Gosto de colunas sem fio, são-me úteis, vão comigo para todo o lado, e algumas permitem-me ter uma boa, quando não, excelente qualidade sonora. Mas eis que me chegou a Sonos Roam e o mundo quase veio abaixo. Vou explicar porquê.

Análise Sonos Roam

Sonos Roam, pequenina mas cheia de si

Esta Sonos Roam é pequena (168 x 62 x 60 mm), não muito leve (430 g) e está disponível em preto ou branco (existem mais cores noutros mercados). Para quem gosta de chatear quem está ao lado numa piscina, aponto a certificação IP67 que permite um mergulho até um metro de profundidade durante meia hora. Nada de novo, portanto.

A bateria dura 10 horas, um pouco abaixo da média, e pode ser carregada por cabo USB-C ou magneticamente se quisermos gastar ainda mais dinheiro num carregador da marca.

Análise Sonos Roam

Conectividade

Para quem tem um ecossistema Sonos, esta Roam integra-se facilmente, mas também pode ser uma excelente solução para quem usa produtos Apple, pois assina por baixo o protocolo AirPlay 2.

Atentem à simplicidade: carregando no botão que está ao lado da entrada USB-C, basta um toque para ligar a Roam, um toque prolongado para entrar em modo de emparelhamento e dois toques rápidos para desligar. Mas há mais:

Power: liga e conecta via Bluetooth;

M: alterna entre o modo de equalização 3D e o boost no grave;

Play/Pause: diversas funções diferenciadas

1 toque: toca ou para a música;

Pressionando: conecta a Roam com outras colunas Sonos;

2 toques: avanço de faixa;

3 toques: retrocesso de faixa;

– : reduz o volume da faixa ou retrocede;

+: aumenta o volume da faixa ou avança;

Ícone do microfone: com a luz ligada, acciona a assistente pessoal e o modo Trueplay.

Para completar, a Sonos Roam possui duas luzes LED na sua parte frontal. A do topo dá avisos em relação à conectividade e a do rodapé informa sobre a bateria.

Análise Sonos Roam

Logicamente que podemos emparelhá-la por Bluetooth a todos os equipamentos que o permitam, assim como ligá-lo ao WiFi lá de casa. Uma coisa boa é que alterna automaticamente entre uma ou outra memória (ou opção) quando percebe que está dentro de casa ou em grande festarola no jardim.

Existe todo um ecossistema Sonos que permite a integração quase automática e imediata dos seus equipamentos, sincronizando-os em multiroom, por exemplo. Mas a Roam tem uma novidade que é passar a reprodução dela para uma coluna maior (ou sistema de colunas) de forma muito rápida, pois só temos que carregar no botão Play. Infelizmente, não pude experimentar esta realidade, pois não tenho produtos da marca.

Mas o que podemos e devemos é baixar a App Sonos para, através do telemóvel, abrir ou aceder às contas nas várias plataformas de streaming.

Análise Sonos Roam

A App Sonos e a interacção

Pois que tenho que falar disto: a Roam tem um microfone embutido que nos permite falar com a coluna de forma directa, mas enquanto é possível aumentar ou baixar o volume, pedir para tocar uma música específica já é bem mais complicado: calhou-me uma mensagem “desculpe, mas estamos a ter problemas na conexão com o seu provider”. Ora bem, qual deles, se assino vários serviços? Hey Sonos, explain that! “Ok, Sonos voice Control isn’t available for that… bla bla bla, please try again later”. Nada, e fiquei-me por aqui. Esqueci-me de mencionar que toda a conversa é feita em inglês.

Mas pronto, através da App da Sonos no telemóvel, a coisa funciona como é expectável e é através dela que podemos comandar, escolher, etc., mas atenção: é obrigatório usar a App Sonos! E este é um pau de dois bicos: não é má, até permite criar playlists misturando músicas de vários serviços, mas deixamos de poder ver as letras e os vídeos apresentados em backstage na App da Spotify, ou em qualquer das demais. É, convenhamos, chato.

Ah, mas termino esta secção com uma nota positiva: é possível ouvir estações de rádio através desta App.

Sonos Roam, um trovão acústico que precisa de companhia

No que diz respeito à qualidade sonora, a Sonos apresenta um som apelativo e cheio de graves. A voz do assistente é profunda e alta e, mal a ouvimos, esperamos que a reprodução musical continue essa experiência.

No entanto, ao reproduzir as primeiras músicas, é perceptível que a Roam não consegue lidar com as subtilezas que alguns estilos musicais oferecem. Durante a reprodução, tornou-se evidente um certo empastelamento nas músicas mais atmosféricas em que as nuances e as diversas camadas se sobrepõem. É aqui que percebemos que a Sonos Roam é uma coluna…. Mono! E sim, este é um problema particular porque, como mono, tem grande e alto som, como um trovão. Mas a música tem sempre dois canais, o esquerdo e o direito, e por conseguinte, será necessário investir uma bela maquia para comprar duas Roam para ter o efeito qualitativo pretendido.

Análise Sonos Roam

Na pop/rock o resultado é bem menos dramático, com os médios a dar boa conta de si enquanto o gravão até faz estremecer a mesa onde a pousamos. Mas cuidado com as alturas, pois a partir dos 70 a 80% do volume, os agudos começam a ficar estridentes o que se torna incomodativo.

Não sei bem explicar esta Sonos Roam. Parece excelente a todos os níveis mas depois vai mostrando pequenas falhas aqui e ali, o que até podia deixar passar se não fosse o preço que ronda os 200€. E é aqui que começamos a olhar para o lado e perceber que existe todo um mundo sofisticado (e em stereo) de algumas marcas que se excedem neste particular.

Contudo, para quem já tem o ecossistema em casa ou no escritório, não há como negar que esta Roam pode ser mais um excelente membro para aumentar a família acústica.

Preço:

200€

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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