Começo a escrever o ensaio como quando abri a caixa e admirei o G3 de uma forma mais compenetrada (já o tinha feito aquando a apresentação oficial): com muito cuidado! Afinal, este é o sucessor do LG G2 (ler ensaio aqui), o smartphone que, quanto a mim, teve a melhor relação qualidade/preço de 2013/14 e que foi realmente inovador (infelizmente, a HTC não se faz representar em Portugal e a Apple só funciona para alguns jornalistas, portanto, esses One e 5S ficam sempre de fora de uma possível avaliação ou comparação).
Agora a questão é simples: terá a LG melhorado o seu modelo de combate no topo da oferta (não considero o G Flex – ler ensaio aqui – neste campeonato, pois tem um target diferente e um preço “complicado”) ou adormecido sob os louros conquistados?

O exterior
A LG conseguiu colocar um fenomenal ecrã de 5,5” no espaço de um 5,1 ou 5,2”. E se por si só, este facto é extraordinário, o que dizer da resolução anunciada Quad-HD, ou seja, quatro vezes a qualidade de um 720p (cuidado, pois já li aqui ou acolá que é quatro vezes a resolução de um 1080, o que daria um ecrã 4K, mas fiquemos por metade desse valor, o que já é bombástico) e que garante 2560 x 1440 pixeis.
Como o corpo do G3 não tem qualquer tipo de botão nas laterais, os engenheiros conseguiram criar um invólucro cuja moldura é quase inexistente, o que faz, por exemplo, que as medidas do G3 sejam muito similares aos demais smartphones de 5”. Isto sim, é um passo em frente, pois temos na mão um ecrã maior e mais vibrante, num corpo com 146.3 x 74.6 x 8.9 mm e 149 g de peso.
Então e os botões? Para quem leu ou experimentou os equipamentos da gama G (G2, Flex e Pad 8.3) sabe que a LG colocou os botões na traseira, logo abaixo da objectiva fotográfica e flash. No caso do G3, ainda existe um outro sensor, a laser, mas já lá vamos.
Fisicamente, encontramos as duas ligações micro-USB e 3,5mm na base. Pode parecer estranho a ficha para os auscultadores ficar em baixo, mas com o ecrã rotativo esse passa a ser um não problema. Em cima temos um pequeno sensor de infra-vermelhos, também encontrado na restante gama G, e que serve para comandar os aparelhos que temos em casa, desde a TV e Hi fi ao ar condicionado. A LG continua, deste modo, a apostar na função Quick Remote e ainda bem, pois faz do G3 um comando universal de extrema utilidade.
A caixa está bem construída e a tampa traseira, de plástico, sugere alumínio escovado que lhe confere um ar mais sofisticado. Um pequeno filete metalizado faz toda a lateral do G3 que reforça esse “look”. Por mim, o G3 só teria a ganhar sem ele, mas gostos são gostos. Esta tampa é amovível, ao contrário da maior parte dos equipamentos actuais, e dá acesso à bateria de 3000 mAh (muito boa, por sinal) o que nos permite mudá-la, e às slots para os cartões SIM e microSD.
O coração
Um ecrã com esta qualidade tem de ser bem alimentado e a escolha recaiu no processador Qualcomm MSM8975AC Snapdragon 801, um Quad-core de 2.5 GHz.
O G3 menos oneroso está equipado com 2 GB de RAM e 16 GB de memória interna. Logicamente, gastando mais um pouco podemos ter o modelo com 3 GB/32 Gb. Nunca se esqueçam da enorme vantagem dos Android que é a possibilidade de aumentar a memória interna com discos microSD externos que, neste caso, podem ser de até, muita atenção, 2 TB!!! Leram bem! De qualquer forma, seria de bom tom a versão base vir com os 3 GB de raíz, pois é o que podemos já encontrar no Sony Xperia Z2 (ler ensaio aqui), para citar um adversário directo.
A Câmara
É um dos trunfos deste G3 e os resultados espantam, mesmo para quem está habituado a ter no próprio smartphone uma câmara de 20 MP. A que equipa o G3 tem 13 MP, mas está acompanhada por um fantástico sistema de estabilização óptica que funciona tremendamente bem. Muito luminosa, esta câmara tem também outro trunfo que a ajuda a captar a mais rápida das situações com focagem garantida. Como? Através do tal sensor a laser colocado ao lado da objectiva (e do flash Dual LED Auto Focus) e que permite a focagem de vários pontos em simultâneo em menos de 3 milésimos de segundo.
A focagem por laser é mais rápida e consistente e é a primeira vez que a encontro num smartphone. Os resultados são realmente excepcionais, com as fotografias a mostrarem uma qualidade invulgar, com muito brilho, uma cor realista (se bem que o ecrã a “puxe” mais que o desejado) e quase sempre focadas, mesmo que eu tenha forçado a barra com rápidos movimentos horizontais e verticais. Não há milagres, o arrasto surge, mas comparativamente com as opções que tinha ao lado, está a anos luz em termos qualitativos. Quanto a mim, esqueçam o ecrã Quad-core: esta câmara e este sistema de focagem a laser são o ás de trunfo.
Já presente no Huawei P7 (ler ensaio aqui), a câmara frontal tem muito mais qualidade que o normal (geralmente até 2 MP). O Huawei apresenta-se com 8 MP e uma série de truques para conseguir #selfies espectaculares, e o G3 segue-lhe a teoria, escolhendo um sensor com 2.1 MP HD. O certo é que é luminosa, tem uma abertura maior que o normal e permite alguns truques interessantes como o reconhecimento de voz ou movimento, como por exemplo, o abrir e fechar da mão que nos dá uma contagem regressiva até ao “click”. Podemos escolher de entre várias opções, como também certas palavras como “cheese”. Verdade!
O que interessa é que esta função é extremamente útil para a tomada de #selfies com menos equilibrismo e caretas de esforço. Bem sacado, LG!
Existem ainda alguns truques, como o Foco Mágico (altera um pouquinho a parte focada da foto, mas consegue-se melhor em diversos editores ou apps), captura dupla, modo panorama e a gravação de vídeo desde o ultraHD à super câmara lenta. Neste campo, o G3 está muito à frente de 90% da concorrência. E ganharia o pódio, não fosse existir o Xperia Z2 ou o Lumia 1020 (ler ensaio aqui). O preço também é um pouco diferente, para sermos justos, principalmente comparado com o Nokia.
Aplicações sempre em destaque
Não sendo novidade para quem leu ou experimentou um G, a verdade é que a LG manteve (e bem) a política de aposta em aplicações muito úteis e que fazem a diferença.
O Knock On continua a ser um achado e depois de utilizá-lo, é sempre difícil não replicar o movimento de acordar/adormecer o ecrã com tão simples acção. Deveria ser obrigatória em todos os smartphones!
Desta feita, a LG ainda nos permite escolher um código de destravamento do ecrã, sempre por toque, e segundo a nossa lógica: denomina-se Knock Code e é personalizável até ao tutano, se é que me faço compreender. De qualquer forma, já o tinha testado no LG L70 (ler ensaio aqui) e desliguei-o passados alguns dias. O Knock On
A minha preferida, já do G2, é o Quick Remote, ou seja, o controlo remoto universal. É facílimo de programar e funciona extraordinariamente bem.
A Quick Memo+ é uma agenda digital que permite tirar todo o tipo de notas por cima da imagem que estamos a ver. Muito útil e que serve tanto os profissionais como os curiosos. Podemos, como é lógico, servirmo-lo dele também para tomar notas com uma stylus ou com o dedo, tudo depende da necessidade.
A QSlide permite a multitarefa, assim como o Dual Window possibilita abrir duas apps em simultâneo para se poder trabalhar ou… passar tempo. Nunca compreendi muito este tipo de aplicações, pois o ecrã nunca é grande para se trabalhar bem duas coisas, mas ok, pode ser de mim e existir por aí imensa gente que até gostaria de ter quatro janelas simultâneas.
Ter a LG Health já instalada de raiz no smartphone, poupa-nos uma centena de euros na compra de uma pulseira que transmita o nosso pulsar, corrido ou suado, pois conta todas as calorias gastas, os passos dados, os objectivos de uma carreira, de o nosso banco é dos bons ou dos maus… estou a brincar, mas podemos ficar descansados. Um conselho: cuidado com o bolso onde o arrumam…
Temos ainda um conjunto de aplicações Smart: a Notice recomenda-nos o que fazer, a Tips ensina-nos alguns truques do telefone e o Keyboard permite alguma personalização e escrita deslizante, se é que alguém consegue escrever textos assim.
Existe mais segurança no Modo Convidado, e mesmo que se empreste o “brinquedo” ao júnior, as trapalhadas e trafulhices não devem passar para o cartão de crédito. De qualquer forma, estou em crer que este Modo será pouco usado, pois se eu tivesse um G3 não o emprestaria a ninguém.

Conclusão
A LG agarrou no best-seller G2 e elevou a fasquia. Optou por um ecrã muito vibrante, mesmo sob luz do sol, com muita qualidade, e numa câmara bem coadjuvada pelo fantástico estabilizador óptico OIS e pelo sensor laser que permite um auto-foco preciso num abrir e fechar de olhos. Existem opções já presentes no anterior modelo (a mesma Ram, resolução de câmara, bateria, etc.), o que, confesso, não estava à espera, mas depois penso que o G2 ainda é muito recente e, mesmo com o G3 à venda, continua a ser um equipamento muito moderno e perfeitamente à altura dos melhores.
O som podia ser melhor, para um terminal com tão boa imagem e, ao longo de um dia de intensa utilização, pode ser um pouco cansativo ter de continuar a fazer alguma ginástica para não pousar os dedos no ecrã. Como ponto negativo, destaco o aquecimento sempre desagradável aquando os jogos ou mesmo na reprodução de vídeos.
Mas é um smartphone diferente, com características que fazem a diferença e aplicações muito úteis. As teclas na traseira obrigam a alguma habituação, mas o knock-on facilita toda a operação. É rápido, fluido, transpira qualidade, é original e tem aquele factor plus que o destaca da concorrência.
Se o G2 foi uma revolução, o G3 é uma afinação desse extraordinário equipamento.
PVP (médio) versão 16GB: 550 euros (livre)
Algumas fotos (não editadas)













