
Ahhhh, o 3D, as três dimensões, os óculos de papel com um plástico azul para um olho e outro vermelho para o restante. Ahhh, a experiência prometida de uma realidade quase palpável mas que, em todas as suas versões, acabou por ser um fiasco. Mas “eles” não desistem e agora há uma nova promessa!
O anáglifo ou visão 3D consiste em juntar duas imagens tiradas ao mesmo tempo com uma diferença de ângulo. O efeito de volume é obtido usando dois filtros de cores diferentes, geralmente azul e vermelho. Se essas cores forem movidas sobre um suporte plano, como um cartão ou filme, os filtros poderão reingressar na imagem e também dar-lhe profundidade.
As marcas que apostam no “novo” 3D
Samsung, Acer, Lenovo e outros gigantes estão a apostar tudo numa nova geração de ecrãs tridimensionais — sem necessidade de óculos. Será que é desta que o 3D vinga?
No mundo da tecnologia, não há segunda oportunidade para uma má primeira impressão. E o 3D, esse eterno “regresso anunciado”, sempre tropeçou no mesmo obstáculo: óculos desconfortáveis, experiências inconsistentes e um catálogo de conteúdos limitado. Mas os ventos mudaram, e a era do 3D sem óculos chegou — e com ela, uma promessa renovada de imersão, realismo e… um pouco de magia visual.
O regresso do 3D — sem vergonha nem acessórios

Hoje, monitores, portáteis e tablets estão a adotar uma nova geração de tecnologia tridimensional que finalmente dispensa óculos especiais. A Samsung lançou recentemente o Odyssey 3D, um monitor gaming de 27’’ que utiliza tecnologia da Leia Inc., empresa nascida nos laboratórios da HP, especialista em ecrãs 3D com “sweet spot” alargado — ou seja, zonas de visualização mais amplas e confortáveis.
O segredo? Uma combinação inteligente de câmaras de seguimento ocular com lentes lenticulares e uma camada ótica mutável que alterna entre 2D e 3D. Tudo gerido por inteligência artificial que prevê os teus movimentos faciais em tempo real. A experiência é surpreendente: uma profundidade realista sem qualquer acessório. Simplesmente liga e vê.
Porque é que o gaming está a puxar esta revolução
Curiosamente, não são os cinemas nem os fabricantes de televisores que estão a liderar esta nova era, mas sim o universo gaming. Acer e Lenovo já lançaram laptops com ecrãs 3D opcionais, e a Samsung fez um inquérito interno junto dos seus gamers mais hardcore — 62% apontaram a “imersão avançada” como a principal exigência para os próximos monitores. O resultado? O Odyssey 3D chega com um preço premium (2.000 €), mas é o primeiro de muitos.
Os jogos modernos são, afinal, nativamente tridimensionais. A conversão para este novo 3D é, por isso, natural. E mesmo conteúdos mais simples — como fotos, vídeos ou reuniões Zoom — podem ser convertidos com algoritmos de machine learning, acrescentando profundidade a conteúdos previamente planos. Ainda não é perfeito, mas é um salto gigantesco em relação ao 3D das décadas passadas.
Mais do que jogos: o 3D como extensão emocional
David Fattal, CTO da Leia Inc., afirma que o 3D pode ser uma forma poderosa de transmitir ligação humana: “Tirar fotos e vídeos em 3D dos meus filhos fez-me perceber o poder emocional desta tecnologia.” O objetivo? Tornar o 3D um standard em smartphones — para chamadas, vídeos, redes sociais e memórias com profundidade real.

Este futuro está mais próximo do que se pensa. Apple e Google já mostraram sistemas de vídeo espacial e chamadas com avatares tridimensionais (como o Google Beam). A Apple, com o Vision Pro, abriu portas ao quotidiano imersivo — e sem os jogadores mais curiosos das primeiras gerações VR, nada disso teria sido possível.
E as TVs 3D? Esquece… por enquanto
Apesar do entusiasmo, os atuais ecrãs 3D funcionam essencialmente para um utilizador de cada vez — o que afasta, para já, o regresso das TVs 3D à sala de estar. Mas os monitores estão em alta. A Samsung já prometeu “triplicar” a oferta de modelos 3D nos próximos dois anos. Uma aposta que parece não ser passageira.
Esta nova vaga do 3D não é para entreter com gimmicks: é para integrar-se no teu fluxo de trabalho, no teu entretenimento e, quem sabe, nas tuas emoções. Ao contrário das tentativas passadas, agora há inteligência por detrás da profundidade — e isso pode mesmo mudar o jogo.
Bem-vindo ao novo 3D. Sem óculos, sem truques, e (finalmente) com estilo.





