
A Xiaomi volta ao topo da China com smartphones, bate recordes com IoT e já mete medo com os seus automóveis premium
Sim, a Xiaomi não é só telemóveis. E sim, em 2025, parece querer ser tudo — marca de smartphones, referência em IoT, rival da Tesla e ainda força dominante no ecossistema de apps e serviços. Com 13,6 mil milhões de euros de receita só no primeiro trimestre e um lucro líquido ajustado de 1,3 mil milhões, Lei Jun e companhia não estão apenas a surfar a onda — estão a construí-la.
Depois de uma década, a Xiaomi volta ao primeiro lugar na China. E com estilo.
A marca que há 10 anos era “aquela cópia simpática da Apple”, voltou a liderar as vendas de smartphones na China continental, com 18,8% de quota de mercado, empurrada pela série Xiaomi 15 Ultra — que vendeu 90% mais que o seu antecessor — e por uma estratégia bem pensada de premiumização com pés e cabeça.
O preço médio dos smartphones Xiaomi subiu para os 148€ (o que é um salto face à imagem “low cost” de outros tempos), mas com boas razões: mais tecnologia, mais ecossistema, mais integração com IA — e uma experiência polida, onde o hardware é só metade da história.
Segmento IoT e eletrodomésticos inteligentes em modo foguete
Se achas que a Xiaomi só se mexe com telemóveis, vê isto:
- Receita de IoT e lifestyle cresceu 58,7% YoY, atingindo 3,9 mil milhões de euros
- Frigoríficos: +65%
- Máquinas de lavar: +100%
- Ar condicionado: 1,1 milhões de unidades vendidas
Num trimestre que costuma ser morno para eletrodomésticos, a Xiaomi parece ter descoberto o microclima certo.
A somar a isso, 943 milhões de dispositivos conectados na sua plataforma AIoT, 106 milhões de utilizadores activos mensais da app Mi Home e um exército cada vez maior de fãs com mais de 5 gadgets Xiaomi em casa. O domínio da sala de estar já não é só da televisão.
Xiaomi SU7: o elétrico chinês que já faz suar a Tesla
O SU7 está a dar nas vistas — e não só pelas linhas musculadas ou pelo preço competitivo. Com 75.869 carros entregues num só trimestre, a Xiaomi está a cumprir o plano para entregar 350 mil veículos até final do ano. Isto sem contar com o novo YU7, um SUV de luxo e desempenho que entra a rasgar no segmento premium.
Em Abril, o SU7 liderou as vendas nos segmentos acima dos 24.000€ na China. E o SU7 Ultra, que começa nos 61.000€, já está a virar cabeças — com especificações que rivalizam os modelos europeus.
A infraestrutura de vendas acompanha o ritmo: 235 centros de vendas de EVs em 65 cidades. Uma Xiaomi cada vez mais presente… e motorizada.
Tablets, earbuds, pulseiras: os pequenos gigantes que não param de crescer
Nos bastidores, outros números impressionam:
- Tablets Xiaomi cresceram 56,1% YoY e já estão no Top 3 mundial
- Pulseiras (Mi Band): nº 1 global
- Earbuds TWS: nº 2 no mundo, nº 1 na China
Cada segmento é uma frente de batalha que a Xiaomi está a vencer. A estratégia é clara: se não temes o telemóvel, hás-de precisar de outro gadget… e ele será Xiaomi.
Internet, serviços e IA: a Xiaomi também quer ser Google
O segmento de serviços de Internet cresceu 12,8% YoY e atingiu uma margem bruta de 76,9% — algo raro fora do mundo das big tech ocidentais. Estamos a falar de 718 milhões de utilizadores mensais globais, dos quais 181 milhões só na China continental.
O Assistente de IA da Xiaomi atingiu os 146,7 milhões de MAUs. Aqui, o jogo não é só hardware — é domínio de plataforma. A Xiaomi está a construir um ecossistema fechado e auto-sustentável, onde cada novo utilizador reforça todos os serviços existentes.
Investimento brutal em I&D e um chip próprio: o XRING O1
Querem provar que são grandes? 24,4 mil milhões de euros será o total investido em investigação e desenvolvimento até 2030. E já começaram: no primeiro trimestre foram 818 milhões investidos, com mais de 21 mil engenheiros e 43.000 patentes no activo.
Mas o verdadeiro momento “nós também sabemos fazer chips” chegou em Maio: a Xiaomi apresentou o XRING O1, um SoC de 3nm feito in-house, que já equipa tablets e smartphones. O primeiro passo para deixar de depender da Qualcomm… e ser totalmente independente?
A Xiaomi quer ser tudo. E talvez consiga.
A Xiaomi começou por fazer smartphones baratos e bons. Hoje, está a construir um império tecnológico multisectorial que junta telecomunicações, eletrodomésticos, carros, IA, software, chips e serviços em nuvem.
É uma marca que desafia o rótulo de “marca chinesa” para se tornar num ecossistema global que concorre com Apple, Samsung, Google, Tesla e LG… tudo ao mesmo tempo.
E pelos vistos, está a ganhar.






