A ideia de ter uma câmara sempre a observar e a gravar imagens e vídeo da nossa mundana vida, está associada aos filmes ou séries de ficção (não tanto) científica desde há anos, mais eis que a Canon, num repente, aposta exactamente nesse conceito com a nova Canon Powershot PX. E o mundo pode mudar.

Podemos ir buscar Huxley, K. Dick, Carpenter, tantas dezenas de famigerados futuristas que já tinham imaginado uma distopia em que todos somos o servant e não o master, e, para ser sincero, já a vivemos desde que comprámos o primeiro smartphone, que nos ligámos ao router, que pressionámos e memorizámos a nossa impressão digital ou a íris, sempre na conversa de ser mais rápido e fácil.
O problema, como vi ontem na nova série “A mulher de antes / The Girl Before” de J.P. Delaney na HBO Max, é quando a “vítima” questiona quantas câmaras a filmam dentro da casa inteligente e a resposta de quem a construiu é “tu tens uma câmara e um microfone no telemóvel, no computador, no televisor e agora é que te preocupas?”
Da ficção à realidade da Canon Powershot PX
Na verdade esta dinâmica está muito presente na nova Canon. Afinal é uma câmara ou um robot? O conceito é inovador em termos de mercado, mesmo tendo surgido num dispositivo lançado pelo Google e descontinuado a partir de Outubro de 2019 que se denominou Google Clips. Esse dispositivo podia ser colocado numa plataforma plana para tirar fotografias directamente para a frente, ou preso a um colar ou “cortado” à roupa de um utilizador para tirar fotografias em movimento.
Ora a Powershot PX faz mais ou menos isto: basta pousá-la num qualquer local e ela trata “da nossa vida”.

Mas afinal, como funciona a PX?
A Canon PowerShot PX é uma câmara inteligente que pode ser colocada em qualquer lugar da casa para captar automaticamente imagens de 11,7MP e vídeo Full HD de 60p.
Também dispõe de reconhecimento facial, procura automática de rostos para manter as pessoas dentro do quadro e usa comandos de voz.
A lente de 19-57mm pode fazer pan, tilt (110 graus de movimento vertical e 340 graus de movimento horizontal) e zoom. Todas estas imagens são guardadas num cartão de memória e o Wi-Fi, juntamente com o carregamento USB-C, está incorporado. Aliás, a Canon oferece um Starter Pack com a PX, um cartão de memória e um carregador USB. Cool.



Movimentos artificialmente inteligentes
A PX está dividida em duas secções principais. A primeira assenta numa base sobre a qual pode rodar, a segunda é a própria câmara cujo conjunto/corpo pode mover-se para cima e para baixo, oferecendo uma grande área de cobertura, para que nos possa observar, fotografar ou filmar sempre que estivermos ao seu alcance visual.
Como já escrevi e repeti, a câmara funciona automaticamente mas também pode ser operada por comandos de voz e controlos no ecrã de um smartphone emparelhado e através da aplicação oficial.
Atenção à APP
Aliás, muita atenção à APP que permite funcionar com a PX, pois como utilizador de uma EOS M50 e da sua própria APP para Windows, perdi dias a tentar a conectividade com a PX sem perceber que esta nova Canon tem uma APP específica para trabalhar e que é a MINIPTZ!
A aplicação para iOS ou Android também permite ao utilizador seleccionar fotografias e vídeo para guardar e armazenar no cartão de memória da câmara.



Conectividade
A PX funciona tanto com WiFi como com Bluetooth para conectividade sem fios, além de USB-C que serve para carregar a bateria.
No manual vem escrito que ao utilizar a aplicação utilitária Canon webcam, a PX pode ser usada como uma webcam. Mas, por erro meu ou por ter inúmeras câmaras memorizadas no PC, nunca consegui fazer um Zoom ou uma conferência, pelo computador, atenção, servindo-me dela como webcam. Poderá ser um qualquer driver que falte ao Windows 11 e que esteja disponível no 10, mas, de facto, perdi algum tempo com esta situação que, por acaso, era das que mais queria ver.
Sim, consegui gravar imagens da PX pelo computador, e brinquei com o facto de me perseguir quando me movimentava (ver vídeo), mas, lá está, nunca o consegui pelo Zoom. Talvez numa próxima oportunidade.

Para quem serve
Imaginem uma festa, Natal, aniversário, fim de ano, qualquer coisa, que reúna muitas pessoas. Geralmente, como sempre tive câmara de vídeo ou fotográfica, era eu quem passava a festa a tirar ou gravar os bonecos. É rara a foto onde estou, ou seja, toda a minha adolescência pode ser contada por cerca de 100 fotografias ao invés de 10.000. E sempre a fazer caretas.
A Canon PX é ideal para estas situações. Deixamo-la estar em cima de um móvel, ptrateleira, cómoda, etc., e vamos mas é à festa.
A PX está programada para o reconhecimento de voz até cinco comandos, o que nos garante liberdade de movimentos e até de operação.
Se a deixarmos estar quieta, ela capta expressões e reacções naturais de todo o grupo ou apenas de quem já lhe memorizámos, como a família e os amigos chegados. Sim, podemos ser egoístas. Afinal, a câmara é de quem a tiver.
A aplicação recomenda certas fotos para guardar, mas podemos fazer selecções manuais.

Concluindo
Em termos práticos e para momentos de folia, a Canon PowerShot PX é uma “evolução social”. É também nossa amiga, pois faz o trabalho de um fotógrafo enquanto nos estamos a divertir. E como não sabemos quando capta, escusamo-nos a fazer caretas, o que até pode resultar em fotografias com alguma dignidade.
A inteligência artificial funciona após memorizar os rostos e vai à procura deles mesmo no meio de uma pequena multidão. Ok, isto não funciona tão bem como no papel, pois a PX precisa de alguns segundos para reconhecer uma cara e fotografá-la. Se existir muito movimento ou muito pessoal aos saltos, a coisa é mais difícil.
No entanto, para quem tem uma vida social activa e gosta de ficar com essas memórias, esta pequerrucha pode ser a câmara ideal para depois mostrar a festa nas redes sociais.

Mas também há que ter cuidado.
Como câmara que é, não sabe que é perigoso fotografar crianças, ou filmá-las, e há que ter um filtro para escolher as fotos onde elas não aparecem antes de as dar ao mundo. E esse filtro chama-se mãe babada ou pai desnorteado. A inteligência artificial é ainda artificial.
Tal como o mundo que Huxley, K. Dick e restantes imaginaram, não queremos ser um alvo para “mais tarde recordar”, certo?
Mas numa frase final, esta PX é fenomenal!
Análise Canon PowerShot PX – YouTube
Preço
480€






