Num recente fim-de-semana, marcaram-me uma reunião no norte de Portugal e perguntaram-me se queria ir de comboio, uma viagem sossegada e mais ou menos rápida. Na mão tinha a chave do Peugeot 408 GT, azul como o céu, bonito que se farta e respondi: não, prefiro pagar gasolina e portagens e demorar algum tempo a carregá-lo só para admirar as linhas deste estupendo familiar. Acham que fiz mal?

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O Peugeot 408 GT tem GPS mas “perdi-me” várias vezes

E a razão é apenas uma: o micro volante com que a marca equipa os seus modelos, o quadrante digital tridimensional informativo, o conforto absoluto e uma motorização mais que adequada, “obrigaram-me” a escolher rotas alternativas só porque sim, tal é o prazer de condução num automóvel que foi feito para a estrada e que nos envolve com um soberbo equipamento de som assinado pela FOCAL (factor wow).

Este automóvel respira design por todo o lado, das ópticas ao volante, dos bancos ao spoiler, da grelha às jantes, tudo foi pensado ao pormenor para cativar todos e mais alguns.

Motorização mais que eficaz (na versão de entrada)

O modelo que me calhou é o híbrido Plug-in de 180 vc, o modelo de entrada (existe outra com 225 cv) que nesta cor Azul Obsession com jantes de 20”, grelha frontal dedicada, faróis LED, algumas protecções plásticas que convidam a uma aventura fora da auto-estrada, pois a altura ao solo merece destaque, mas também outros elementos distintos como as “orelhas de gato” que são o aileron traseiro e têm a dupla função de aerodinâmica e esconder as dobradiças do portão, ao irreverente e complexo interior com o famoso i-Cockpit.

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O motor térmico PureTech a gasolina tem 150 cv ajudado pelo motor eléctrico 81 kW (110 cv) integrado e a caixa automática e-EAT8 com oito relações bem escalonadas para um carro que convida a longas maratonas.

Há muitas ajudas à condução, como é normal neste gama de automóveis, algumas mais intrusivas que outras, mas todas com o dedo a apontar à segurança máxima em qualquer situação. Podemos, naturalmente, desligar algumas para termos mais controlo sobre o carro, se assim o desejarmos.

Os três modos de condução (eléctrico, híbrido e desportivo) alteram o comportamento geral de acordo com a legenda, sendo mais ou menos poupado se pisarmos mais ou menos no pedal. Garanto que é fácil ser apanhado pelo radar a uma velocidade excessiva, tal é o conforto e a insonorização a bordo. Fica o aviso.

Uma das grandes vantagens é que o consumo é comedido para todo este peso, portanto, esta motorização pode muito bem ser a mais equilibrada da gama. Com cuidado moderado, um depósito levou-me a Ílhavo e trouxe-me de volta. A electricidade ficou nas voltinhas à Terra Nova que foram mais ou menos uns 50 km.

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Nunca o i-Cockpit foi tão envolvente, mas…

Confesso-vos que ficou deveras difícil a reabituação ao meu próprio carro depois de uns dias ao volante deste 408 GT. Parece que nem a posição de condução, a altura do volante e a distância do mesmo em relação ao tablier eram aquelas que deixei como memória e que me acompanham há anos.

O interior do 408 GT é muito atraente e tem qualidade a jorros. Não sei se os plásticos irão aguentar 10 anos, mas o que me importa num carro de análise é entender o conceito, saber se é fácil de usar e, acima de tudo, se conseguimos chegar a todas as funções de modo automático passados os primeiros dias.

Aqui, confesso, que o i-Cockpit merece uma nota diferente: visualmente é fantástico mas, pela primeira vez, demorei um par de dias a perceber toda a dinâmica informativa, pois é muita, e em ambos os níveis, pois que a Peugeot aposta num formato tridimensional, ou seja, com quadros em cima de outros quadros no… quadrante principal.

Primeiro estranha-se e depois entranha-se, como a célebre publicidade imortalizou, e na verdade, passados os dias de ensaio, já estava mais que habituado a ler de relance toda a informação disponibilizada.

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Este conceito faz com que o volante tenha dimensões mínimas, recortado em cima e em baixo, parecendo um qualquer elemento de um super-carro de corridas. Mas na verdade, o posicionamento do quadrante e miniaturização (que já vem de anos anteriores) obrigam a este desenho para podermos ler as informações de forma mais facilitada. Quanto a mim, que sou de estatura mediana com os meus fabulosos 170 cm, a coisa até que funciona, mas para quem é mais baixo é capaz de ser problemático.

De qualquer forma, adoro este volante e, numa opinião muito ousada, quase que vale a pena comprar um Peugeot só por causa dele.

Ao centro do tablier temos um tablet com dimensões generosas e em formato 21:9, táctil, e que nos dá toda a informação detalhada sobre música, rádio, mapa, climatização, etc. Podemos emparelhar facilmente o nosso Android ou iPhone para ouvir as nossas playlists e usar as aplicações de que gostamos.

Como carrão tecnológico, temos recarregamento por indução, várias entradas USB (uma C e duas A).

Por baixo do ecrã estão colocadas duas linhas de comandos, ao centro a caixa de velocidades, modo de condução, start/stop e travão de mãos eléctrico, tudo à semelhança do seu irmão quase gémeo Citroen C5 X.

Ler análise Citroen C5 X

Vida a bordo

Existe muito espaço para condutor e passageiros. Afinal, este carro é bem grande, largo e comprido. Super confortável, todos os passageiros são mimados por ar condicionado, ligações USB, e grande qualidade sonora.

A bagageira, visto que tem um “andar” para guardar todos os cabos e carregador mais a ferramenta básica, não é deslumbrante mas mesmo assim tem 454 l, sem rebater os bancos, o que dá e sobeja para a bagagem de quatro ou até cinco adultos.

Concluindo

Vou ser muito rápido na conclusão desta apreciação: quero um tal e qual!

Preço Peugeot Plug-in Hybrid 180 cv e-EAT8 GT

49.200€ (versão ensaiada)

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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