in Metropolis #15
It’s a Deep Dark Net
“Por baixo de uma pedra, encontramos sempre algum segredo. Só basta procurar e saber clicar.” (John Cat, 1965)
O conceito ‘deepweb’ é, no mínimo, entusiasmante e poderia escrever um livro sobre o tema, mas a questão de espaço limita a abordagem deste enorme ‘campo de jogos’ para pessoas (e grupos) com interesses pouco comuns, distintos das grandes franjas sociais. São clubes de gente que tudo faz para permanecer anónima e que versam sobre temas tão simples como manuais de instruções para o fabrico de bombas artesanais ou a melhor forma de esconder uma plantação de cannabis, como mais complexos e proibidos como manias, loucuras, ilegalidades, perversões e encomendas muito sombrias que se fazem pagar por muito dinheiro.
Esta famosa ‘deepweb’ tem mais designações, sendo a mais popular ‘darknet’, mas tudo isso é uma fantochada populista para evitar que realmente se saiba mais sobre essa imensa metade submersa do iceberg que é muito maior do que a Net “visível” e que esconde, a cada layer de profundidade, um segredo mais complexo que o anterior e que nos ultrapassa a todos os níveis.
É um submundo de informação vária, muito específica e pormenorizada, que nunca nos convida a entrar, pelo contrário, mostra a cada passo que é um lugar a evitar.
A última “bomba” que chegou ao conhecimento comum, fala de um site que exibe uma lista de alvos a abater (entre eles Presidentes, CEOs e demais gente com poderio económico, social e político) e quanto é que se paga por cada assassinato. O curioso é que já se pode cobrar e receber em Bitcoins e, logicamente, os autores nunca serão revelados. São dezenas de milhares de dólares em causa que, numa altura de crescente tensão social e pré-revolucionária, poderão captar mais atenção devido à democratização da informação… por muito deep que esteja enterrada na web.
Mas desengane-se quem pensa resolver os seus problemas actuais (ou, de uma forma menos altruísta, evitar maiores males no futuro) ao embarcar nesta aventura. A primeira necessidade é saber muito sobre tecnologia e programação ou ter alguém que o faça por nós, pois é imperioso um escudo de invisibilidade. A segunda é saber escapar às polícias tecnológicas e globais. A terceira, e mais importante, tem a ver com o JavaScript. Desliga-se ou não? Deixo à vossa consideração.
Agora que ficaram curiosos, é hora para vos indicar o caminho para entrar na Darknet: o primeiro passo é esquecerem as designações conhecidas, como a mencionada no parágrafo ou no início da crónica. Pensem em cebolas… sim, procurem por Onionland (porque se utilizam URL’s Onion). Esqueçam o Firefox ou outro qualquer browser que utilizem, pois o único que lá chega denomina-se TOR. Depois esqueçam os típicos e habituais endereços que todos os dias utilizamos, pois nesta terra de cebolas, um URL tem geralmente um conjunto aleatório de caracteres que terminam com a extensão .onion.
Preparados? Então boa viagem! Mas com cuidado.







