A segunda aventura dobrável da Samsung é um telefone em formato concha. Tem até alcunha em Portugal e é uma peça soberba!

O Galaxy Z Flip é o segundo dobrável da Samsung e, porventura, o que mais foi notado. Não me interpretem mal: o Fold que usei durante um mês ficou-me no coração, mesmo que lhe tenha tecido críticas em relação ao tamanho do ecrã exterior e do peso elevado. Mas transportar um tablet no bolso é qualquer coisa de fascinante, mesmo que dobrado ao meio. Já o carinhosamente apelidado por “Zé Filipe” é todo um outro conceito, muito mais de acordo com um público ávido pelo último grito tecnológico. Vamos a ele?

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Dobra e faz click… e ganha claque

Começo a análise com uma curiosidade: estava a participar num programa NewTV quando mostrei o Z Flip à câmara e falei sobre ele uns segundos, mencionando o estado actual da tecnologia e arquitectura e, muita atenção, fechei-o para se ouvir o distinto click.

A seguir a mim entrava para a reportagem em directo a maravilhosa Nina Miranda (que muitos de nós conhecemos com o projecto Smoke City) e a primeira coisa que disse foi querer um telefone daqueles pois o som que faz ao fechar lhe permitia fechar-se ao mundo. E ela tem muita razão, daí que este click passou imediatamente a ter uma claque.

E não vou mentir: há qualquer coisa que agrada ao tico e teço quando fechamos o Z Flip. O claque funciona, garante-nos qualquer coisa física, um término de uma conversa, um ponto final. É muito interessante, concordam?

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Abrir, fechar

E já que estou neste campo, aproveito já para falar da dificuldade que é abrir o Z Flip com uma mão. É verdade e pode até proporcionar um azar em forma de queda. E se não é fácil para uma mão masculina, deverá ser impossível para outra mais pequena. Dei por mim a relembrar o botão físico que abria a tampa do Nokia 8110 (sim, o que apareceu no Matrix) e a pensar que seria fantástico se a Samsung nos facilitasse o movimento num próximo Flip.

Mas se é difícil abri-lo, é bem mais fácil fechá-lo. Não sei quantas vezes o fiz, mas demorei umas três semanas a devolvê-lo à marca, o que me deu muito tempo para perceber que todo o mecanismo é sólido e merece um aplauso. E como novidade que atrai, muitos amigos e amigas quiseram experimentar abrir e fechar e todos ficaram convencidos.

Mesmo em relação ao vinco da dobra do ecrã, que poderia ser um problema, passou quase despercebido à maior parte das pessoas. Sim, fiz o teste. E quando mencionava, alguns foram certificar-se com o dedo para realmente concluírem que essa dobra não é, de todo, um problema.

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Características

O que mais salta à vista no Z Flip é a ausência de um ecrã externo. Quer dizer, de um BOM ecrã externo. E faz falta, muita falta, pois o existente é minúsculo, quase apenas informativo, e somos obrigados a abrir o Z Flip para ver uma simples mensagem devido à notificação que nos alerta.

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Notificações

Este pequeno ecrã exterior também serve para, enfim, tirarmos selfies. E se por um lado podemos contar com a dupla câmara principal para óptimos resultados fotográficos, já o enquadramento que vamos conseguir é mais ou menos ao calhas, pois só temos uma pequena tira horizontal para, pelo menos, ficarmos dentro do boneco.

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Pequeno ecrã para uma selfie

Mas nem tudo é mau: há algumas facilidades como abrir e fechar a mão para accionar o obturador à distância que serve as selfies de grupo. É cool e útil.

Quero ainda salientar que o botão on/off é também o sensor ID e que está colocado lateralmente, por baixo do botão de volume, o que desde sempre (a começar pelos Xperia da Sony) faz todo o sentido. É o local ideal para o ter pois é onde o polegar toca.

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O ecrã e o que a caixa que o protege

Só posso dizer que é fantástico. Há a guerra opinativa sobre a questão se é de vidro ou plástico mas, na verdade, isso não me interessa quando tenho uma imensa qualidade, muita cor e brilho que em nada fica a dever à maior parte dos topos de gama. Se tem uma ligeira camada de vidro ultra fino que permite ser dobrado, ainda bem. É agradável ao toque (melhor que os actuais X da Huawei e Fold da própria marca) e é essa melhoria que, afinal, me interessa.

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Este ecrã está protegido contra riscos e poeiras, assim como houve esse reforço no mecanismo de rotação, e isso nota-se com o pouco acumular de detritos e sujidade no interior. Logicamente que não há milagres esse pó é acumulado na ficha USB-C, a única ranhura exterior desde Z Flip (para além da coluna monofónica).

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Sensor ID

O acabamento da caixa é um terror! Muito brilhante e em vidro, a cada toque fica com a impressão digital marcada. É um íman para poeira e qualquer coisa que ande no ar. Felizmente, dentro do pacote vêm duas tampas de protecção em plástico transparente que, confesso, estiveram montadas 95% do tempo e não só para efeitos de protecção como também de… limpeza. Estranho, não é?

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Operação em “cadeira”

Confesso que me fui rendendo aos poucos às características únicas deste smartphone e quanto mais o usava mais importância dava às opções (escondidas) com que os engenheiros o brindaram.

A mais importante é a possibilidade de poder “sentá-lo” meio aberto na mesa. Se estivermos num chat, ele automaticamente divide o ecrã em dois para vermos em cada metade um dos intervenientes. Também podemos estar a ver um vídeo em cima e a escrever mensagens na parte “deitada”. Enfim, é um potencial para uma utilização bem eficaz e que não necessita de stands ou apoios, o que nos liberta de acessórios.

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Concluindo

Não vos quero deixar uma lista de características técnicas, para isso existe o site oficial. E também não vos vou maçar com qualidades fotográficas, pois o Z Flip é decalcado de outros Galaxy e, muito sinceramente, quem vai comprá-lo vai fazê-lo pela diferenciação e originalidade.

E é neste campo que o Z Flip bate tudo e todos. Na mesma altura chegaram-me para análise outros smartphones, incluindo o poderoso S20Ultra da marca, mas não consegui deixar de usar o Z Flip diariamente.

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Posso pensar que tem a ver com saudosismo, pois tive tantos telefones em formato concha (inclusive dois RAZR da Motorola que tem um dobrável que clama pela nossa atenção, mas que não chega nem chegará às nossas mãos) que esse conforto me atrai.

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Mas na verdade, acho que este é o form factor a ter em conta para o futuro. Podemos contar com um ecrã comprido e de grande qualidade, mas enquanto dobrado, cabe em qualquer bolso. Ainda é pesado e “grosso”, mas isso com o tempo vai ser limado assim como é necessário um ecrã externo maior que nos permita usar o Z Flip para várias operações e consultas sem ter de abri-lo.

Aposta ganha, Samsung! Aguardo o Z Flip II e III a preço mais em conta para poder vir a ser um companheiro pessoal.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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