A Sony ULT Field 5 – nome técnico SRS-ULT50, para quem gosta da designação completa – pertence ao grupo das colunas wireless que emitem música (pasme-se) em vez de sons agudos ou bombos irritantes que pululam por aí, principalmente nas mãos de jovens que pensam que o mundo é deles. Mas não quero com isto afirmar que é apenas toda uma solução de alta dinâmica e suavidade musical porque também tem volume para acordar um bairro à noite.
Este é o modelo topo de gama da linha ULT Power Sound da Sony, mede 32 centímetros de comprimento e pesa 3,3 quilogramas. Não, não é leve, mas vem com correia de transporte e, quando a ligamos e aumentamos o volume, percebemos rapidamente porque é que pesa o que pesa, mesmo existindo equipamentos comparáveis no mercado com menos pujança física.
Design e construção

A Sony ULT Field 5 abandonou as formas arredondadas de gerações anteriores (podem ler a análise à ULT 1 aqui) para adoptar uma silhueta cúbica com arestas suavizadas, envolta numa malha de tecido resistente com enquadramento sólido (podem ler a análise à ULT Filed 3 já desta geração aqui). O resultado é um equipamento que parece e respira premium sem fazer muito esforço, especialmente na versão branco pérola, que dá mais ares de sala de estar do que de caixa de som de piscina em hotéis de Marrocos. A versão preta é igualmente sóbria e discreta, para quem prefere que a coluna fale pela música e não pela aparência.
Os controlos estão no topo, acessíveis, bem identificados e sem necessidade de andar a adivinhar funções (dois toques para emparelhamento bluetooth é a excepção). Na parte traseira, por baixo de uma aba de borracha, encontramos a entrada AUX de 3,5 milímetros – o que é fabuloso e infelizmente cada vez mais raro – e a porta USB-C, que serve tanto para carregar a coluna como para carregar outros dispositivos. Sim, a ULT Field 5 funciona como bateria de emergência para o telemóvel, o que é sempre bem-vindo numa noite longa.
Dois ilhós robustos no topo permitem prender a correia de transporte incluída na caixa, mais uma prova de que a Sony pensou nisto como um objecto para sair de casa e não apenas para decorar uma prateleira. E o convite à aventura outdoor continua com classificação IP67, resistência a imersão temporária em água até um metro de profundidade e ao pó. Até aguenta piscinas, praias e o copo de cerveja bem equilibrado em cima porque, e muita atenção, flutua!
O som
Debaixo da malha vivem dois tweeters de 46 milímetros e um woofer de formato não circular que a Sony designa por X-Balanced Speaker Unit.
A ideia por detrás da forma irregular é maximizar a área útil do cone sem aumentar o volume da caixa, reduzindo a distorção nos volumes mais altos. Na prática, o resultado é um som que mantém a compostura mesmo quando aumentos o volume até ao limite.
Os dois radiadores passivos laterais, também rectangulares, para manter a coerência estética, funcionam como um sistema de bass reflex, tornando o registo de baixo mais volumoso sem precisar de amplificadores desproporcionais.



O Bluetooth é a versão 5.3 e suporta os codecs SBC, AAC e LDAC, este último permite transmissão de áudio em alta resolução até 990 kbit/s, mas e atenção, desde que o dispositivo de origem também o suporte. Por último, a ligação a dispositivos Android é facilitada pelo Google Fast Pair, que dispensa procedimentos de emparelhamento manuais.
Ligar a Sony ULT Field 5 pela primeira vez com uma música que se conheça bem é sempre um momento de ajuste de expectativas: escolhi o recente HELP (2), da War Child records, que tem 20 temas que juntam os Bat for Lashes, Pulp, Fontaines DC, English Teacher, Depeche Mode, Beth Gibbons, Damon Albarn, Artic Monkeys e muitos outros, o que dá para ter uma ideia de vários tratamentos mesmo que com uma batuta de produção algo idêntica. O baixo é denso, controlado e vai mais fundo do que qualquer coluna desta dimensão tem direito a ir. Não é o tipo de baixo que bate no peito de forma artificial e que nos cansa em dez minutos, mas um baixo que fundamenta a música, que lhe dá corpo e torna o volume moderado confortavelmente envolvente mesmo numa divisão de tamanho médio/grande.
O botão ULT, aquele que se destaca propositadamente nos controlos, oferece dois modos de boost de baixo: o ULT1 acrescenta volume à zona mais profunda, com mais textura e impacto sem perder demasiada precisão. Já o ULT2 desloca a ênfase para o baixo médio, dando aquela sensação de punch que funciona bem em música electrónica e hip-hop, mas que pode soar ligeiramente exagerado em géneros mais subtis.
A definição padrão, sem qualquer boost activo, continua a ser a mais equilibrada para uso geral e, muito sinceramente, é onde a ULT Field 5 soa de forma mais honesta.
Nas vozes e nos médios, a coluna é competente dentro da sua classe, sem o brilhantismo que ostenta no registo grave. A volumes moderados a altos, o detalhe está lá e a presença vocal é satisfatória mas quando se empurra para valores mais altos, nota-se alguma rudeza nos médios e uma ligeira compressão do baixo.
A grande surpresa é o palco sonoro: o som desprende-se da caixa com uma generosidade que engana, parecendo vir de uma área maior do que a que o objecto fisicamente ocupa. Não chega aos calcanhares da B&O Beosound A5 (ler análise), mas o preço também é muito diferente.
Autonomia
A Sony anuncia até 25 horas de autonomia mas nunca na vida passo esse tempo de seguida acordado hoje em dia, portanto, são valores que valem o que valem. No uso real, e com o modo ULT activo, volume a dois terços e luzes RGB a funcionar, a própria marca baixa para 13 e 15 horas de reprodução contínua.
São valores que continuam a ser um resultado muito sólido para o segmento, sabendo que o modo Stamina, que desactiva o boost de baixo, as luzes e os efeitos sonoros adicionais, estende a autonomia de forma considerável para situações em que a prioridade é durar e não impressionar.
A recarga rápida merece menção: dez minutos de ligação ao cabo equivalem a cerca de 100 minutos de reprodução, o que é mais que suficiente para salvar uma tarde de festarola onde alguém se esqueceu de carregar a coluna na noite anterior. A função de bateria de emergência, via USB-C, funciona exactamente como esperado: liga o telemóvel à coluna quando a bateria do telefone está a morrer e a coluna serve de banco de energia. Em contexto de outdoor ou de festa prolongada, é uma funcionalidade genuinamente útil.
App, luzes e funcionalidades adicionais

A aplicação Sony Sound Connect disponibiliza um equalizador de dez bandas com vários presets, controlo dos efeitos de iluminação, efeitos de DJ e a já mencionada optimização automática de campo sonoro, uma funcionalidade que usa os microfones integrados na coluna para ajustar a resposta de frequência ao ambiente onde está colocada, distinguindo, em teoria, uma sala de estar de um jardim ao ar livre. Esta função vem activada por defeito, o que me poderiam ter avisado, e pode ser desligada em quem prefira o som não processado (como eu).
Uma ressalva honesta sobre a aplicação: o processo inicial de configuração inclui uma sequência de autorizações e ecrãs de licenciamento que testa a nossa paciência e a imediata actualização de firmware também exige condições específicas, com bateria da coluna e do telemóvel acima de determinados limiares, para náo travar o processo no momento menos oportuno.
As luzes LED laterais, felizmente controláveis em padrão e intensidade pela app, criam o efeito de mini-discoteca portátil que o nome ULT Power Sound implica. Não é a instalação luminosa de uma coluna de sala dedicada a entretenimento, mas numa esplanada ou num jardim à noite faz o seu papel. Mas… se há coisa que me tira do sério é o ritmo das luzes que nada têm que ver com o beat que a coluna debita e isso acontece nesta Sony. Portanto, e como faço em relação a tudo o que tenha RGB, desligo e ponto final. Mas percebo quem goste destas coisas.
Conectividade

A ligação multipoint simultânea a dois dispositivos Bluetooth permite que a ULT Field 5 mude automaticamente de fonte conforme o contexto: se estivermos a ouvir música pelo portátil e recebermos uma chamada no telemóvel, a coluna percebe e muda, sem intervenção manual.
Mas a grande vantagem desta coluna é permitir emparelhar duas ULT Field 5 em modo estéreo verdadeiro, ou seja, cada coluna reproduz um canal diferente, com um resultado significativamente mais envolvente do que qualquer coluna mono ou pseudo-estéreo.
E a segunda é o Party Connect, que permite sincronizar até cem colunas compatíveis Sony em simultâneo sem app, apenas com um botão dedicado no dispositivo. É uma funcionalidade mais para discoteca improvisada do que para uso quotidiano, mas existe e funciona.
A Sony não está sozinha no mundo a oferecer estas possibilidades (Bose e JBL também o fazem) mas é sempre bom poder contar com elas.
Em suma
A Sony ULT Field 5 é uma das colunas Bluetooth portáteis mais capazes do seu segmento de preço. O baixo é o seu argumento principal e cumpre com autoridade; a construção é sólida; a autonomia é real; e as funcionalidades de conectividade são generosas para o que o mercado oferece nesta faixa.
O peso de 3,3 quilogramas é o único compromisso genuíno, mas é o preço físico de tudo o que lá cabe. Para quem procura uma coluna para jardins, terraços, festas ao ar livre e noites longas sem preocupação com a bateria, a ULT Field 5 é uma escolha segura e satisfatória. Para quem quer algo para carregar na mochila de trekking, há opções mais ligeiras no mercado. Mas nenhuma delas vai fazer o que esta faz quando se liga o ULT e se pede ao baixo que apareça.
Preço Sony ULT Field 5
200€ (actualmente em várias lojas), 300€ no site oficial.

A ANÁLISE
ULT Field 5
A Sony ULT Field 5 é uma das colunas Bluetooth portáteis mais capazes do seu segmento de preço.
PRÓS
- Construção, emparelhamento estéreo real, Party Connect, Codecs, Qualidade sonora
CONTRAS
- Peso e dimensão para transporte, concorrência





