A Asus, juntamente com a extinta divisão mobile da LG e os Xperia que se deixaram de vender por cá, é das poucas marcas que ousa a diferença num mundo pontuado por smartphones quase idênticos e de marcas que têm submarcas e o Asus Zenfone 9 é o mais perfeito dos exemplos.
Não me levem a mal, mas estou farto de ver sempre a mesma caixa em que o que muda é o nome num mundo em que se conhecem de cor os modelos que são realmente diferentes, como os dobráveis da Samsung, OPPO e Motorola.
E por falar neles, considerei ainda colocar como adversário do Zenfone 9 o fantástico Samsung Flip4, mas uma coisa é ser compacto com o form factor tradicional, outra é ser um dobrável.
A Asus, para além dos gaming phones, tem apresentado soluções engenhosas, como a câmara basculante no modelo 6 e 7 e, felizmente, uma alternativa mais em conta na fórmula do compact phone. O modelo basculante desapareceu na nona geração e a aposta foi emagrecida até ao limite.

Asus Zenfone 9, o rei dos compactos
E é exactamente esta a grande novidade do Zenfone 9: o seu tamanho. Quem diria?
Com um ecrã Samsung AMOLED de 5.9” de formato 20:9 e qualidade 2400 x 1080 pixels, tem varrimento a 120 Hz, certificação HDR 10 e HDR10+ e protecção Corning Gorilla Glass Victus.
O Zenfone 9 tem a função ecrã Always-On em que podemos escolher diversos parâmetros para nosso bel-prazer.

Este ecrã de 5,9” faz com que tudo o resto tenha sido pensado com grande inteligência e, posso mesmo dizer, que considero esta máquina um assombro de engenharia.

Sim, a Apple tem o mini… mas é Apple. E a Sony tem o novo Xperia 5 mark IV, mas não se vende por cá. Até a Google tem o Pixel 6a, mas é maior e mais pesado (e não tem 5G em Portugal).
Portanto, o Zenfone 9 é o actual rei dos compactos medindo 146.5 x 68.1 x 9.1 mm e não chegando às 170 g.



Potência ao rubro
A versão que me calhou para análise é a topo de gama com processador Qualcomm Snapdragon 8+ Gen 1, 16 GB de RAM e 256 GB de memória interna. Uma pequena bomba!
O pequeno corpo também inclui uma bateria com 4300mAh com carregamento a 30W, duas câmaras principais e, muita atenção, uma tomada minijack 3,5mm que, só pela sua presença, catapulta o Zenfone 9 para o topo das minhas preferências de 2022. E ainda falta o resto.

As mais valias imediatas
O pequeno corpo está revestido por um material aveludado, perfeito para evitar dedadas. Mas, confesso, coloquei-lhe a excelente capa protectora desde o primeiro minuto, que também está muito bem desenhada.
O som, com duas colunas estéreo e processamento Qualcomm WSA8835 smart amplifier, tem até alguma pujança, mas só a partir dos 50% para o topo. Não esperava tanto de um corpo tão compacto e foi uma agradável surpresa.
Temos ainda acesso a uma app da Asus – Dirac HD Sound – que permite a melhor equalização para o ambiente que nos circunda, mas é a tomada mini-jack que me faz sorrir!
Finalmente, um topo de gama com ela (à venda em Portugal). Não imaginam o jeito que me faz, a mim e a todos quanto usam o telefone para mais do que tirar selfies ou ver tiktokes.
Esta entrada serve também para lhe conectar um microfone externo para trabalho profissional (e a câmara vídeo 4K possibilita algum), mas o Zenfone 9 está equipado com microfone duplo com tecnologia OZO Audio Noise Reduction para permitir conversas com excelente som e pouco ruído ambiente.

As câmaras
A unidade frontal é quase perfeita para vlogging, pois grava a 4K / 30 fps com grande pujança de cores e texturas bem definidas.
A gimble incorporada permite andar e falar com o mínimo movimento do enquadramento o que é de louvar.
Contudo, reparei que por vezes, com tudo isto ligado, a focagem perde-se entre o sujeito e o segundo plano, não sei bem à procura do quê. Um tap “to focus” e a volta ao normal.
Coisa boa: podemos alterar a filmagem para ângulo ultrawide mantendo as condições referidas, o que é óptimo para conseguir abarcar mais fundo com pessoas ou paisagens.


Não se esqueçam, e vou frisar sempre esta benesse, que podemos usar esta ferramenta visual com a gravação de áudio profissional devido ao mini-jack.
Quanto às câmaras principais, cujas características podem ver em baixo, tenho um misto de resultados: com boa iluminação os resultados são francamente bons, com o HDR a funcionar em pleno.
Mas se escurece, notei que se perde algum detalhe, principalmente quando fazemos um crop. Existe ainda alguma saturação e nota-se que a AI faz algum trabalho, por vezes, demasiado, o que se nota na sobreexposição de alguns detalhes.
O modo nocturno é, por outro lado, muito consistente e permissivo, conseguindo ver alguma coisa no escuro e tratar a imagem com alguma qualidade. Mas cuidado com os detalhes, pois existe algum grão que não passa despercebido.
Os grandes destaques vão, naturalmente, para o Estabilizador Híbrido Gimble de seis eixos, os sensores Sony, a possibilidade de fotografia Macro, o HDR e o formato RAW.
Câmaras:
Traseira: 50 MP f/1.9 + 12 MP f/2.2
Frontal: 12 MP f/2.5

O botão deslizante
O Zenfone 9 tem algumas características únicas. Por exemplo, o botão on/off tem mais duas funções: serve como sensor ID e também, passando o dedo para cima ou baixo, abrir o menu das notificações.
Se como sensor é fenomenal, já se torna um pouco chato na função mais original, pois acabamos por dar toques inadvertidos e perder algum tempo a desfazê-los. Na verdade, optei por desligar a função.
Outro gimmick é dar dois toques na traseira, com o dedo indicador, para, por exemplo, ligar e desligar o flash ou outra função que programamos. Dá jeito e não chateia.



Concluindo
Não tendo experimentado o Sony Xperia 5 mkIV, o Pixel 6a ou o iPhone 13 Mini, é difícil comparar os “foguetes” compactos do ano.
Mas este Zenfone 9 encheu-me as medidas e posso, com a ressalva acima, declarar que é o compacto do ano.
Aliás, vou ainda mais longe, pois pode muito bem ser o smartphone do ano, principalmente para quem, como eu, começa a estar farto de transportar tijolos para todo o lado.
Tem características surpreendentes, principalmente para o tamanho, como uma boa bateria, o mais recente processador, Ram e memória mais que suficientes (na versão topo), boas câmaras com um óptimo gimble incorporado (faltará uma lente zoom) e, claro, a entrada mini-jack que, só por ela, leva-me a considerar gastar tanto dinheiro num equipamento que será ultrapassado na próxima geração.
A Asus está de parabéns, mesmo tendo deixado cair a versão maior com câmara basculante. Pode ser que ainda apareça.
Mas, resumindo, o Zenfone 9 tem a minha cara e dou-lhe 8 estrelas em 10 porque o preço é realmente um problema.

Preço (actual)
Cerca de 800€ (na loja online)







