A Jamo prepara-se para regressar ao panorama internacional do áudio com uma ambição que vai muito além de um simples relançamento, assumindo este novo capítulo como uma verdadeira reconstrução da marca, onde tradição, design e tecnologia voltam a cruzar-se num momento em que o mercado parece cada vez mais dominado por soluções rápidas e descartáveis.
Depois de anos num certo limbo criativo e estratégico, a histórica marca dinamarquesa entra agora numa nova fase sob a liderança conjunta da Cinemaster e da Rayleigh Lab, duas entidades que, apesar de operarem num contexto global bastante diferente daquele onde a Jamo nasceu, parecem compreender que o valor da marca está precisamente naquilo que não pode ser replicado facilmente: identidade, consistência e uma abordagem muito própria ao som.
Um regresso com memória

Fundada em 1968, a Jamo construiu ao longo de décadas uma reputação sólida ao conseguir algo que nem sempre é fácil no mundo do áudio – combinar qualidade sonora com design verdadeiramente integrado no espaço doméstico, sem cair nos excessos técnicos ou visuais que muitas vezes afastam o utilizador comum.
Este regresso não tenta apagar esse passado, antes pelo contrário, procura recuperá-lo e reinterpretá-lo, trazendo de volta uma filosofia que privilegia a simplicidade, a elegância e a funcionalidade, mas agora com uma leitura contemporânea que faz sentido em 2026.
E há aqui um detalhe importante que não deve ser ignorado: a marca volta a apostar no desenvolvimento dinamarquês, algo que, no contexto actual, funciona quase como um selo de autenticidade num mercado globalizado onde tudo tende a parecer igual.
Uma nova liderança, mas com contexto

À frente desta nova fase está Xiaodong Yang, CEO da Cinemaster, que conhece a Jamo por dentro e por fora, tendo já trabalhado de perto com a marca no passado, o que lhe dá uma vantagem rara num cenário onde muitas aquisições resultam em identidades diluídas ou descaracterizadas.
A produção será dividida entre a Dinamarca e a China, uma realidade inevitável nos dias de hoje, mas que levanta sempre a questão do equilíbrio entre escala e autenticidade, algo que a nova equipa terá de gerir com cuidado para não comprometer aquilo que torna a Jamo relevante.
Design escandinavo, mas sem nostalgia vazia
Um dos pilares deste relançamento é o regresso às raízes nórdicas, não como exercício de nostalgia, mas como base para uma linguagem de design que continua a fazer sentido num mundo onde o minimalismo voltou a ganhar força.
A influência da paisagem, dos materiais naturais e da tradição escandinava está presente em todo o processo, desde os primeiros esboços até à afinação acústica final, criando produtos que procuram não apenas soar bem, mas também encaixar naturalmente no espaço onde são utilizados.
E aqui entra um elemento fundamental: a equipa de design, que reúne nomes com experiência em algumas das marcas mais respeitadas do áudio e do design industrial, incluindo contributos de estúdios como o Studio ISO e a HarritSorensen, garantindo que a estética não é apenas decorativa, mas parte integrante da experiência.

Jamo: som para a vida real
Se há algo que mudou profundamente desde os tempos dourados da Jamo, foi a forma como consumimos som, e a marca parece consciente disso ao preparar uma oferta que vai desde sistemas hi-fi tradicionais até soluções mais ligadas ao estilo de vida contemporâneo, onde conectividade, integração e simplicidade são tão importantes quanto a qualidade sonora.
A ideia não é competir apenas com marcas de nicho, mas também entrar em espaços onde o áudio se cruza com o design de interiores, a tecnologia doméstica e a experiência quotidiana, algo que exige um equilíbrio delicado entre desempenho e acessibilidade.
Um novo começo com os pés no passado
O primeiro vislumbre desta nova fase será apresentado no Vienna High End Show, um palco simbólico para uma marca que sempre viveu entre o respeito pela tradição e a vontade de inovar, e que agora tenta provar que ainda há espaço para marcas com identidade num mercado saturado de clones tecnológicos.




