Num mundo de gigantes, o pequenote Samsung Galaxy S23 destaca-se pelo seu tamanho diminuto. E isso é bom ou mau? Passo a explicar.
Samsung S23, o David contra os Golias
Talvez cerca de 80% dos smartphones à venda apresentam ecrãs com quase 7”. Quem não se lembra que essa medida era pertença de tablets há apenas década e meia? E se todos nos riamos quando víamos alguém a ter uma conversa com um “tijolo”, na verdade, e intimamente, percebíamos as vantagens de um mega ecrã.
Com o tempo, foram-se os gramas e os “bezels” para hoje um mastodonte com esse ecrã caber em todos os bolsos. E isso é apenas magnífico.
No entanto, pessoas como eu estão fartinhas de transportar um mega telefone, principalmente no verão em que a roupa e os seus bolsos diminuem drasticamente. E, na verdade, ultimamente andava à procura de uma solução que tomasse o lugar do S21 Ultra que me tem acompanhado nos últimos anos mas que já se queixa de tanto labor. E quem está habituado a ter um topo de gama, é difícil (mas não impossível) baixar de grau qualitativo.
Assim parti à procura de um compacto (que faz sempre lembrar os maravilhosos Sony Xperia Compact) que se ajustasse aos meus caprichos. E não é que encontrei?

Os concorrentes do Samsung S23
Encontrei na fórmula mágica do mais pequeno da linha de topo Galaxy, o S23, que difere muito pouco do “irmão do meio”, o S23 Plus, e está bem longe da dinâmica e da S Pen do S23 Ultra.
São diferentes e têm interesses divergentes. A Samsung é capaz de ter pensado em continuar o mais compacto da gama para se ajustar às mãos femininas, geralmente mais pequenas. E, por outro lado, criar um verdadeiro adversário ao iPhone similar.
Mas por um acaso qualquer, vejo que colegas e amigos se apaixonam por este “brinquedo” que, ao lado do S21Ultra, parece ainda mais pequeno do que realmente é.

O título desta análise fala de concorrentes e há, na verdadeira acepção do termo, uns quantos modelos. Permitem-me começar pelo único que se vende em Portugal: o Asus Zenfone 9 que será este mês substituído pelo Asus Zenfone 10: é um adversário à altura e que tem uma grande vantagem (para mim, está claro) que partilha com outro modelo que é para aqui chamado, o Sony Xperia 10V. Ambos têm excelentes câmaras e atributos de luxo mas apresentam uma tomada minijack (3,5mm) que me faz sorrir e agradecer aos deuses do áudio. Ainda existe outro modelo que, tal como o Xperia, só se pode comprar na Amazon espanhola e que é o Google Pixel 7 e o futuro Pixel 8. Podem não ser tão sofisticados (para isso existe a versão PRO), mas são pequenos e permitem todas as operações com apenas uma mão.

Qualidade perceptível
A construção em metal e vidro é fenomenal, a qualidade do ecrã (6.1” AMOLED) entusiasma, apenas o som (estereofónico com duas colunas) não deslumbra, mas ainda bem que lá está.
A qualidade das chamadas é de topo, com os microfones a conseguir proteger-nos do vento e ruídos parasitas, e um único senão é o base de gama ter apenas 128GB de ROM. Um equipamento deste gabarito e com este preço base deveria começar nos 256, e sim, a campanha promocional de lançamento oferecia o dobro da capacidade. Mas isso já lá vai.
No dia-a-dia
A bateria, que poderia ser o calcanhar de Aquiles desta pequena bomba, e que conta apenas com 3900 mAh (mais 200 que no S22), chega e sobeja para um dia de intensa utilização (sem jogos, naturalmente).
Com Gorilla Glass Victus 2 nas duas faces, e mesmo com a traseira em acabamento Mate, o S23 escorrega facilmente da mão e será sempre necessário estragar-lhe o bonito e muito simples design com uma capa decente.
Tudo é fluído, rapidíssimo (120hz), com um ecrã vibrante e colorido (mesmo sob a intensa luz do sol) e a dinâmica proporcionada pelo OneUI é, realmente, fantástica, quando se pode criar um leque de aplicações numa só janela e aproveitar ao máximo o atalho personalizável lateral. Até as notificações são coloridas, com ou sem som, etc.

As câmaras chegam e sobejam (e o final de Julho até lhes acrescentou mais qualidade, com uma actualização de software) para todas as necessidades, do mais automático ao modo mais manual. Temos todo um estúdio fotográfico na palma de uma mão, para além de uma soberba câmara de vídeo 4k/30fps. E sim, as selfies têm filtros e isso.
Uma particularidade que é transversal à gama S, o péssimo reconhecimento da face. Pura e simplesmente não funciona. E quando o comparamos a telemóveis de 500€, como o Pixel 7, só podemos ficar admirados no mau sentido. Felizmente, a impressão digital é ultra rápida e acorda o terminal em milésimos.

Resumindo
Quem quiser saber todas as especificações técnicas, pode carregar aqui. Em jeito de conclusão, é com pena que me despeço deste pequerrucho que me fez a vida nos últimos dois meses. Gosto francamente de tudo nele e, para ser perfeito, só lhe abria um buraquinho de 3,5mm, pois está provado que se pode (pela Asus e Sony).
O preço a que está, neste momento, e que ronda os 660€, é francamente apelativo e faz dele um modelo a ter em conta, pois pouco mais se pode exigir a um smartphone de 2023.
Bom, chegou a hora de entregar, não apenas o que estava para análise, mas os dois. Foram valentes anos com Galaxys na mão e fico com a memória na forma das capas de protecção que lhes fui comprando.




