Mark andava a pensar no Facebook nem o horrífico iTunes era um projecto real e incontornável (é devido ao iTunes e outros atentados que nunca utilizei iCoisos, mantendo-me fiel a tudo o que seja drag & drop simples e sem obrigações).
Houve – e há – vários serviços semelhantes em forma e conteúdo ao Pandora, entre eles o agora muito badalado Spotify (finalmente em versão nacional) que é, realmente, bem feito e poderoso. E se pagarmos a conta mensal, o que é um maço de tabaco ou dois (€3.49 pelo serviço Unlimited, €6.99 pelo Premium), temos tudo o que precisamos.
Ora se estamos numa época ‘spotificada’, porque razão surge a Google com o novo serviço Music em que se pode comprar e descarregar músicas ou albuns (ou então deixá-los armazenados na própria nuvem da Google que, curiosamente, permite a cada utilizador fazer upload de 20.000 dos seus temas preferidos e armazená-los para poder ouvir nos vários dispositivos) em vez de, simplesmente, ouvi-los quando bem se deseja e de forma gratuita ou paga a troco de quase nada?
A Google diz que é um negócio parecido com o da iTunes que prepara a sua versão Music, quiçá, para combater esta investida Android.
Mas o negócio também é outro. Por exemplo, a plataforma Artists Hub é boa para bandas musicais que querem colocar o seu acervo online e ganhar alguma coisa com isso (a Google fica com 30% de cada venda) e assim poder rivalizar com as defuntas (a não ser para as grandes apostas plásticas e iguais às anteriores de playlists fabricadas a milímetro) editoras discográficas (que precisam cada vez mais do empurrão televisivo com júris e participantes). Mas mesmo neste caso, a Google não inova… nem mesmo quando diz que esta sua nova plataforma social, na que eu até posso emprestar uma música para um amigo ouvir, é original. Então e o Myspace que tem isto tudo junto e que foi recentemente ‘rebrandizado’ e que funciona realmente como a grande montra dos novos artistas? E há tanto serviço para lojas online por aí que qualquer banda até pode conceber uma para ser exclusiva…
Portanto, a quem se destina este novo Google? Para mim não é. Sorry guys.







