BEN Builders: o futuro da mobilidade portuguesa começa com LEGO e imaginação
A CEiiA decidiu fazer algo raro no universo tecnológico, onde tudo parece já formatado e previsível, ao devolver a criatividade à sua origem mais pura, colocando jovens, famílias e escolas a imaginar o futuro da mobilidade através do BEN, um projecto nacional que pretende redefinir a forma como nos movemos nas cidades.
BEN Builders, quando a mobilidade começa na imaginação
A iniciativa BEN Builders, que arranca em Matosinhos, não é apenas uma competição nem um exercício pedagógico isolado, mas sim uma extensão natural de um pensamento que mistura engenharia, sustentabilidade e uma visão quase utópica de cidades mais humanas, onde a mobilidade deixa de ser um problema e passa a ser parte da solução.
Durante dois dias, equipas organizadas em categorias como Friends, Family e School vão construir versões do BEN utilizando peças LEGO, num ambiente que antecipa o futuro BEN LAB, um espaço que promete transformar ideias em protótipos e conceitos em realidade industrial.
O BEN é muito mais do que um carro eléctrico

O BEN não nasce como mais um veículo eléctrico num mercado já saturado de promessas verdes, mas sim como um conceito radical que tenta resolver vários problemas ao mesmo tempo, desde a ocupação excessiva do espaço urbano até à necessidade urgente de reduzir emissões sem sacrificar mobilidade.
Pode ser conduzido a partir dos 16 anos, mas o que realmente o distingue não é a acessibilidade, é a filosofia por trás do projecto, baseada na partilha da utilização e na desmaterialização da posse, algo que coloca o BEN mais próximo de um serviço do que de um produto.
A sua arquitectura assenta numa plataforma digital chamada SPIRIT, que define o comportamento e as funcionalidades do veículo antes mesmo de existir fisicamente, permitindo uma integração natural com serviços urbanos, transportes públicos e novas formas de mobilidade que ainda estão a ser desenhadas.
LEGO como linguagem universal da inovação
Existe aqui um detalhe quase poético que faz todo o sentido: muitos dos engenheiros e designers que hoje trabalham no BEN começaram por construir mundos com LEGO, e é precisamente essa ligação que o CEiiA decidiu recuperar, transformando uma memória colectiva numa ferramenta concreta de inovação.
A utilização de LEGO não é apenas simbólica, é também funcional, porque permite testar ideias rapidamente, visualizar soluções e, acima de tudo, errar sem consequências, algo que o mundo real raramente permite.

Sustentabilidade sem discurso vazio
Num tempo em que a palavra sustentabilidade é usada até à exaustão, o BEN tenta fazer algo mais difícil: provar que é possível criar um sistema de mobilidade que não só reduz emissões durante a utilização, mas que também compensa a sua pegada de produção ao longo do ciclo de vida.
Isto coloca o projecto num território interessante, onde deixa de ser apenas mais uma solução “verde” para passar a ser uma proposta estrutural para cidades que precisam urgentemente de reinventar a forma como funcionam.
De Matosinhos para o mundo
Apesar de nascer em Portugal, a ambição da BEN Builders não se limita ao território nacional, com planos já definidos para levar esta iniciativa a geografias tão distintas como Japão, Brasil, África e Itália, numa tentativa clara de transformar um projecto local num movimento global.
Esta expansão revela algo importante: a mobilidade não é um problema exclusivo de uma cidade ou de um país, é uma questão global que exige soluções adaptáveis, criativas e, acima de tudo, humanas.
Mais do que uma competição, um laboratório de ideias
No final, cada equipa terá de apresentar a sua visão num pitch de cinco minutos, onde o objectivo não é apenas mostrar um modelo construído, mas sim propor novas aplicações para o BEN nas cidades do futuro, explorando conceitos como partilha, eficiência e integração urbana.




