
in Metropolis #12
A VERDADEIRA DIMENSÃO DA IMPRESSÃO
O mundo está prestes a mudar, não devido a uma qualquer guerra ou aquecimento/ arrefecimento globais, mas por causa de uma tecnologia que ainda está a dar os primeiros passos: a impressão a 3D.
A nossa realidade vai conhecer uma revolução somente pela utilização doméstica (ou industrial) de uma maquineta mais ou menos cúbica com reservatórios / tinteiros com matérias que, em vez de pintar papel, constroem um modelo desenhado em software CAD ou similar. E essas matérias podem ser plástico, resina ou até metal, de um tom ou multicor. Existem, inclusive, tinteiros de chocolate e outras iguarias que já “constroem” bolos com formas fantásticas e desenhadas por geeks.
Imaginem, por um momento, que já têm a vossa impressora 3D (em que podem escolher o tipo de “tinteiro”) montada no actual espaço da laser ou jacto de tinta. Procuram uma capa para substituir a do vosso smartphone e… “click”! Já está impressa. Uma chávena para o café? Feito! Uma pistola? Simples! Uma peça para o automóvel que a marca vende a peso de ouro? Plim! Um microship? Sem problema! Ao que parece, qualquer coisa física vai poder ser impressa a 3D no conforto do nosso lar. Ou, se precisarmos de um pára-choques para substituir o que levou um toque, vamos à Staples do bairro que tem impressoras 3D de dimensões industriais.
Por outro lado, esta revolução vai ocasionar o colapso de milhares de fábricas, empresas e, consequentemente, empregos. Esta realidade até poderia ser mitigada se, em vez de pensar na desordem e caos que vão acontecer, se estivesse a pensar em transferir toda esta gente para novos processos, empregos e apoio directo e logístico para toda uma nova realidade. Nunca se esqueçam que os correios iriam desaparecer por causa do email e agora ganham mais dinheiro para entregar as encomendas feitas através do… email.
Sabemos que alterar a forma de pensar desses senhores de fato e gravata (à imagem de Detroit) é quase impossível e a hora do contra-ataque chegou com violência e em letras garrafais: “a impressão 3D é nefasta para a saúde”!
As últimas notícias dão conta de um estudo levado a cabo pelo Instituto Tecnológico de Illinois que revelou (em cinco impressoras testadas) a utilização de polímeros ABS e PLA como matérias primas e alertam para a emissão de partículas ultrafinas que depois de inaladas ficam depositadas nos pulmões sendo, posteriormente, absorvidas pela corrente sanguínea. Logicamente que a conclusão não é meiga e aponta doenças como a asma, o cancro do pulmão e derrames cerebrais como possível resultado.
O estudo também conclui que ambientes não ventilados são mais perigosos que os industriais portanto, as impressoras domésticas é que são o verdadeiro problema. Vem mesmo a calhar, não é?
Será que a tecnologia vencerá este grande obstáculo que, como alguns outros (cancro devido ao telemóvel ou radiações dos microondas), não se sabe até que ponto é realista e em que condições extremas foi conseguido, ou os senhores de fato e gravata vão conseguir assustar meio mundo e adiar a inevitável evolução?





