
Mark Zuckerberg (de permanente na imagem), CEO da Meta, voltou a disparar contra a Apple durante uma entrevista no irascível, tendencioso mas famoso podcast “The Joe Rogan Experience”.
A conversa abordou o actual estado da indústria tecnológica, com Zuckerberg a expressar descontentamento em relação à falta de inovação da Apple e às suas práticas comerciais, nomeadamente as políticas restritivas da App Store.
Apple: Uma Inovação Estagnada?
Segundo Zuckerberg, a Apple tem-se apoiado demasiado nos sucessos do passado — especialmente no iPhone, que foi revolucionário quando Steve Jobs o apresentou ao mundo em 2007.
No entanto, o líder da Meta sugere que, desde então, a empresa de Cupertino tem falhado em apresentar avanços verdadeiramente disruptivos: “Eles vivem da herança de Steve Jobs”, insinuou Zuckerberg, apontando que a Apple parece estar mais focada em manter o controlo absoluto do seu ecossistema do que em promover inovação.
Uma das críticas mais contundentes dirigiu-se à taxa de 30% que a Apple cobra em transacções realizadas através da App Store. Zuckerberg considera esta prática prejudicial para os criadores de conteúdos e, naturalmente, para plataformas como o Facebook e o Instagram, que dependem de publicidade e micro-transações.
O Dilema da App Store
A política da App Store é um ponto sensível para diversas empresas tecnológicas. Para a Meta, que gere aplicações utilizadas por milhões de pessoas diariamente, a percentagem cobrada pela Apple representa um obstáculo significativo.
Zuckerberg sublinha que, sem essas “regras arbitrárias”, a Meta poderia aumentar consideravelmente os seus lucros.
Além disso, o CEO da Meta acusa a Apple de limitar a concorrência, ao manter um ecossistema fechado e impor condições rigorosas aos programadores que queiram disponibilizar as suas apps no iOS.
Mudanças Radicais na Meta
Curiosamente, enquanto critica a Apple por falta de inovação, Zuckerberg lidera uma das maiores transformações da história da sua própria empresa. A transição do Facebook para a Meta marcou uma aposta ambiciosa no metaverso, um conceito ainda envolto em muita especulação e incerteza.

A Meta tem investido milhares de milhões de dólares no desenvolvimento de tecnologia de realidade virtual e aumentada, incluindo os óculos Quest e as interfaces neurais.
Este foco em experiências imersivas demonstra que Zuckerberg está disposto a arriscar e a apostar em novas áreas, mesmo que isso implique enfrentar críticas e desafios financeiros.
Por outro lado, esta estratégia também tem sido alvo de críticas, com muitos analistas a questionarem se o metaverso será realmente o futuro da internet ou apenas uma moda passageira.
Apesar das dúvidas, Zuckerberg acredita que a integração entre o mundo físico e digital será inevitável, com as tecnologias Wearable a desempenharem um papel fundamental.
Apple vs. Meta: Uma Rivalidade em Crescimento
A relação entre Apple e Meta tem-se tornado cada vez mais tensa, especialmente depois de a Apple ter introduzido medidas que afectam o rastreamento de dados nas suas aplicações.
Esta mudança impactou directamente o modelo de negócio da Meta, que depende fortemente de dados para a segmentação publicitária.
Ambas as empresas têm visões diferentes sobre o futuro da tecnologia. Enquanto a Apple parece focada em dispositivos premium e na protecção da privacidade dos utilizadores, a Meta aposta numa visão mais aberta e interconectada, onde as experiências digitais e físicas se fundem.
Conclusão: Inovação ou Controlo?
As críticas de Zuckerberg à Apple reflectem uma disputa mais ampla sobre o rumo da indústria tecnológica. Enquanto uma parte defende ecossistemas fechados e controlados, outra aposta em experiências mais abertas e inclusivas.
No meio desta guerra de gigantes, os utilizadores continuam a ser os principais afectados pelas decisões tomadas pelas grandes empresas. Resta saber quem estará melhor posicionado para liderar a próxima revolução tecnológica: a Apple, com o seu foco em privacidade e controlo, ou a Meta, com a sua visão do metaverso e das interfaces neurais.
Uma coisa é certa: enquanto Zuckerberg e Tim Cook continuarem a ter opiniões tão divergentes, a rivalidade entre estas duas gigantes estará longe de acabar.





