Os Sony WF-1000XM6 são a sexta geração dos auriculares sem fios de topo da marca nipónica que chega com melhorias reais em cancelamento de ruído, som, microfones e conforto e com um preço (aproximado) de 300 euros que os coloca directamente em confronto com os AirPods Pro 3 da Apple (teoricamente, porque nunca os experimentei), os QuietComfort Ultra 2 da Bose (que são dos que uso habitualmente) e os B&W Pi8 (os meus favoritos) e os recém-chegados ao top 5, os magníficos Huawei FreeBuds Pro 5 (todos os links dão acesso às análises).
Design e conforto

O primeiro contacto com os WF-1000XM6 deixa uma excelente impressão ao exibir um perfil oval mais alongado e uma superfície mate que agarra melhor ao ouvido durante o exercício. A Sony afirma que os novos auriculares são 11% mais finos que os XM5 e a diferença é perceptível tanto ao toque como no uso prolongado.
O design foi desenvolvido a partir de dados recolhidos de ouvidos reais, o que é uma forma elegante de dizer que a Sony passou algum tempo a perceber porque é que as gerações anteriores escorregavam nos momentos menos oportunos, mesmo depois da escolha das muitas almofadas.
A classificação IPX4 garante resistência a salpicos de água e suor, suficiente para treinos de ginásio e corrida à chuva miudinha, mas longe de permitir uma passagem pela piscina ou pelo duche. Mas também não me parece que quem dá tanto dinheiro por uns auriculares irá com eles para o ginásio ou similares…
O estojo foi redesenhado com superfícies planas no topo e na base – fica em pé em qualquer secretária sem precisar de apoio especial – e o indicador luminoso frontal está agora escondido por baixo da superfície, aparecendo apenas quando activo. Gosto deste design, original e que, no meio de dezenas de opções, os coloca imediatamente sob foco de atenção. E, felizmente, também não escorregam das mãos, porque se há algo que me cria ansiedade é ter que tirar ou recolocar os dois auriculares dentro da caixa com uma só mão. Há modelos que tornam esta tarefa impossível.
As pontas de espuma incluídas em quatro tamanhos continuam a ser das melhores opções de série disponíveis nesta categoria e de que sou fã desde que a Sony as implementou nos seus XM.
Para ouvidos mais pequenos, convém notar que estes são dos auriculares Sony de maior volume e a altura do corpo pode ser um obstáculo ao conforto prolongado. Deitado de lado numa almofada, a protrusão é suficiente para incomodar e muito, mas para trabalhar ou em deslocação, o conforto é exemplar durante horas seguidas.
Cancelamento de ruído é o argumento mais forte dos WF-1000XM6

Se há uma área onde os WF-1000XM6 dão um salto perceptível face à geração anterior, é no cancelamento activo de ruído (ANC), que significa basicamente que os auriculares analisam o som exterior e geram a onda contrária para o anular. O novo processador é três vezes mais rápido que o dos XM5 e trabalha com oito microfones por auricular, contra seis na geração anterior, o que lhe dá mais dados para analisar e eliminar o ruído ambiente em tempo real.
Em termos práticos, o resultado mede-se em decibéis: os XM6 atingem uma atenuação média de 88% em todas as frequências – uma melhoria sobre os 87% dos XM5.
O que é claramente distinguível é a eficácia em frequências baixas: ruído de ar condicionado, viagens de metropolitano, o zumbido constante de escritórios em open space – tudo isso desaparece com uma eficácia que se nota desde o primeiro minuto. O ANC adaptativo analisa o ambiente em tempo real e ajusta o desempenho conforme o contexto: num café, num autocarro ou num escritório, os auriculares reconhecem onde estão e calibram-se automaticamente.
O modo de transparência – que deixa passar o som exterior como se não houvesse auriculares – é genuinamente impressionante. Os microfones externos captam o ambiente com uma naturalidade suficiente para que seja fácil esquecer que se tem os auriculares nos ouvidos durante conversas ou reuniões.
Som

A Sony tem uma assinatura sonora conhecida: o som em V, aquele estilo enérgico e divertido que valoriza os graves e os agudos e deixa os médios um pouco mais recuados. Os WF-1000XM6 mantêm essa personalidade mas adicionam uma camada de refinamento que as gerações anteriores não tinham. O trabalho conjunto com engenheiros de masterização de referência mundial traduziu-se num som com mais detalhe, mais nuance e menos agressividade nos momentos em que a música pede contenção.
Os graves continuam a ser o ponto forte: profundos e com impacto controlado. Os agudos têm uma ligeira ênfase à volta dos 6 kHz que aumenta a sensação de clareza mas pode revelar-se ligeiramente fatigante em sessões muito longas para ouvidos mais sensíveis. Os médios são musicais e envolventes, mas não são o ponto mais detalhado do espectro: vozes e guitarras soam bem, mas sem a precisão analítica de auscultadores de referência a preços superiores.
Um pormenor que vale a pena mencionar: com o ANC activo, a resposta de frequência muda ligeiramente, acentuando os graves. Em música electrónica e hip-hop, o efeito é bem-vindo mas em música clássica ou jazz, pode ser excessivo. A boa notícia é que o equalizador de dez bandas disponível na aplicação Sony Sound Connect resolve isso com ajustes pontuais. Com o ANC desligado, o som fica mais neutro e próximo do que seria uma curva de referência equilibrada.
Microfones e chamadas
Os microfones dos WF-1000XM6 representam a melhoria mais significativa face aos XM5 em uso quotidiano. O sistema usa beamforming com inteligência artificial – tecnologia que direcciona o ângulo de captação de áudio para a boca do utilizador, filtrando o ruído lateral – treinado com 500 milhões de amostras de voz.
Em ambientes tranquilos, o resultado é satisfatório: a voz chega ao interlocutor com clareza e articulação natural, embora com um som metálico bastante presente. Na rua com tráfego moderado, o desempenho mantém a inteligibilidade da voz, embora veículos mais pesados ainda consigam interferir pontualmente.
Bateria, aplicação e conectividade

A autonomia dos WF-1000XM6 é de oito horas com ANC activo e doze horas sem ele, a que se somam mais 16 horas guardadas no estojo, para um total de 24.
O carregamento rápido oferece uma hora de reprodução com apenas três minutos de carga. A conectividade Bluetooth 5.3 suporta os codecs SBC, AAC, LDAC e LC3 com LE Audio.
Os utilizadores Android beneficiam do LDAC para áudio em alta resolução até 24 bits e 96 kHz, enquanto os utilizadores de iPhone ficam limitados ao AAC – uma diferença técnica que, na prática, é audível apenas em sistemas de alta-fidelidade a preços elevados.
A ligação multipoint, que permite ligar dois dispositivos em simultâneo como o telemóvel e o portátil, funciona de forma fluida.
A aplicação Sony Sound Connect é detalhada e personalizável, com equalizador de dez bandas, modos de escuta adaptativos, controlo por gestos de cabeça e integração com plataformas de streaming como o Spotify, o Apple Music e o Amazon Music.
A configuração inicial pode ser um pouco demorada e requer paciência com autorizações e actualizações de firmware.



Em suma
Os Sony WF-1000XM6 são os auriculares sem fios mais capazes que a marca alguma vez lançou e dos melhores disponíveis actualmente no mercado. O cancelamento de ruído é de topo, o modo de transparência é excepcionalmente natural, os microfones melhoraram de forma substantiva e o som tem a personalidade Sony com mais maturidade do que nas gerações anteriores.
São os novos reis do segmento? Para muita gente, têm todas as condições para receber o ceptro… não fossem os modelos que assinalei logo no início e que lhes dão muita luta.
Preço Sony WF-1000XM6

300€ (aproximadamente)

A ANÁLISE
WF-1000XM6
Os Sony WF-1000XM6 são os auriculares sem fios mais capazes que a marca alguma vez lançou e dos melhores disponíveis actualmente no mercado.
PRÓS
- Qualidade de som, ANC, autonomia
CONTRAS
- Concorrência mais próxima, qualidade chamadas




