Quando a Sony apresentou os novos Xperia Z deu-me a escolher entre o Z3 e o Z3 Compact. Contra todas as probabilidades, escolhi a versão compacta do novo flashgip Xperia. Tenho boas razões: afinal, uso um Z2 no dia a dia, portanto estou mais que habituado ao seu tamanho, peso, materiais, qualidade e demais pontos. Não haveria muito para acrescentar ao ensaio do mesmo, que publiquei aquando a grande aventura em Espanha. Quanto à versão míni, confesso que estava muito curioso, pois fiquei fã incondicional do primeiro compacto, o Z1C que me encheu as medidas e que considerei como o melhor smartphone daquela medida à época. Sim, melhor que o Apple 4S. Podem ler o ensaio aqui.
Portanto, seria mais lógico pedir o Z3C para perceber o que aconteceu desde então, pois não aconteceu a versão pequena do Z2. E começo pelo fim: será este o melhor Android compacto do momento?
Mhhh… se calhar preferem ler mais qualquer coisa até chegar à conclusão. Ora então, aqui vamos!

O design
Pouco diferente do Z1C (o ecrã subiu das 4,3 para as 4.6”), o novo Sony Xperia Z3C apresenta-se com painel frontal e traseiro em vidro, tal como o irmão maior. As laterais são, contudo, de plástico, assim como os cantos um tanto pronunciados e que demonstram estar aptos para aguentar algumas quedas complicadas. Nesta versão negra, não se percebe essa diferença de materiais, mas nas outras cores é notória. Principalmente na branca que tem todo esse filete plástico em cinzento muito claro.
Comparando o Z3/Z3C percebe-se que a Sony tudo fez para oferecer um compacto com o mesmo nível do irmão maior e… conseguiu. No entanto, existem algumas diferenças na RAM e no ecrã, com mais quantidade e qualidade no Z3. De qualquer forma, e para o utilizador preferencial deste compacto, são apenas pormenores.
O Z3C consegue, neste pequeno corpo, ter duas colunas frontais estéreo, três botões físicos e as tampinhas vedantes que escondem o SIM, cartão microSD (até 128GB) e entrada microUSB. O SIM é, atenção, do tamanho NANO, o que faz todo o sentido. Este Z3C é, desta forma, imune à água e às poeiras. Extraordinário é o facto da ficha para os fones ser aberta e não vedada, norma que vem do primeiro Z1.
As especificações que enchem o olho e não o bolso
O Z3C tem um ecrã de 4,6” de 1280×720 pixels com as normas da “casa”, ou seja, as tecnologias Triluminous e motor X-Reality. É um dos campos em que perde qualidade para o Z3, mas que, como mais pequeno, não interfere em nada na utilização, sendo brilhante, vivo, de extrema qualidade e facilitada leitura mesmo sob o forte sol lisboeta.
O processador é idêntico ao do Z3, um quad-core Qualcomm Snapdragon 801 a 2,5GHz. Tem 2GB de RAM (perde 1GB para o Z3) e a bateria também é mais pequena: 2600mAh.
A câmara é igual, com uns extraordinários 20.7MP e grava vídeo a 1080p… com qualidade 4K! Sim, este pequerrucho de 129g grava 4K. Não por muito tempo seguido, mas grava.
Tem memória suficiente para a vida quotidiana, 16GB que podem ser aumentadas com microSD e corre a última versão KitKat 4.4.4.. De salientar, que os Xperia Z têm todos anunciada a esperada evolução para Android Lollypop de forma oficial. Lá para o início do ano que vem.
As vantagens imediatas de um Z
Para os mais desportistas, malta da piscina ou do running debaixo de chuva, esta questão de ter um smartphone à prova de água é por demais importante. Principalmente quando aguenta meia hora até uma profundidade de metro e meio. Podem vir enxurradas repentinas que varram Lisboa que podemos continuar a falar ou a navegar na Net.
O tamanho compacto agrada a muita gente, principalmente quem se habituou às eternas 4” dos iPhones (aliás, o grande e único adversário dos ZC), e é perfeito para mãos mais pequenas ou, porque não dizê-lo, para o sexo feminino. Mas cuidado, pois tende a esconder-se no meio das, enfim, coisas que se encontram nos sacos de transporte a que as senhoras chamam carinhosamente de malas. Contudo, e para mim, é demasiado pequeno. Os meus “dedos” e a sua extrema “perícia” são já fonte de chacota entre os meus colegas jornalistas e bloguers tech, pois são feitos para ecrãs de 5 a 6” e não para unidades tão equilibradas e elegantentemente compactas. Fora de brincadeiras, há que ter algum cuidado na escolha de um ecrã e convem escrever uma SMS ou um texto, assim como varrer os menus, com a nossa própria mão. O que pode ser perfeito para uns, não o será para todos. Por outro lado, é um telefone que se deixa “manobrar” por uma só mão. E essa é uma das maiores vantagens deste Z3C para a maioria dos smartphones (reparem que nem ousei escrever concorrentes ou adversários directos, pois pura e simplesmente… não existem).
A qualidade de ecrã pode, no papel, desiludir quem deseja o topo tecnológico. Mas estes 720 pixels chegam e sobejam para as 4,6”. Ok, não têm o brilho sempre “puxado” dos coreanos, nem chega à altíssima resolução dos manos Z2 e Z3, mas é mais que suficiente para uma utilização multi-usos. A Sony apresenta sempre, quanto a mim, uma qualidade de imagem mais realista, com tons densos mas neutros e cores, se bem que vibrantes, bem mais naturais que as da Samsung ou LG, para citar exemplos lógicos. Prefiro assim, este tom mais frio e azulado que posso sempre puxar mais um pouco com o controlo manual.
A Câmara
O que dizer quando, versão após versão, os Xperia Z têm uma das melhores câmaras do mercado? E se é mais ou menos “natural” olhar para os Z2 e Z3 e perceber que, com aquele tamanho, cabe tudo lá dentro, não se esperava que a versão compacta não fizesse concessões neste campo. Mas é verdade! O Z3C tem a mesmíssima câmara que o Z3, com uns esplenderosos 20,7MP, objectiva G e Flash LED de dois tons.
Tecnicamente, há muito jargão técnico para escrever, mas julgo que mencionar o ISO até 12800, o modo HDR (mas só em fotos até 8MP), todos os modos manuais que encontramos numa compacta avançada e as muitas Apps já instaladas (destaque para o desfoque do fundo, o Sound Foto (imagem fixa com alguns segundos de som de fundo, muito divertido), modo Multi-Câmara (possibilita gravar a mesma cena de vários ângulos no nosso ecrã), o já clássico Sweep Panorama e os Efeitos RA (animações que podemos montar em cima do vídeo ou foto), o novo Diversão RA (mais ou menos o mesmo), Ambas Câmaras (um PiP da câmara frontal, portanto nós, em cima da imagem maior), Timeshift Video (câmara lenta e timelapse), Live on Youtube (bem verdade, filmamos directamente para o YT, excelente para intervenções, entrevistas, reportagens, etc.) e, para não me alongar, o botãozinho mágico 4K que nos garante a máxima qualidade possível na gravação vídeo, embora limitada por tempo para não sobreaquecer o equipamento. E ele fica quentinha, principalmente se com as redes ligadas e GPS.
Existem mais Apps, algumas pagas, disponíveis na loja da Sony. E garanto-vos, tudo isto complementa criativamente os Xperia Z, dando-lhes mais autonomia e possibilidades criativas e qualitativas na captação de imagens. O menu é complexo, mas também, com tantas e tantas opções, não poderia ser básico. Requer alguma aprendizagem mas vale muito a pena.
A qualidade é soberba. As fotografias são típicas de uma boa câmara dedicada, nunca de um telefone. Nitidez, contraste, cores fantásticas e efeitos criativos, tudo num pacote compacto. Não se pode pedir mais.
O Som e a Imagem
Estamos a falar de um completo Walkman profissional com serviços dedicados de música (Music Unlimited) e filmes. É muito fácil criar playlists e seleccionar a música pretendida. A qualidade áudio está ao nível de um excelente reprodutor MP3.
Quanto a vídeo, as 4,6” são curtas. Se bem que a qualidade esteja lá, admito que a tela é demasiado pequena para se ver filmes em condições. Mas mais que suficiente para os Youtubes cada vez mais presentes na vida.
As novidades
O Lifeblog é a App desejada para os Runners. Conta calorias, batimento cardíaco, passos dados, quando dormimos e acordamos, por onde andamos, as músicas que ouvimos e as fotos que tiramos, onde, quando e como, um perfeito exemplo de base de dados que a CIA tanto gasta para conseguir. As mesmas características de uma SmartBand.
Mas é o Sony Remote Play (também já disponível para o Z2) que, combinado com um comando, transforma os novos Z num complemento da Playstation 4. Podemos largar a consola e continuar o jogo no smartphone como se nada fosse. Ainda não experimentei…
Continua a ser o melhor compacto? A conclusão:
Sim! É o melhor compacto da actualidade mantendo a tradição do anterior Z1C. Este pequenito é um portento tecnológico, pois temos sempre de pensar na sua dimensão e em tudo o que lá está dentro. A bateria, com o modo Stamina, é fenomenal e aguenta dois dias em utilização comum, a câmara é absolutamente fantástica, a qualidade de construção idem, as Apps mais que suficientes.
Quero mesmo encontrar um ponto negativo. Não consigo.
PVP: (aprox) 500€ livre de operador












