Estamos perante o melhor microfone de condensador do mercado no que respeita à comunhão qualidade versus preço. O Rode NT1 5TH (quinta geração) tem na caixa alguns “autocolantes” que resumem todo o seu enorme potencial: ligação Dual Connect (dupla XLR e USB-C), gravação 32 bit float (digital output flutuante), Revolution PreAmp, cápsula de 1” banhada a ouro e uma garantia de 10 anos, sim, uma década!

Análise Rode NT1 5TH

A caixa pode ser adquirida com kit, que inclui um stand, ou sem o dito. Temos direito a um cabo XLR de cor vermelha e com seis metros de comprimento, para além de um cabo USB-C para USB-C muito robusto de metro e meio. Continuando na aventura, temos um Pop-Filter e um shock-mount (aranha) que tem adaptadores para tripé. Para além do microfone, temos também direito a uma bolsa de tecido.  

Preparados? Vamos a isto!

Rode NT1 5TH, uma quinta geração excepcional

O Rode NT1 é já um dos microfones de condensador mais usados por quem trabalha em estúdio para realizar gravações de voz e captar com precisão muitos instrumentos musicais, e isto desde 1991. É um microfone com garra, pujança e muito bem definido. É também grande e algo pesado, portanto, convém ter um braço oscilante de grande qualidade ou um tripé fixo para maior conforto.

A quinta geração (5th) apresenta-se em duas cores: prateado ou preto, e foi este último que me calhou para análise. Aliás, as cores vêm até mencionadas na caixa (NT1 5TH Generation BLACK) o que dá logo “aquela pinta” que o diferencia dos demais.

Mas não é a cor nem o corpo, quase idêntico às gerações anteriores, que o transportam para o topo da montanha: a gravação 32 bit Float Digital é o garante desse percurso porque, como já em cima frisei, faz com que este Rode passe para um patamar muito acima da concorrência directa.

Análise Rode NT1 5TH

Gravação

Se optarmos pela conexão USB-C directa para o computador, podemos e devemos usar a aplicação Rode Central que nos abre um menu de configuração, como a actualização de firmware, e o Audio Setup com os sub-menus em que podemos definir o ganho por dB, e os processadores digitais já típicos da marca australiana: profundidade, claridade, ataque (Depth, Sparkle e Punch) e a opção avançada para abrir o menu APHEX que nos permite ligar e alterar as definições do Compressor, Noise Gate, High-Pass Filter e o Exciter (que envolve o Big Bottom e o Audio Exciter).

Só por aqui se vê a potencialidade criativa que este novo Rode nos permite por ter a ligação USB-C que marca grande parte da evolução do mais famoso dos microfones australianos.

Já a ligação XLR permite juntar o NT1 a toda uma panóplia de mesas de mistura, gravadores digitais e demais complementos que sirvam para captar e gravar som através desta conexão.

Análise Rode NT1 5TH

32-Bit Float Digital output

É uma tecnologia que utiliza múltiplos conversores digitais, combinando o output de todo o conjunto para um bitstream 32-Bit Float (flutuante). Isto significa que se capta todo o sinal gravado pela célula do microfone sem qualquer obstáculo, seja uma gravação quase surda, até à mais alta gritaria.

Este Rode NT1 5TH GEN é, por tudo isto, mágico! E já explico, mas antes quero também mencionar que tem um nível de operação com um nível extremamente baixo, apenas 4dBA, que nos vão ajudar a perceber o poder de gravação em ambientes profissionais, ou seja, estúdios de som.

Basicamente, o que isto significa é que este é um microfone Plug & Play (ao invés de “Plug & Prey”), ou seja, basta ligá-lo a qualquer modo de gravação e começar a gravar, tanto voz como instrumentos, sem qualquer preocupação em colocar os níveis antes da redline. Não é necessário definir o nível, o volume ou ganho do microfone, pois tudo vai ser gravado como se fosse, em termos de fotografia, em RAW, se me faço compreender.

Análise Rode NT1 5TH

No menu áudio do computador, convém escolher o NT1 como fonte para depois escolher uma das muitas fórmulas de captação, dos 24-bit inteiro a 48,0 KHz aos 32-bit Flutuante a 192,0 KHz.

A 32-bit flutuante, a gravação é “inclipável”, ou seja, nunca fará clip no seu máximo, por muito que gritemos e que o som entre em distorção severa aquando a gravação, pois esta é feita em todo o alcance dinâmico do áudio. Basta normalizar a secção (-1dB) que queremos alterar e, como por magia, a informação surge correcta e brilhante.

O mesmo se consegue quando sussurramos ao NT1 5TH. Convém, claro, fazê-lo no mais puro dos silêncios, pois ao normalizar o som vamos também aumentar o nível dos ruídos captados. Mas como por milagre, não há Hiss, não há ruído ambiente. É ouvir para crer!   

Logicamente que, para se conseguir este nível de excelência, é necessário um microfone de grande qualidade, pois não há milagres. Portanto, é todo este conjunto que faz o milagre: o NT1 5TH tem um noise floor excepcionalmente baixo de apenas 4 dBA o que faz dele o microfone de condensador de estúdio mais silencioso deste mundo e arredores.

Análise Rode NT1 5TH

Concluindo

O Rode NT1 5TH é o microfone perfeito, pois grava com segurança toda a qualidade desde o som mais suave e baixo, ao mais alto e forte. É também um microfone de grande amplitude, perfeito para voz, mas também para muitos instrumentos.

A gravação 32-bit Float (flutuante) é revolucionária e permite que este Rode esteja apto para lidar com todos os excessos, principalmente em ambientes mais profissionais.

A conectividade dupla faz dele o microfone a ter tanto para ser usado por computadores ou gravadores digitais, como em estúdios profissionais.

No entanto, há que ler o manual (online) para consultar a lista dos DAW compatíveis com este addon. Por exemplo, os dois que uso normalmente (Audition e Audacity) não estão preparados para esta nova aventura e tive de usar o Reaper (e perceber como funciona em pouco tempo) para gravar a minha voz para conseguir os resultados que escrevi.

Mas usar o Reaper não é nenhum problema e em poucas horas estamos aptos a fazer tudo o que conseguimos com os DAW que nos são familiares.
Portanto, todos deveríamos ter um Rode NT1 5TH!

Preço Rode NT1 5TH

Entre 260 a 290€ (lojas portuguesas dependendo da cor Silver ou Black)
(Logicamente que merece este selo e já está reservado ali um espaço na prateleira dos microfones para o Natal).

selo Xá das 5

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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