
A Nothing fez-se rapidamente um nome incontornável no mercado tech muito devido ao seu design transparente, distintivo e original, complementado por uma abordagem irreverente ao marketing “de massas”. Mas depois de brilhar nos smartphones e nos auriculares, ambos estupendos e com uma excelente relação qualidade/preço, estava chegada a hora de “mandar cá para fora” qualquer coisa ainda mais disruptiva.
A escolha para um novo segmento dá-se com os primeiros auscultadores over-ear, os Nothing Headphone 1, um salto ousado que vai suscitar análises e críticas de malta com conhecimentos mais aprofundados. Sim, a marca de Carl Pei decidiu atacar um dos segmentos mais competitivos do áudio pessoal. Será que foi um passo na direcção certa?
Design: retro-futurismo

Os Nothing Headphone 1 são únicos e irreverentes. Apresentam-se numa mistura de alumínio angular com elementos circulares transparentes que mostram os “órgãos internos” como um leitor de cassetes vintage. É uma declaração de intenções clara, mas será que funciona?
Com o típico estilo Nothing, os Headphone 1 dão nas vistas e dividem opiniões: ou se gosta ou se odeia. O visual é ousado e evoca nostalgia dos anos 80, quiçá até 70, e por isso mesmo, também pode afastar quem não gosta ou quer dar nas vistas. É, portanto, um “fashion statement” para além de um instrumento tecnológico.
O que é menos debatível é a qualidade de construção: com classificação IP52 e uma sensação extremamente durável, estes auscultadores foram claramente pensados para durar. No entanto, há um problema: não dobram para ocuparem menos espaço numa viagem, mesmo que venham acompanhados e resguardados por uma bolsa de transporte muito fina e leve.
Conforto de utilização



Com 329g, os Nothing Headphone 1 não são exactamente leves. São bastante confortáveis, embora talvez um pouco pesados, durante as primeiras horas em que os utilizei. Notei também que a parte mole da banda é pequena demais. Não que seja um problema na utilização, pois não me causou desconforto, mas senti qualquer coisa menos positiva, não sei explicar bem.
Mas no que interessa, que é o conforto ao longo da utilização, tenho que referir que não me aqueceram os ouvidos como alguns topo de gama que custam bem mais dinheiro, o que para mim é deveras importante e uma das características que tenho em muita consideração antes de gastar dinheiro.
Som “KEF”

A parceria com a KEF para a afinação sonora é uma das grandes assinaturas deste primeiro lançamento Nothing, e na boa da verdade, os Headphone 1 são tecnicamente impressionantes, oferecendo muitas funcionalidades úteis e uma excelente app de personalização.
Mas o som tem uma característica que pode não ser consensual: o tratamento dos médios é pujante e estabelece a assinatura sonora destes auscultadores, o que retira alguma abertura e impacto dinâmico que, para quem como eu que gosta da KEF, seria de esperar.
Não me interpretem mal, pois o som é francamente bom para o preço proposto, mas para conseguir o melhor equilíbrio, tive que passar algum tempo nos ajustes com o EQ personalizado. Depois de acertar no “tom”, o desempenho e o palco sonoro são muito interessantes e até entusiasmantes (mais uma vez, pelo preço a que são propostos).
ANC e Funcionalidades



É no capítulo das funcionalidades que os Nothing Headphone 1 mostram o seu valor. Oferecem excelente cancelamento activo de ruído que compete directamente com os líderes do mercado.
A bateria é outro ponto forte indiscutível. Com 80 horas de autonomia, ultrapassam facilmente a concorrência, oferecendo semanas de utilização com uma única carga. Esta autonomia estratosférica é genuinamente impressionante e pode ser um factor decisivo para muitos utilizadores.
A app é extraordinária, rica em funcionalidades, o que permite grande personalização, mostrando que a Nothing levou a sério a experiência de software, uma área onde muitos fabricantes falham.
Mas do que realmente gosto são dos comandos tácteis, um deles rotativo e com click, que são extraordinariamente práticos e rápidos de entender, ao invés dos cada vez mais imperativos comandos tácteis que, por demasiadas vezes, falham por isto ou aquilo. E ainda temos um botão personalizável.
Chamadas e microfones
Não são os melhores mas também estão longe de ser os piores. De qualquer forma, evito sempre manter conversas telefónicas através de auscultadores, sejam eles do formato que forem. Irritam-me os ruídos digitais, o que posso fazer?
Concluindo

Os Nothing Headphone 1 são simultaneamente impressionantes e trabalhosos. São os auscultadores de design mais único que estará nas montras e se, por um lado, oferecem um design ousado, construção sólida, ANC competente e uma autonomia que envergonha a concorrência, por outro, o som necessita de afinação pessoal para ficar no ponto, são algo pesados e não dobram, o que para quem viaja não é ideal.
Sem dúvida que representam uma entrada corajosa no mercado over-ear. Não são perfeitos, mas mostram ambição e algumas ideias genuinamente interessantes. A autonomia excepcional e o ANC competente são os pontos mais fortes, enquanto o design vai certamente encontrar o seu público.
E a relação qualidade/preço (com assinatura KEF) é o dado a reter, para além da transparência do conjunto. Em resumo, gosto muito desta grande primeira aventura!
Preço Nothing Headphone 1
299€ (em branco ou preto)










