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Canon e a ciência dos recifes: tecnologia de imagem a salvar corais nas Seychelles

João Gata por João Gata
Novembro 18, 2025
Laboratório de reprodução de corais nas Seychelles com tecnologia Canon

Canon impulsiona a restauração dos recifes com tecnologia de alta precisão

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A Canon EMEA voltou a mostrar que a tecnologia, quando aplicada com inteligência e propósito, pode ter impacto directo na sobrevivência do planeta. A marca japonesa está a apoiar um ambicioso projecto de recuperação dos recifes de coral nas Seychelles, em parceria com a Coral Spawning International (CSI) e a Nature Seychelles.

ATENÇÃO: VER AS LINDAS IMAGENS NO FINAL DO TEXTO

Este é o primeiro laboratório de reprodução de corais do Oceano Índico ocidental e tem um objectivo claro: criar populações de corais com maior diversidade genética, mais resilientes ao calor e mais capazes de enfrentar o futuro climático.

Canon impulsiona a restauração dos recifes com tecnologia de alta precisão

Imagem científica, reprodução assistida e biodiversidade marinha

Ao contrário do que muitos imaginam, a restauração de recifes não é feita apenas com mergulhadores e transplantes manuais. É ciência pura, microscópica, e depende de tecnologia de imagem capaz de captar momentos biológicos que, até há pouco tempo, eram invisíveis. É aqui que entra a Canon, não apenas como fornecedora de câmaras, mas como verdadeira parceira tecnológica e formadora das equipas no terreno.

Tecnologia Canon para ver o invisível

Da desova microscópica ao crescimento dos pólipos

O contributo da Canon inclui câmaras de alta resolução, objectivas macro, microscopia adaptada a laboratório húmido, videografia em time-lapse e kits completos para documentação no terreno. Parecem apenas ferramentas, mas na prática são olhos de alta precisão apontados a um fenómeno biológico que acontece em minutos e pode decidir o futuro de um recife.

Com estas ferramentas, os investigadores conseguem:

  • captar o instante exacto da desova dos corais
  • acompanhar, imagem a imagem, as fases embrionárias
  • medir a viabilidade dos óvulos e dos espermatozoides
  • observar o desenvolvimento das larvas durante horas, dias e semanas
  • documentar a fixação dos pólipos às estruturas artificiais
  • comparar cruzamentos controlados com métricas objectivas
  • criar repositórios visuais para investigação futura

O resultado é uma documentação científica com precisão laboratorial, mas com fidelidade óptica digna de um uso fotográfico profissional.

As imagens servem também um segundo propósito: sensibilização pública. Ao mostrar aquilo que o olho humano não vê, estas capturas transformam o abstrato em concreto e ajudam a explicar porque é que um recife saudável é essencial para 25% de toda a vida marinha conhecida.

Laboratórios que replicam o oceano

Desova previsível, genética diversificada e resiliência climática

Os recifes de coral, que ocupam menos de 1% do fundo marinho, são hoje um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta. Aquecimentos extremos sucessivos, sobrepesca, acidificação e poluição estão a destruir estruturas que demoraram milhares de anos a formar. Estima-se que metade dos recifes tenha desaparecido apenas nas últimas décadas.

Para contrariar esta tendência, a CSI desenvolveu um sistema de desova previsível em laboratório. Essencialmente, são tanques inteligentes que replicam as condições do oceano com precisão quase cirúrgica:

  • filtragem avançada
  • ciclos de iluminação controlados
  • microprocessadores que simulam temperatura e fases lunares
  • monitorização contínua com imagem de alta resolução

Este ecossistema experimental permite seleccionar variantes genéticas mais resistentes ao stress térmico, comparar taxas de sobrevivência e optimizar a reprodução sexual de forma muito mais robusta do que os métodos tradicionais, que se limitam a fragmentar clones genéticos.

Graças às câmaras Canon, a fotogrametria e o vídeo de alta resolução permitem modelar o crescimento dos pólipos e quantificar a eficácia dos transplantes. Trata-se de restaurar corais não apenas para sobreviverem hoje, mas para aguentarem o clima de amanhã.

Sustentabilidade com imagem de laboratório e impacto global

A Canon destaca que esta colaboração é mais do que uma iniciativa de responsabilidade social: é um investimento directo na tecnologia que pode ajudar pequenas nações insulares – como as Seychelles – a adaptarem-se às alterações climáticas.

Peter Bragg, Sustainability & Government Affairs Director da Canon EMEA, é claro: “Oferecer tecnologia e formação permite transformar a imagem em ciência, e a ciência em soluções reais.” O objectivo é empoderar comunidades locais e investigadores para que a conservação não dependa apenas de equipas externas.

O Dr. Nirmal Shah, CEO da Nature Seychelles, reforça a importância da diversidade genética para a criação de recifes verdadeiramente resilientes, enquanto o Dr. Jamie Craggs, biólogo marinho e cofundador da CSI, sublinha que a imagem – fotografia, vídeo, microscopia – é uma ferramenta tão científica quanto emocional, capaz de inspirar acção global.

Em suma

A Canon não está apenas a captar belas imagens subaquáticas. Está a transformar a imagem em instrumento científico, operacional e educativo. Está a ajudar a criar bancos genéticos de corais resilientes, a melhorar protocolos laboratoriais e a gerar documentação crítica para a conservação marinha. Este projecto mostra que, quando tecnologia e ciência trabalham juntas, a lente deixa de ser apenas observadora para se tornar numa ferramenta de mudança.

Legendas das fotografias

Imagem CSL0003

CSL0003
  • Descrição: Desova de Acropora muricata em ambiente ex situ. Durante estes eventos anuais de desova, milhares de conjuntos de óvulos e espermatozoides são libertados na água em poucos minutos.
  • Equipamento: EOS 5D Mark III + EF 100 mm macro
  • Definições: f/4,5, 1/30, ISO 400
  • Créditos: Dr. Jamie Craggs / Coral Spawning International

Imagem CSL0005

CSL0005
  • Descrição: Desenvolvimento embrionário – zigotos a realizar a primeira divisão celular após fecundação in vitro.
  • Equipamento: EOS 5D Mark III + MP-E 65 mm
  • Definições: a x5, f/8, 1/80, ISO 640
  • Créditos: Dr. Jamie Craggs / Coral Spawning International

Imagem CSL0006

CSL0006
  • Descrição: 6 imagens de Acropora muricata juvenis, 5 meses após a colonização.
  • Equipamento: Conjunto de 6 imagens com EOS 5D Mark III + MP-E 65 mm
  • Definições: a x5, f/8, 1/100, ISO 2500
  • Créditos: Dr. Jamie Craggs / Coral Spawning International

Imagem CSL0007

CSL0007
  • Descrição: Juvenis de Blastomussa wellsi com 13 meses após desova, fecundação in vitro e colonização ex situ. Uma estreia mundial.
  • Equipamento: EOS 5D Mark III + 100 mm macro
  • Definições: f/11, 1/60, ISO 800
  • Créditos: Dr. Jamie Craggs / Coral Spawning International

Imagem CSL0009

CSL0009
  • Descrição: Desova de Acropora microclados com 15 meses em ambiente ex situ.
  • Equipamento: Conjunto de imagens com EOS 5D Mark III + MP-E 65 mm
  • Definições: a x1, f/8, 1/160, ISO 640
  • Créditos: Dr. Jamie Craggs / Coral Spawning International

Imagem CSL0011

CSL0011
  • Descrição: Pólipo de Acropora tenuis a libertar um pacote de óvulos e espermatozoides durante a desova ex situ.
  • Equipamento: EOS 5D Mark III + MP-E 65 mm
  • Definições: a x5, f/7,1, 1/30, ISO 1000
  • Créditos: Dr. Jamie Craggs / Coral Spawning International

Imagem CSL0013

CSL0013
  • Descrição: Coral Acropora tenuis com 7 meses de idade, cultivado em ambiente ex situ.
  • Equipamento: EOS 5D Mark III + MP-E 65 mm
  • Definições: a x4, f/3,5, 1/125, ISO 1000
  • Créditos: Dr. Jamie Craggs / Coral Spawning International

Imagem CSL0014

CSL0014
  • Descrição: Ramo/pólipos de coral Acropora millepora.
  • Equipamento: Conjunto de imagens com EOS 5D Mark III + MP-E 65 mm
  • Definições: a x4, f/6,3, 1/100, ISO 1600
  • Créditos: Dr. Jamie Craggs / Coral Spawning International

Imagem CSL0025

CSL0025
  • Descrição: A colónia de Acropora muricata com 3 meses cresce nos laboratórios da Coral Spawning International após desova planeada e fecundação in vitro.
  • Equipamento: Conjunto de imagens com EOS 5D Mark III + MP-E 65 mm
  • Definições: a x3, f/3,5, 1/80, ISO 800
  • Créditos: Dr. Jamie Craggs / Coral Spawning International

Imagem CSL0030

CSL0030
  • Descrição: Embriões de Homophyllia australis (“Scoly”) em processo de primeira e segunda divisão celular após fecundação in vitro. Uma estreia mundial do Laboratório de Reprodução de Corais e um passo importante para a criação sustentável desta espécie de coral endémica da Grande Barreira de Coral e de grande importância comercial.
  • Equipamento: EOS 5D Mark III + MP-E 65 mm
  • Definições: a x5, f/8, 1/160, ISO 640
  • Créditos: Dr. Jamie Craggs / Coral Spawning International

Imagem CSL0031

CSL0031 horizontal
  • Descrição: Blastomussa wellsi, coral tubular com três anos após desova ex situ nos laboratórios da Coral Spawning International, outra estreia mundial.
  • Equipamento: EOS R5 + RF 100 mm
  • Definições: f/5,6, 1/100, ISO 200
  • Créditos: Dr. Jamie Craggs / Coral Spawning International

Imagem CSL0033

CSL0033
  • Descrição: Leptoseris mycetoseroides fluorescentes a revestir o coral, fotografados com iluminação de 20 000 kelvin e filtro amarelo.
  • Equipamento: EOS R5 + RF 100 mm
  • Definições: f/4,5, 1/100, ISO 1600
  • Créditos: Dr. Jamie Craggs / Coral Spawning International

Imagem CSL0036

CSL0036 1
  • Descrição: Desova de Acropora millepora ex situ. Durante estes eventos anuais de desova, milhares de pacotes de óvulos e espermatozoides são libertados na água em poucos minutos.
  • Equipamento: EOS R5 + RF 24-105 mm f/4 L IS USM
  • Definições: f/5, 1/100, ISO 1250
  • Créditos: Dr. Jamie Craggs / Coral Spawning International
Tags: AmbienteBiodiversidadeCanonciênciaConservação MarinhafotografiaRecifes de CoralSeychellesSustentabilidadeTecnologia de Imagem
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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