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Foi com muito interesse que experimentei durante uns tempos o Xiaomi 14, um pequeno paralelepípedo tecnológico que se apresenta com uma nova versão do software da Xiaomi, o HyperOS, que substitui a antiga interface MIUI.

O Xiaomi 14 é um maquinão

Vejamos: temos um processador de topo que e o Snapdragon 8 Gen 3, alimentado por 12 GB de RAM, e com uma capacidade dupla: 256/512 GB!

O valor, que é alto, também oferece um excelente conjunto fotográfico, com a câmara Selfie de 32 MP e o conjunto principal triplo com 50 MP, 50 MP Ultrawide e 50 MP 3x telefoto.

Três vezes 50 MP, um luxo

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O novo sensor principal, Light Fusion 900, tem 1/1,3 polegadas, superando os sensores principais da sua concorrência principal. Este aumento de tamanho significa um melhor desempenho em condições de pouca luz, com menos probabilidade de desfocagem de movimento, pois o grande sensor capta mais luz, reduzindo os tempos de exposição.

Apesar de todas as três câmaras oferecerem a mesma resolução, a câmara principal capta mais detalhes e as imagens mais nítidas, e este maior sensor também permite captar um bokeh mais natural.

A teleobjectiva de 3x é óptima para retratos e detalhes macro em close-up, mas não é perfeita para ambientes pouco iluminados ou até mesmo à noite. E passa-se o mesmo com a ultrawide talvez também pela falta de autofoco o que é sempre um limite.

Autofoco que é glorioso em gravação vídeo, com uma excelente estabilização e muitos controlos profissionais. Um apontamento para a capacidade de gravar 4K/60fps com excelente dinâmica. E se quiserem, podem encher a memória com uma gravação 8K a 24fps. Mas só durante meia dúzia de minutos.

De qualquer forma, um aplauso para o conjunto que é mais que suficiente para todos os que procuram um conjunto qualitativo e fácil de operar.

O HyperOS convence mas leva tempo

Baseado no Android 14, o HyperOS pode sugerir, à primeira, ser uma grande mudança, mas a experiência, para quem está habituado aos Xiaomi, é algo familiar, pois o HyperOS funciona quase de forma idêntica ao MIUI. E isto é um ponto positivo.

As principais diferenças são ajustes no design, que considero um pouco mais polido no geral. O que mais me satisfez, são as configurações rápidas que agora são exibidas como símbolos, sem texto por baixo, o que é francamente elegante e minimalista, até mesmo elitista, mas requer alguma habituação, e os dias em que o tive na mão não foram suficientes para memorizar a simbologia.

Estou em crer que o tempo de utilização é necessário para nos habituarmos à separação entre a área de notificações e as configurações rápidas, que se acede deslizando de lados diferentes do ecrã, tal como num iPhone. Mas de resto, é fluido, bonito, até entusiasmante, visto estar baseado no que já conhecíamos. A Xiaomi continua, no entanto, a encher os seus modelos com aplicações desnecessárias e duplicadas em relação ao Android 14 puro. Mas também não é um problema, só é chato.

Novidades? Parcas mas suficientes

Não há funcionalidades de produtividade com IA incluídas no Xiaomi 14, pelo menos por enquanto, no entanto temos acesso a algumas ferramentas de edição de imagem com IA muito por cortesia da Google. Podemos apagar objectos ou pessoas e adicionar alguns efeitos de bokeh artificiais bastante “realistas”.

O Xiaomi 14 convence pelo design e construção

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Semelhante ao Xiaomi 13 do ano passado, o Xiaomi 14 continua a ser inspirado pelo iPhone, com bordas de alumínio planas, um ecrã totalmente plano e uma matriz de câmaras quadrada posicionada no canto superior esquerdo do painel traseiro de tamanho bastante maior comparado com o modelo anterior. As linhas não são revolucionárias, mas o conjunto é apelativo e transborda qualidade de construção, até com um curioso tratamento tipo serrilhado em redor da matriz.

Calhou-me o modelo branco para análise com acabamento de vidro mate, o que vos garanto ser muito bonito. E é sempre uma pena escondê-lo com a capa preta também mate e que vem na caixa mas percebo que se cair ao chão pode resultar num drama monetário.

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Os cantos suaves tornam-no confortável de segurar, e é muito menos volumoso no bolso que a maior parte das opções que encontramos no mercado, daí poder compará-lo com o Zenfone 9, o Pixel 8, o iPhone 15 e o Samsung S24.. O Xiaomi 14 tem uma classificação IP68 para resistência à poeira e à água, o que significa que é essencialmente à prova de água. Aguenta uma imersão a profundidades de até 1,5 metros em água doce, repito, doce.

Ecrã e som

O Xiaomi 14 tem um ecrã de 6,39 polegadas com uma taxa de actualização adaptativa que pode ajustar entre 1Hz e 120Hz. Tem uma resolução de 2.670 x 1.200 pixels, e é um ecrã muito brilhante que pode atingir até 3.000 nits em certas situações. Suporta tanto Dolby Vision quanto HDR10+, e combinado com este painel brilhante, obtém-se alguns visuais muito impressionantes de aplicações como Netflix e Prime Video. Os pretos são escuros e intensos, enquanto os destaques podem ficar deslumbrantemente brilhantes.

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O HyperOS tem algumas das opções de personalização de ecrã além dos perfis de cores habituais, e podemos alternar o gamut de cores e ajustar a saturação, matiz, contraste, equilíbrio de cores e muito mais.

A bateria

O carregamento é supersónico através do carregador de 90W incluído: meia hora para carga total, 15 minutos para 50%. O Xiaomi 14 também suporta carregamento sem fios até 50W, mas só com o carregador sem fios da marca. O meu, que é um OPPO AirVooc, ficou-se pelos 15W e sim, fui ver à net).

Podemos alimentar uns auriculares ou até outro smartphone com uma carga até bastante interessante, com até 10W.

Conclusão

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O Xiaomi 14 tem a minha cara: bonito, completo, bem construído, bom design e muitas características de topo, com um ecã estupendo e boa qualidade de som. As câmaras são muito boas e contam com a inscrição “Leica” o que cai sempre bem, e a bateria dura mais que um dia, mesmo num telefone de corpo mais compacto como é o deste.

O único problema é, a meu ver, o preço algo elevado, pois a marca ainda tem pouco pedigree de topo comparativamente aos concorrentes que agora são directos. Mas se não se importarem com isso, vão em frente que não se arrependerão.

Preço

1099€ na versão 12/512

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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