Quando se abre pela primeira vez um laptop com ecrã OLED, os nossos olhos parece que viajam 10 anos para o futuro, tal o aumento da qualidade de imagem, brilho e cor com que somos brindados. É esta a noção que se tem com o Asus Zenbook 14X OLED, um novo modelo que vem na senda dos gloriosos ZenBook Pro Duo 15 OLED e o ZenBook Flip S.
O Asus ZenBook 14X é a mais recente adição à sempre crescente linha ZenBook 14 da ASUS. Junta-se a outros como o ZenBook Duo 14 de ecrã duplo e o ZenBook 14 UX425 mais básico.

Design do ASUS ZenBook 14X OLED
O visual está na linha da marca, muito fino, muito leve, com chassis em metal, o ecrã quase sem moldura e um enorme trackpad, que na verdade se chama ScreenPad, que só ele é todo um tratado de tecnologia.
O ecrã OLED HDR NanoEdge de 14 polegadas é táctil e tem resolução de 2880 x 1800 pixels e a marca garante que cobre 100% do espaço de cor P3. Tem validação Pantone e 550 lumens. A conclusão é apenas uma: ficamos boquiabertos assim que o ligamos tal a extraordinária diferença para o que estamos habituados nos modelos com ecrãs tradicionais. E sim, o OLED faz muito mais diferença num portátil que num smartphone.



Com 16,9mm e 1,4kg não é o mais leve dos ZenBooks de tamanho semelhante. Mas não me importo nada com isso quando olho para as ligações: duas portas USB-C Thunderbolt 4, uma porta HDMI 2.0b de tamanho completo, uma porta USB 3.2 Gen 2 Type-A, uma tomada de áudio de 3.5mm e um leitor de cartões microSD.
Mais: existe dentro do corpo uma mais valia a que não podemos ficar indiferentes: uma gráfica NVIDIA GeForce MX450! E esta?
Por último, salientar que a dobradiça Ergolift permite a abertura num ângulo de 180 graus.

Teclado e o fantástico ASUS ScreenPad
As teclas têm um bom tamanho e o layout é bastante convencional – excepto para a coluna adicional de teclas de navegação. Escrever é confortável, pois o teclado é rápido e o som quando escrevemos quase mínimo.
O design ErgoLift da ASUS, que utiliza a base da tampa do ecrã para levantar a base do computador em alguns graus, consegue uma inclinação suave que o torna mais agradável para teclar, sem nunca “afundar” quando o pressionamos com mais força.
O trackpad é o ScreenPad 2.0 da ASUS e pode ser utilizado como um trackpad normal ou como um ecrã secundário.



Mas são as características, múltiplas, deste ecrã que nos fazem perder muito tempo, tanto para nos apercebermos de todas as possibilidades que ele oferece, como também para nos adaptarmos a todas essas mesmas possibilidades.



É que, se por um lado nos deliciamos com os atalhos para funções, programas e aplicações, temos até mesmo Guias de funcionamento, calculadora, quickKey, loja, divisão em grupos de aplicações (drag&drop), jogos, gravador de voz, alarmes, meteorologia e uma curiosa e útil aplicação para desenho com a ponta do dedo, ideal para assinarmos documentos, por outro lado temos sempre décadas de habituação a um trackpad normal e, garanto, não é automático pensar que temos de escolher a função que pretendemos para um determinado momento.



Por exemplo, temos sempre de escolher a função trackpad para o utilizarmos como tal e depois sair dela escolhendo o screenpad para trabalhar noutros aplicativos.
A ideia é espectacular mas não é para todos. Exige muita atenção e uma curva de aprendizagem que só lá vai com o tempo.
Desempenho
A versão que me calhou em análise é a topo de gama com um Intel Core i7 Tiger Laque, 16GB de RAM e um disco com 1TB, para além da citada NVIDIA GeForce MX450.


O desempenho foi geralmente muito bom, mas mesmo com o sistema de arrefecimento IceCool Plus, o ZenBook 14X OLED aqueceu bastante quando fiz renders de vídeos 4K ou transformei um filme em DCP.
É natural que um corpo tão pequeno, mesmo com grandes saídas para dispersar o calor, o acumule mais que o normal. E também é por isso que estes ultrabooks, embora tenham potência para Gaming, não são os modelos indicados para tal.

Duração da bateria
Outra pequena desilusão é a duração da bateria, pois com brilho a 100% e a “bombar” filmes, estar ligado à Net, fazer downloads e escrever uns textos, tocou as cinco horas. É um valor abaixo de outros Zenbooks (como o Ultralight que passou pelas minhas mãos e que chegou a oito horas), mas compreendo que os dois ecrãs sejam responsáveis por esta menor eficácia.

Concluindo
O Asus ZenBook 14X OLED tem argumentos que nos podem fazer abrir os cordões da bolsa porque, com tanta e inovadora tecnologia, o preço nem é disparatado para esta versão.
O ecrã secundário pode ser um factor de venda como o seu contrário, pois não é para todos, a sua praticabilidade exige atenção e aprendizagem e, no final do dia, vejo-o mais num grande portátil de 17” do que num minimalista e leve ultrabook de 14”.
É também devido a tanto poder que o aquecimento se faz sentir, o que não é agradável para quem gosta de escrever com o computador assente no colo. Por outro lado, tem todas as ligações (excepto uma RJ45) para estar actualizado nos próximos anos (thunderbolt 4 e logo duas), uma gráfica decente, RAM suficiente e grande disco.

O processador de 11ª geração é muito potente mas, sabemos também, que a Intel pede mais energia e também a gasta.
Temos portanto que nos deixar ir pela extraordinária qualidade de imagem e pelo trunfo de um ecrã secundário que pode ser muito útil para alguns utilizadores, mas sempre pensando que há sobreaquecimento quando puxamos verdadeiramente por ele e que a bateria não dura uma eternidade para o que este tipo de ultrabooks consegue oferecer.
Está nas vossas mãos.

Preço
Cerca de 1600€





