Os World Sports Photography Awards, patrocinados pela Canon, anunciaram a vencedora absoluta da edição recorde de 2026, e a escolha não podia ser mais simbólica do poder visual da fotografia desportiva contemporânea. A imagem “Carlos’ Shadow Hits A Ball”, captada pelo fotógrafo Edgar Su, foi distinguida como a melhor fotografia desportiva do ano, numa competição que se afirma como a principal referência global exclusivamente dedicada a este género.
A fotografia retrata Carlos Alcaraz em pleno jogo durante a quarta ronda do Open da Austrália de 2025, em Melbourne, frente ao britânico Jack Draper. Mas não é apenas uma imagem de ténis. É uma composição visual onde sombra, gesto, luz e movimento se fundem numa narrativa gráfica quase abstracta, transformando um momento técnico num ícone visual.
Uma imagem que vai além do desporto
“Carlos’ Shadow Hits A Ball” não vence apenas pela acção. Vence pela leitura estética do desporto. A sombra projectada transforma o corpo em forma, o movimento em linguagem visual e o jogo em composição artística. É fotografia de desporto que ultrapassa o registo documental e entra no território da interpretação artística.
Não é apenas Alcaraz a bater na bola. É o gesto humano transformado em imagem simbólica. É aqui que a fotografia desportiva deixa de ser registo e passa a ser narrativa.
Uma edição histórica dos World Sports Photography Awards
A edição de 2026 foi a maior de sempre na história dos prémios. Foram submetidas 23.130 imagens, por 4.120 fotógrafos, provenientes de 123 países. Números que não são apenas estatística, são um reflexo da globalização da fotografia desportiva e da sua maturidade enquanto disciplina criativa.
Além da vencedora absoluta, foram distinguidas 24 imagens vencedoras de categoria, cobrindo modalidades como futebol, atletismo, basebol, equitação, golfe, desportos de raquete, desportos de inverno, futebol americano e muito mais. Um verdadeiro mapa visual do desporto mundial contemporâneo.
Fotografia desportiva numa era tecnológica
Num momento em que a tecnologia evolui rapidamente, esta edição reforça uma ideia simples: equipamento não substitui olhar. A sofisticação técnica é importante, mas continua a ser o fotógrafo a fazer a diferença.
A Canon, enquanto patrocinadora dos prémios, assume aqui um papel claro: não como protagonista, mas como facilitadora. Tecnologia como ferramenta, não como protagonista criativo. O talento continua a ser humano.
Como referiu Richard Shepherd, responsável de marketing de produto de imagem da Canon Europa, as imagens premiadas mostram fotógrafos “no auge da sua criatividade”, a desafiar limites e a olhar o desporto de forma diferente. A tecnologia existe para suportar essa visão, não para a substituir.
Quando o desporto se torna linguagem visual
O que estes prémios demonstram é algo mais profundo: a fotografia desportiva deixou de ser apenas reportagem. Hoje é cultura visual, é identidade, é linguagem estética. Os fotógrafos de desporto são hoje criadores visuais, não apenas repórteres de campo.
E imagens como a de Edgar Su mostram exactamente isso: o desporto como matéria-prima para criação artística.






