O Kobo Remote é provavelmente o acessório mais bizarro que a Rakuten Kobo alguma vez lançou. É um comando com três botões, muito simples e discreto, que tem apenas uma função: virar páginas num eReader.
Ora se um eReader (Kobo, já que estamos a falar da marca) já tem ecrã táctil e, alguns modelos, até botões físicos, porque carga de água me pedem para investir 29,99€ para fazer o que já faço com a ponta do dedo? A minha primeira reacção foi, naturalmente, “mas para quê?”, mas depois de usá-lo cinco minutos, percebi que vou mesmo gastar esse dinheiro apenas porque… faz todo o sentido.
O Kobo Remote é o tipo de gadget que parece completamente desnecessário no papel e que depois de experimentar te perguntas como viveste tanto tempo sem ele. Usei durante alguns dias até escrever esta análise porque queria mesmo ter a certeza que não era uma cena passageira, um entusiasmo juvenil. Portanto, levei o Kobo Remote para o sofá, para a cama, para a esplanada, até para a mesa da sala. E o que começou como curiosidade, virou hábito, e agora já causa irritação física ter de levantar o braço para tocar no ecrã.
É, portanto, um problema criado pela solução da sua própria existência (sim, filosoficamente falando).
Kobo Remote: o que é e para que realmente serve


O Kobo Remote é exactamente o que o nome indica: um comando sem fios via Bluetooth que serve exclusivamente para virar páginas para a frente e para trás nos eReaders Kobo compatíveis.
Tem dois botões: um “vira” para a frente, outro para trás. E é tudo, não tem ecrã, não tem luz, não tem funcionalidades secretas. É literalmente um comando de duas teclas (mais uma) que substitui o gesto de tocar no ecrã ou carregar nos botões laterais do eReader.
Parece estúpido mas realmente é tudo menos estúpido e a utilidade real só surge na prática: permite ler sem mexer os braços, sem alterar a posição do corpo, sem sair da postura perfeita que encontraste no sofá/cama/cadeira e que sabemos que demora 15 minutos a calibrar correctamente, principalmente quando está um frio de rachar.
Design e construção

O Kobo Remote vem em duas cores – preto ou branco – para combinar com o eReader, porque aparentemente alguém na Kobo acha que as pessoas ligam à coordenação de cores dos seus gadgets de leitura. É pequeno, leve (pesa praticamente nada), com uma curvatura ergonómica de 20 graus que encaixa naturalmente na palma da mão ou pode ser segurado entre dois dedos sem esforço.
Os botões são grandes, bem separados, com toque suave e silencioso – fundamental para não acordar quem estiver ao lado quando lês na cama. O material é plástico reciclado, incluindo plásticos recuperados do oceano, com embalagem biodegradável certificada FSC. A Kobo continua a apostar na sustentabilidade em todos os produtos recentes, o que é louvável mas não muda o facto de continuares a comprar mais plástico.
Funciona com uma pilha AAA substituível. Sim, pilha AAA, aquelas coisas cilíndricas que já ninguém usa desde que os comandos de TV passaram a ser recarregáveis. A Kobo promete meses de autonomia com uma única pilha, o que provavelmente é verdade considerando que o comando literalmente não faz nada excepto enviar dois sinais Bluetooth diferentes.
Como não tem luz própria, não tem ecrã, não tem processamento, gasta tão pouco que a pilha deve durar anos… a não ser que sejas uma daquelas jovens que lêem livros às centenas por mês e são influencers and shit.
Compatibilidade e emparelhamento

Funciona exclusivamente com eReaders Kobo que tenham Bluetooth, o que em 2025 já são praticamente todos os modelos recentes: Kobo Libra Colour, Kobo Clara Colour, Kobo Clara BW, Kobo Sage, Kobo Elipsa 2E, Kobo Clara 2E, Kobo Libra 2 e Kobo Elipsa.
O emparelhamento é instantâneo: liga-se o Bluetooth no eReader, carrega-se no botão de emparelhamento do Remote ( a tal terceira tecla), espera-se três segundos e está feito. O comando reconecta-se automaticamente sempre que ligarmos ambos os aparelhos.
Não tem lag perceptível, não tem falhas de conexão e funciona até cerca de 10 metros de distância. Uma coisa importante: só pode estar emparelhado com um eReader de cada vez. Se tens dois Kobo em casa e queres usar o Remote com ambos, terás de fazer re-emparelhamento sempre que mudares. É irritante mas compreensível – este não é um comando universal, é um acessório dedicado.
Na prática
O Kobo Remote não faz sentido para toda a gente, mas para certas situações específicas torna-se indispensável.
Ler deitado de lado:
Esta é provavelmente a aplicação mais óbvia e mais útil. Quando deitado de lado na cama com o eReader e apoiado na almofada, mexer o braço para tocar no ecrã significa sair da posição perfeita. Com o Remote na mão livre, vira-se páginas sem mover nada excepto um dedo. Parece trivial até experimentar.
Ler com as mãos ocupadas: segurar uma chávena de chá/café, comer qualquer coisa, ter o eReader num suporte enquanto fazemos outra tarefa qualquer. O Remote permite continuar a ler sem largar o que temos nas mãos. Útil? Surpreendentemente sim.
Ler ao ar livre no frio: ler com luvas é irritante porque ecrãs tácteis e luvas não colaboram bem. Com o Remote podes manter as luvas calçadas e continuar a virar páginas normalmente. Para quem lê muito no exterior durante o Inverno, isto sozinho justifica a compra.
Quando NÃO faz sentido: ler no metro/comboio onde temos de segurar o eReader com uma mão e não há espaço para acessórios extra. Ler em movimento. Ler em qualquer situação onde já estamos a segurar o eReader confortavelmente com ambas as mãos. Basicamente, se a leitura é maioritariamente em trânsito ou em posições onde já estamos activamente a manusear o aparelho, o Remote é supérfluo.
Em suma

O Kobo Remote é um gadget estranho que não deveria fazer sentido… só que faz. É objectivamente desnecessário, mas, em situações específicas (ler deitado, com as mãos ocupadas, ao ar livre no frio, ou simplesmente quando encontramos a posição perfeita no sofá e não queremos mexer absolutamente nada), torna-se surpreendentemente indispensável.
É um acessório de nicho para um problema de nicho que transforma pequenas irritações em grandes confortos.
Não é essencial, mas depois de o usar durante uma semana, voltar a tocar no ecrã parece-me barbaramente primitivo. É esse tipo de produto irritante que cria o seu próprio mercado ao resolver problemas que não sabíamos ter. Por 30 euros, se lês muito e valorizas conforto acima de tudo, experimenta. Há piores formas de gastar dinheiro em gadgets tecnológicos.
Preço e Disponibilidade
29,99 euros. É caro para o que é (três botões, Bluetooth básico, plástico reciclado), mas não é absurdamente caro no contexto de acessórios tecnológicos. À venda aqui e nas lojas especializadas.

A ANÁLISE
Remote
É um acessório de nicho para um problema de nicho que transforma pequenas irritações em grandes confortos.
PRÓS
- Conforto de utilização, Utilidade, praticabilidade
CONTRAS
- Algo dispendioso, gadget supérfluo






