Não é por acaso que escrevo sobre este tema nesta semana entre excessos alimentares e outros. E nós, portugueses, sabemos bem que viver no “cantinho das coisas boas” faz com que sejamos grandes conversadores e adoremos estar horas à mesa. Falo por mim, o meu recorde é de 14 horas contínuas nos Pézinhos na Areia, lá nos Algarves, que começou com quatro convivas pelo meio dia e ao final da noite, pelas duas da manhã, já ia numa dúzia. E sim, é desses dias que se fazem as memórias boas.
Mas…
Cada vez mais, a luta social e do que parece bem, está concentrada no ataque aos que preferem algumas coisas boas da vida, como a mesa bem regada de iguarias e conversa. Não há mesmo hipótese e os ataques vêm de todo o lado, sejam revistas, anúncios, filmes, roupa, modelos, tudo é imagem, tudo é lipoaspiração, tudo é para encher o olho.
Curiosamente, algumas das pessoas que atacam os “venenos” ingeridos pelos menos elegantes são aquelas que se injectam com puro… veneno, sob o nome de botox e de uns quantos comprimidos, e que se deixam manobrar por conselheiros de imagem, nutricionistas, magos anti-celulite, dentistas que de branco só têm o esmalte, enfim, por todo um sub-mundo tão complexo e poderoso que domina um mercado de muitos biliões de dólares e euros.
Os menos elegantes (e não falo das pessoas que têm doenças graves, tanto psíquicas como físicas), estão encurralados e só têm duas hipóteses> continuarem na sua vidinha cheia de coisas boas mas que acarreta problemas complicados de gerir, principalmente para o tráfego do sangue sem obstruções, ou tentar mudar alguns hábitos e ter uma vida mais activa sem os exageros dos ginásios que levam a contraír outro tipo de doenças psíquicas e físicas.
O equilíbrio é algo muito difícil de se conseguir e as marcas (principalmente as farmacêuticas) têm tentado todo o tipo de soluções e bajulamentos, com muita mentira pelo meio e muitos esqueletos no armário.
Sem que nada o previsse, e durante os últimos anos, é a tecnologia e algumas das suas invenções que têm tomado o pulso dos menos crentes e mudado alguma coisa. É bem verdade, sejam relógios com contadores de calorias, sapatilhas com GPS, sites plenos de gamification e arte de seduzir o “jogador” a conseguir ultrapassar mais um obstáculo, há armas novas e menos “inimigas” do bem estar, pois permitem que cada um escolha o seu ritmo, grau de exigência e meta a atingir.
Recentemente, um estudo norte-americano da Universidade NorthShore e publicado na revista científica Archives of Internal Medicine, levou a cabo uma experiência que teve resultados muito interessantes: contou com a colaboração de 69 adultos obesos ou que para lá caminhavam e dividiu-os aleatoriamente em dois grupos. Todos tiveram sessões quinzenais com tudo o que era médico e conselheiro, desde nutricionistas e psicólogos a médicos, mas apenas um grupo recebeu smartphones ou tablets para apontarem o consumo diário de calorias.
Conclusões? Os felizardos que tiveram prendas tecnológicas perderam mais peso no final dos 12 meses de angústia e esforço!
E mais: ao fim do primeiro trimestre, 36% dessa metade já tinham mandado abaixo 5% do seu peso enquanto que os, neste caso, info-excluídos, ficaram na mesma.
Para os médicos que seguiram a experimentação, a tecnologia é um factor determinante para o sucesso de uma dieta, pois convida de uma forma não negativa à mudança de comportamentos de risco. E há o jogo, esse trama que cativa qualquer ser humano, nem que seja para conseguir mais um prémio ou bater mais um recorde.
Oferta diversificada
É já um mundo de multi-opções e como é individual, pois traçamos nós próprios parte do que queremos fazer e objectivo a atingir, pode ser feita através do computador lá de casa, dos smartphones e tablets, dos próprios ténis/sapatilhas de corrida, de anéis e pulseiras, relógios específicos, um sem mundo de apps e utilidades com um crescimento a médio prazo avassalador!
Logicamente que tudo tem de ser controlado por um profissional e é nefasto querer seguir uma dieta própria, mas desde que se siga um plano profissional já com a noção que estas novas ajudas existem, tudo começa a parecer ser mais fácil.
Na realidade não o é, pois nenhuma dieta ou mudança comportamental é conseguida sem o máximo esforço e força de vontade, mas que já ajuda, é inegável.
Apps
Existem até portais, como o AppBrain com inúmeras aplicações para tudo e mais alguma coisa, e depois outras entre dezenas ou centenas. É fazer uma pesquisa. Aqui ficam alguns exemplos:
Portal Saúde e Fitness para Android com múltiplas opções
Portal Nike Plus
Fitocracy para desktop e iPhone
Fitness@home para WindowsPhone 8
My Fitness App F para WindowsPhone 8
e milhares de etecéteras…








