Inovador, o primeiro smartphone com ecrã curvo a ser comercializado demonstra o fulgor tecnológico sul-coreano. A guerra entre a LG e a Samsung está mais hi-tech que nunca
Depois da extraordinária surpresa que foi o LG G2, esperava-se uma grande evolução da marca sul-coreana, apostada recentemente em ser a primeira a lançar ecrãs curvos em vários segmentos. Assim aconteceu nos televisores UHD 4K, onde foi pioneira, e nos smartphones, em que também ganhou a corrida a duo contra a sua arqui-rival Samsung.
E o que dizer deste novo conceito de formato? Cairá no goto dos utilizadores (logicamente que não falo dos early adopters ou dos fashion victims)? Será mesmo o primeiro representante de um futuro próximo?
Quando o tive na mão pela primeira vez aquando o lançamento oficial, achei-o demasiado volumoso. A meu lado, um colega estava maravilhado. Outro mais adiante confirmava a minha percepção. Mas outro gostou imediatamente do conceito. Fiquei, portanto, na mesma após esse muito breve estudo de impacto no mercado.
Passado pouco tempo, eis que o glorioso e badalado G Flex me chega para ensaio e confirmei essa minha noção. Este LG é mesmo grande, com um ecrã de 6″ que é perfeito para quase tudo excepto para fazer ou receber um telefonema sem dar nas vistas.
Antes mesmo de me “fazer ao caminho”, percebi que, mesmo de formato adequado para arrumar no bolso das calças, é grande demais. Dá até jeito para segurar aquando um telefonema, mas para guardar já não. A questão coloca-se: o que pretendemos de um smartphone?
Resposta A: tudo e mais alguma coisa, quero que ele seja o meu confidente, diário, amigo, amante, Personal Trainer, par para jogos, uma sala de cinema, uma discoteca com todos os discos que gosto, multi-funcional e tarefa e que esteja a par de todas as mais recentes evoluções (ou quase).
Resposta B: quero receber e fazer chamadas, escrever umas mensagens, aceder ao email e ver umas galhofadas de vez em quando no youtube.
Se quem me lê estiver inserido na Resposta A, ok, vá em frente! Se achar que tem a cara da resposta B, esqueça isto e poupe muito dinheiro. Sempre são 899 euros livre de operador… ah, pois é.
Então quais são as razões para a LG nos pedir tanto dinheiro por um smartphone: pelo que dizem, o formato permite um ângulo de visualização melhor que o tradicional, perfeito para ver filmes e teclar longos textos. Por outro lado, a qualidade das chamadas é melhor porque o auricular e o microfone ficam mais próximos do ouvido e boca. Ok, posso até confirmar que estas razões são verdadeiras, mas não quero um smartphone para ver filmes, para isso e na pior das hipóteses, um tablet de 8″ será mais confortável. Para além destes dois bem definidos melhoramentos, a marca orgulha-se de apresentar uma capa traseira plástica que é auto-regenerativa, ou seja e ao fim de uns minutos, consegue fazer desaparecer riscos ou marcas. E, por estranho que pareça, a coisa funciona mesmo. Milagre?
Sendo um formato diferente do que estamos habituados, convém também alertar os interessados para a sua durabilidade. Testes foram feitos, há vídeos oficiais, e o Flex dobra-se até ficar como os telefones actuais, bem direito, para logo depois e sem pressão, retomar a sua novel curvatura. Este simples facto demonstra um trabalho superlativo no que respeita à engenharia e desenho/montagem dos componentes.
Mas, aquilo que tinha sido a grande novidade do LG G2, a colocação dos comandos no topo da capa da traseira, foi infelizmente transportada para a mesma localização neste Flex e… não dá. Tenho de fazer uma ginástica enorme para agarrar o LG com alguns dedos da mão, enquanto tento chegar com o indicador aos comandos. Um esforço complicado e uma má opção para esta dimensão de smartphone.
O ecrã
Estas extraordinárias 6″, que ao que parece é a nova tendência (no mesmo dia recebi também o Lumia 1520 com a mesma dimensão) fazem com que o Flex não passe despercebido em lado nenhum. Lembrei-me de, em tempos e quando ensaiei o primeiro dos Samsung Note, de responder às várias pessoas que não me sentia desconfortável nem com vergonha por fazer chamadas num telefone tão grande. Mas não sei porquê, senti-me constrangido com este Flex. Dá realmente muito nas vistas o que também pode ser um chamariz para senhores de índole menos positiva.
Curiosamente, a LG não dotou o Flex de um ecrã full HD, ficando-se pelas 720p, ao contrário de muitos pré-phablets (Z1, Note3, etc.). O que se passou? Na verdade, se não olharmos para as características do papel, ficamos até deslumbrados com a vivacidade colorida deste ecrã. Depois percebemos, ao ler os mesmos papéis, que a LG optimiza a imagem com a tecnologia de alinhamento dos sub-pixels, o que garante cores muito vivas e grande contraste. Funciona.
Rapidez
Equipado com um processador Qualcomm Snapdragon 800 com 2GB RAM, responde depressa e bem a qualquer tarefa. E este ecrã permite, realmente, uma pluralidade de janelas abertas e funcionais em simultâneo. Abusei um pouco quando abri cinco ou seis janelas, uma delas um vídeo a passar do Youtube e outra um outro vídeo sacado do cartão SD. Nem um engasgo.
Os 13MP da câmara são mais que suficientes para se tirar boas fotos ou até filmar vídeos com boa resolução, mas como flashgip da marca, deveria marcar pontos ao invés de ficar atrás de, neste caso, alguns concorrentes. Se bem que é difícil chegar aos limites das câmaras instaladas nos Xperia Z ou no Lumia 1020, podia ter-se feito um maior esforço qualitativo nesta área.
As Apps
A LG dá cartas neste campo. A interface é muito apelativa e faz uma boa capa para o Android Jellybean. A área das notificações é diferente do normal, dando acesso a alguns serviços únicos. A maior parte deles já se encontram no LG G2 e no LG G Pad (ensaio aqui e aqui, respectivamente), portanto vou mencioná-los mais brevemente.
O KnockOn continua a ser original e, com este tamanho de ecrã, bem útil. Como se sabe, basta tocar duas vezes no dito para acordar ou desligar o Flex. Mas não se esqueçam de criar um espaço vazio no ecrã principal para poder tocar precisamente nesse espaço. É mais directo, acreditem.
Os 16 shortcuts dão-nos acesso directo a todos os settings, com especial destaque para os Quick Memo (onde podemos tomar notas e até desenhá-las, sendo uma suite de trabalho muito prática), QSlide (acesso directo a funções básicas) e QuickRemote (este último uma mais valia fantástica que transforma o smartphone num multi-comando de todos os equipamentos electrónicos que possuímos).
Curioso é o Slide Aside que minimiza as aplicações que estamos a usar com um efeito visual engraçado e prático na utiilização. Com três dedos, abrimos ou fechamos três abas de cada vez.
Existe ainda um Guest Mode, em que podemos seleccionar um segundo interface de utilização com as aplicações e acessos que podemos pré-definir ou proibir, muito bom para uma utilização juvenil, por exemplo.
Estão presentes mais funções, muitas específicas, que serão do agrado dos utilizadores e confortáveis para quem já conhece bem os LG. E são um ponto a favor e importante para a marca… que só é ultrapassada, e falo disto devido ao tamanho do equipamento e à sua dimensão, pela suite e caneta S da rival Samsung. Aliás, a própria LG já teve um smartphone com essas características, o estranho LG VU (ler ensaio aqui) devido ao formato 4×3. Já lá estava a caneta e a génese do serviço Quick Memo, portanto, mais estranho é não apostar numa solução melhorada para este terminal. Pode ser que o Flex 2 trate desse assunto, mesmo que tenha de curvar a própria stylus.
Conclusão
Se fiquei fã dos G2 e G Pad, não me rendi ao Flex. Compreendo que seja um chamariz e um must have, mas para uma utilização profissional e prática, é demasiado volumoso sem uma mais valia evidente.
O formato curvo é uma novidade interessante que bateu toda a concorrência, um recorde e estatuto que ninguém retirará à LG, o ecrã é muito bom para quem gosta de ver filmes em formato de viagem ou para quem, como eu, escreve directamente as peças ou parte dos posts do Xá das 5. Mas, mesmo nessa função (e com a divisão automática e a meio do teclado), não me é totalmente confortável de utilizar. Mas chegou perto e a curva ajuda.
Quanto ao resto temos um smartphone todo de gama, cheio de luz e qualidade, rapidíssimo na multi tarefa, quase um tablet para umas belas horas de lazer. Tudo isto precisa, como é lógico, de uma bateria fenomenal e deixei para último esse pormenor: é que mesmo com um novo formato e fisicamente mais pequena que o normal, esta bateria da LG com 3,500 mAh é, talvez, a melhor da actualidade. Dura e dura e dura, o que num smartphone de 6″ é obra.
PVPR de 899€ sem operador.
Especificações Técnicas:
- Processador: 2.26 GHz Quad-Core Qualcomm Snapdragon ™ ® 800 (MSM 8974)
- GPU: Adreno 330, 450 MHz
- Ecrã: 6 polegadas HD (1280 x 720), Curvo P-OLED (Real RGB)
- Memória: 2GB de RAM DDR3 LP / 32GB eMMC
- Câmera Fotográfica: Traseira 13.0MP / Frontal 2.1MP
- Bateria: 3500 mAh
- Sistema Operativo: Android Jelly Bean 4.2.2
- Tamanho: 160,5 x 81,6 x 7,9 – 8,7 milímetros
- Peso: 177 g
- Rede: LTE / HSPA + / GSM
- Conectividade: BT 4.0 / Wi-Fi (802.11 a / b / g / n / ac) / NFC
- Cor disponível: Titan prateado
- Outros: 24 bit Hi-Fi, reprodução de 192 kHz








