Ainda na quinta feira passada falei com um responsável pela marca em Portugal que não admitiu o encerramento da divisão Mobile da LG, mas as notícias de hoje dão como certa essa má notícia.
A LG Mobile fez as “delícias” de muitos fãs de tecnologia, sempre apostando na diferença e vanguarda até ao fim da linha, com o mais recente modelo LG Wing.

Mas na retina e na memória ficam grandes sucessos como o híbrido telefone/leitor MP3 com um nome bem doce, o Chocolate, apenas o segundo device após a estreia com o VX-9800, um formato concha com ecrã exterior e outro interior que acompanhava um teclado QWERTY.
LG Mobile: a história da diferença
A LG mediu forças com o primeiro iPhone, em 2006, ao lançar o seu primeiro telemóvel com ecrã táctil, o LG Prada, que foi um sucesso global.

Até se aventurou, e bem, em Windows Phone com uma série de modelos denominados Optimus que depois passou a Optimus G e que, naturalmente, deu lugar à gama G que sempre foi aclamada pelos inúmeros melhoramentos técnicos, alguns à frente do seu tempo, e apontados para um nicho de mercado que procurava excelentes câmaras de vídeo.

O último G da linha é o admirável G8XThinQ (ler análise) que se fazia acompanhar por um ecrã secundário para fazer a vez de um dobrável sem o ser.
Aliás, o dobrável que estava quase à porta seria um “rolável”, infelizmente uma expectativa que se gorou, principalmente porque até já se sabiam alguns pormenores como o certificado Bluetooth 5.2 e o tal ecrã em rolo de 7,4” que seria acompanhado por um pequeno ecrã exterior.
Foi também a LG que lançou o primeiro telefone com formato físico curvo e que escolheu capas de pele de aspecto fantástico que muita gente escolheu à altura.
Ainda no ano passado, o mundo viu nascer o LG Velvet (ler análise) que mostrava toda uma nova abordagem de design e simplicidade de processos. Parecia o passo certo, mas o smartphone era mais bonito por fora que espectacular por dentro e não chegou a ser o sucesso esperado.
O último topo de gama é o actual LG Wing, cujo ecrã duplo se transforma num T e que vale pela sua curiosidade e diferenciação.

O mercado: quem agarra a divisão LG Mobile?
O facto mais estranho é a marca admitir que não conseguiu vender a sua secção Mobile que vale, só nos EUA, 10% do mercado. Ainda é muito telemóvel e seria uma vendetta se a Huawei optasse pela sua compra para lançar um novo ataque com Android Services.
No mundo, a LG vale 2% o que significa que, no total, vendeu 23 milhões de unidades que, em comparação aos 256 milhões da Samsung, demonstra a verdade nua e crua.
Mas o negócio com a companhia vietnamita Vingroup gorou-se e, cá entre nós, talvez pelo melhor.
As notícias também não são boas para a continuação do desenvolvimento de updates. Sem a divisão a funcionar, o tempo acabará por ditar a sua lei. E mesmo o desenvolvimento do seu próprio sistema operativo, o LG OS, poderá sofrer consequências, o que pode beliscar outros produtos.
Talvez seja uma boa oportunidade de encontrar um Wing ou um G8 ao preço da chuva. Eu, pelo menos, vou tentar.
O futuro da LG
O dinheiro poupado na divisão mobile, assim como os técnicos e instalações, irão reforçar o crescimento das áreas como componentes para veículos eléctricos, smart devices, robótica e domótica, inteligência artificial, B2B e plataformas de serviços.
Mas talvez seja o desenvolvimento da rede 6G que está na mira dos responsáveis pela marca.
Enfim, é uma má notícia, para ser franco. Sempre fui fã da marca e das suas “loucuras” e diferenças.






