Vermes, esses bicharocos de má fama e aspecto a condizer, sempre foram mal entendidos pela maior parte dos humanos mas paralelamente amados por uma classe de cientistas que os usam e abusam nas mais diversas experiências. Desde as sanguessugas que ensanguentavam os delírios de quem tinha febre ou outra maleita, mesmo psicológica, às aranhas radioactivas que transformam tímidos jornalistas em super heróis, que a humanidade rejeita qualquer bicho minúsculo que se arraste, rasteje ou voe: medo e nojo são os sentimentos mais comuns. Mas quando chega a vez dos vermes, medo e nojo são acompanhados por arrepios, gritos a clamar pelo divino e fuga imediata.
Mas podemos ter de mudar a nossa relação com os ditos: cientistas da NC State University estão a modificar geneticamente o verme para usá-lo no tratamento de feridas humanas. O estudo científico, publicado no BMC Biotechnology, demonstra como se conseguiu uma molécula que promove o crescimento de tecidos ao modificar-se a larva da esvoaçante Lucilia Sericata (na imagem). Estas larvas, modificadas com factor-BB (PDGF-BB), foram depois colocadas em feridas difíceis de tratar (ou regenerar) em animais de laboratório (serão ideais para tratar diabéticos que têm grande dificuldade em sarar úlceras nos pés e pernas) e os resultados foram satisfatórios, pois o tratamento desenvolveu-se de forma mais rápida.
Há uma luz lá ao fundo, sim. Os testes em pacientes humanos já foram aprovados pela FDA norte-amerciana.






