
A XTB lançou uma análise muito interessante sobre esta situação.
Quando uma start-up como a Perplexity surge com uma oferta de 34,5 mil milhões de dólares para comprar o Google Chrome, não é apenas o valor que nos faz franzir o sobrolho. É todo o contexto e, sobretudo, o momento.
Estamos a meio de um processo antitrust nos Estados Unidos, em que se discute seriamente separar o Chrome da Alphabet como forma de reduzir o seu poder de mercado. O juiz Amit Mehta poderá decidir ainda este mês, e a Perplexity aproveitou a maré para lançar uma proposta que dificilmente terá pernas para andar, mas que cumpre um objetivo: aparecer no centro do debate.
O Chrome é, para a Google, muito mais do que um navegador. É um canal de recolha de dados, um distribuidor de tráfego para o motor de busca e um catalisador de toda a sua máquina de publicidade e inteligência artificial. Perder este activo seria um golpe na integração vertical que sustenta grande parte da receita e inovação da empresa.
A XTB avalia três cenários:
- Defesa total – A Alphabet mantém o Chrome, usando recursos jurídicos e lobbying para travar qualquer medida forçada.
- Venda parcial ou spinoff controlado – Uma cisão que mantém o motor de busca e outros serviços ainda ligados ao Chrome, mas com maior independência formal.
- Venda total forçada – O cenário mais disruptivo, que obrigaria a Google a reforçar outros activos como Android, Pixel, YouTube e IA generativa para compensar a perda.
Mesmo que a Perplexity diga ter investidores prontos, é difícil levar a sério a compra de um activo avaliado entre 20 e 50 mil milhões por uma empresa que vale, no máximo, 18 mil milhões. É um movimento mais próximo do marketing do que de uma estratégia de aquisição real.
No entanto, a jogada cumpre o papel de pressionar a Alphabet e alimentar o discurso regulatório de que o Chrome é demasiado dominante. Se a venda alguma vez acontecer — o que considero altamente improvável —, será porque o tribunal o determinou, e não porque a Google quis. Até lá, veremos mais manobras como esta, em que a percepção pública e a pressão política são tão importantes quanto os números.





