Sou formado em Gamification, portanto, estou atento a tudo o que se relacione com a arte (ou manha) de monetizar um produto, marca ou informação como se de um jogo se tratasse, mas confesso admiração por quem catalogou a nova doença do sec XXI por “Zombification”, um adjectivo tão real quanto auto-explicativo.
Mas que doença é esta? Vou escrever alguns pontos e, se apontarem e admitirem um que seja, já sofrem desta maleita:
- O meu smartphone está sempre a apitar e a vibrar
- O meu smartphone nunca é desligado, nem durante a noite
- O meu smartphone continua ligado em modo de vôo quando estou no ar
- O meu smartphone tem toques diferentes para alertas do trabalho e de casa, 24/7
- O meu smartphone vai comigo para o WC
- O meu smartphone está à mão dentro do carro enquanto guio
- O meu smartphone fica colocado ao lado direito dos talheres
- O meu smartphone fica colocado ao lado esquerdo dos talheres
- O meu smartphone adormece-me e acorda-me
E por aí adiante! Em princípio, perceberam onde quero chegar com esta questão da Zombification, certo? Então, que solução existe (para além da óbvia que é desligar o equipamento)?
If This Then That
Conscientes deste problema crescente, algumas empresas apresentam aplicações que permitem programarmos certos comportamentos (EgoMotion, Atooma, IFTTT, etc.) para certos automatismos: “quando A chegar vai para B”, ou seja, quando recebermos um email este é reencaminhado para as SMS ou quando chegar ao carro, o telefone não aceita chamadas de voz (para exemplificar duas das muitas opções).
Força de vontade
É como prometer deixar de fumar ou começar a fazer exercício na passagem de ano! Até acreditamos ter força de vontade para desligar o Whatsapp ou o Twitter do Smartphone… e se calhar até aguentamos uma semana sem o serviço, mas é lógico que lhe regressemos urgentemente e com uma qualquer desculpa esfarrapada.
Assistente Pessoal
Todos temos assistentes pessoais no smartphone, com ou sem voz activa (da Cortana e Siri ao Google Now, Easily.do, Everything.me) e até, num primeiro olhar, parece que a sua utilização nos simplifica a vida, com todas as informações agregadas numa mesma aplicação. Mas, à medida que os dias passam, percebemos que não necessitamos de tantos dados informativos sobre como, o que, por, para onde estamos ou vamos. Aliás, é até distractivo, pois na maior parte das vezes recebemos as mesmas notificações nas várias Apps que temos intaladas. Uma confusão.
Efeito bola de neve
Ao que parece, há uma app que está a conseguir algum consenso: a Snowball agrupa todos os alertas no mesmo espaço e permite-nos algum tipo de personalização, mas ainda está longe da perfeição. Continua a obrigar-nos a olhar vezes sem conta para o ecrã, como zombies.
O futuro
Denomina-se “OS-evel Mindfulness“, um motor aplicativo que estará sempre a trabalhar em segundo plano, recebendo as mensagens, notificações, alertas e chamadas antes de as ouvirmos, passá-las por filtros que vão aprendendo os nossos hábitos, horários, manias, para escolher o melhor momento do nosso dia ou necessidade para nos transmitir os recados. Terá de ser 100% personalizável, responsivo, combinando a informação por níveis de importância.
Quando este motor surgir, poderemos retomar a nossa vida, as conversas com os amigos, promover a troca de informações e opiniões, sei lá… viver. E sem ocasionar problemas na coluna e nas falanges. Que tal, soa bem?






