O Samsung Galaxy S20 que me entregaram para análise chegou em cor-de-rosa o que, automaticamente, me fez analisá-lo como se de uma pantera se tratasse
Hoje vou falar da pantera cor de rosa. Não da obra prima, ou obras primas, assinadas por Blake Edwards que nos deram o fantástico Inspector Clouseau de Peter Sellers e a eterna melodia de Henry Mancini, mas do novo Samsung Galaxy S20 que me chegou às mãos exactamente nessa cor, num rosa tipo bubble gum que suscitou a curiosidade de muitas senhoras e jovens meninas. Confesso que até a mim o rosa assentou bem.
Bom, não exageremos… não seria cor que comprasse…

Um Smartphone que parece um felino
Poderia agora continuar a comparação com a Pantera Cor de Rosa na mais recente versão, que mesmo tendo como protagonista um outro actor que é corajosamente apalhaçado, como Steve Martin muito bem acompanhado pelo grandioso Jean Reno, é um grande falhanço comparativamente com os originais, mas não posso nem devo, porque o Galaxy S20 não pode ser apontado como tal. Muito pelo contrário.
Calhou-me testar a versão básica dos três S20 e, muito sinceramente e percebendo as mais valias dos companheiros maiores e mais caros, considero que este S20 “básico”, e este básico tem de estar entre comas, poderá muito bem ser o melhor do trio. E isto por várias razões, sendo a primeira o preço e a segunda o equilíbrio geral.
O S20 tem um corpo pouco original, muito decalcado de toda a família da gama A que lhe confere o desejado ar de família. Mas, neste caso, poderia ser um pouco mais arrojado, tendo em conta os mais recentes lançamentos como o Fold ou o Z Flip.

Equilibrado e com target definido
Mas o target do S20 é o consumidor activo, o denominado “profissional em movimento”, aquele que precisa do melhor aparelho que caiba numa mão, seja fino, leve, em vidro, com um ecrã maior que a alma e cujo coração seja à prova de futuro. Ah, e que cuja carga aguente, pelo menos, um dia.
O S20 responde da melhor forma a todas as necessidades, ou seja, é poderoso, rapidíssimo, tem o melhor ecrã do campeonato, até perfeito para os gamers devido aos 120 hz, um som estereofónico convincente, um processador de topo, 8 GB de RAM, muito armazenamento com expansão por cartão e um set de câmaras fotográficas e vídeo que preenchem todos os requisitos, enfim, normais.
Para os outros, aqueles que pensam que um smartphone pode tomar o lugar de uma câmara fotográfica, há que dar o pulo para o modelo Ultra mesmo que esse ainda sofra uns problemas de juventude no que respeita ao auto focus.

Será o melhor ecrã do mercado?
O que me seduziu no S20 pode ser o que seduz um felino: é o corpo fino, delgado e leve, com 163 gramas, e que cabe na mão e torna possível toda a utilização com ela. Mesmo assim, apresenta um fantástico ecrã Infinity-O de 6,2″ AMOLED Quad HD+, ou seja, com 3200 x 1400 pixels de resolução e com um brilho digno do ouro transportado por reis.
Um aspecto muito positivo é a curvatura lateral muito menos pronunciada, o que me agrada sobremaneira. Nunca fui fã da moda dos ecrãs curvos, complica-me os movimentos, obriga até a duplicá-los para conseguir a acção pretendida e quanto mais curvos, pior.

Com o S20, tudo passa a ser mais prático e, depois do S10E (ler análise) que relembro que foi o meu preferido da gama anterior, todos os toques são conseguidos à primeira. Mas, e ainda, continuamos a contar com o menu de atalhos lateral, a câmara frontal muito bem dissimulada ao centro do ecrã e cada vez mais pequena, o que também impossibilita uma maior rapidez no reconhecimento facial. Mas para destravar com rapidez, podemos usar a impressão digital ultrasónica, ou seja, sob o ecrã, que funciona às mil maravilhas.

O que falha?
O Galaxy S20 podia ser o smartphone perfeito mas, por este ou aquele motivo, deixou de lado complementos que são, quanto a mim, necessários para uma utilização mais profissional, como por exemplo, a tomada minijack para auscultadores e, atenção, microfones profissionais. E nos dias de hoje, pandémicos e confinados, em que todo o mundo usa vídeo para chamadas ou conferências, a qualidade de captação do som passou a ter uma importância maior. E a utilização de um microfone externo é-me muito importante.
Pode ser que as marcas percebam a falta que faz e andem dois passos atrás porque, como sabemos, existem smartphones que mantêm teimosamente essa ficha independentemente de tudo o resto.

Acessórios
Na caixa vem um carregador de 25 W, cabo USB-C para USB-C e uns auriculares da AKG com tomada, lá está, USB-C. Por este preço, a Samsung bem que poderia estender a oferta dos novos Buds+ no pacote. Era um extra generoso que ajudaria muito às vendas.
A bateria tem 4000 mAH que dá para um pleno dia de emoções, a recarga com cabo pode ser feita a 25 W e sem cabo chega aos 15 W, o que é francamente bom.
O corpo do S20 é em metal e vidro. Os acabamentos são superiores, dignos de registo qualitativo, e o próprio pode cair dentro de água, pois tem certificação IP68.

As câmaras
Deixei para último o que muita gente considera o factor mais importante d ecompra, ou seja, o set de câmaras. A batalha para os melhores resultados tem sido benéfica para o consumidor, e na linha da frente encontramos sempre a Apple, a Huawei e a Samsung como protagonistas.
Mas este podium tem de ser alargado às soluções da LG e da própria Sony que, afinal, é quem vende mais sensores fotográficos, o que tem a sua piada. Depois dizem que os Pixel da Google são fantásticos mas não posso falar do que nunca experimentei.

O Samsung Galaxy S20 é o, como dizer isto sem me rir… o mais fraco da nova gama S20. Mas isto não quer dizer que seja menos bom, pelo contrário, é até mais simples de usar e os resultados são francamente bons e comparáveis aos irmãos que fazem estandarte e estardalhaço das suas megas capacidades e zooms infinitos.
O S20 tem 3 câmaras traseiras (12MP com f/1.76, uma Tele de 64MP f/1.72 com zoom óptico 3x e, finalmente, a grande angular com 12MP a f/2.2. O sensor de grande dimensão capta muita luz o que é imediatamente perceptível através dos resultados conseguidos e o ecrã super brilhante também ajuda a essa percepção.
zoooooooOOOOOM
Atenção que o Zoom óptico 3X, que é o que realmente conta, é quase obliterado pela publicidade ao Zoom digital 30x denominado Space Zoom. Mas esqueçam lá isso e prefiram sempre usar o que é bom. Ah, e antes que me esqueça, utilizem o modo Auto HDR, porque os resultados são fenomenais.
Por default, a resolução está marcada a 12MP para as três objectivas, mas podemos forçar a principal até aos 64 megapixel o que, como sabemos, são valores impróprios para o tamanho destes kits, mas fica sempre bem mencionar um número muito alto.
O que realmente me interessa é a qualidade fotográfica e este S20 impressiona pela positiva com resultados consistentes, muito dinâmicos e apurados. E até, na minha óptica com P, apresenta-se tão bom quanto o melhor da concorrência directa, o que é um passo em frente para a Samsung que sempre andou um pouco atrás das arqui-rivais Apple e Huawei. Agora está lá no topo junto a elas.



Para vídeo provou ser uma máquina equilibrada, com estabilizador Super Steady que funciona muito bem, cores pouco saturadas e um clima cinematográfica até bem realista, se sobremos como funcionam certos filtros criativos como a profundidade de campo e o modo nocturno.
Para finalizar, a Samsung já equipou os S20 com o novo One UI 2.1 e tema escuro, o que é um deleite para quem está habituado a esta nova fórmula visual, muito rápida, animada e competente. Depois temos sempre direito aos extras, como as suites de segurança e o cada vez mais afamado modo DEX que o transforma num computador de mesa (ish).
O preço ronda os mil euros. Sim, é muito euro, mas também é muito smartphone. E é tão equilibrado que, como consumidor, aponto-o como o melhor dos três mundos desta gama, pois o tamanho importa e o recheio da carteira também.
Ah, e não se assustem, há mais duas cores para o S20 e bem mais “masculinas”.
E agora que não tem a concorrência directa da Huawei, devido aos problemas Google, a marca sul-coreana pode dominar como quer o mundo Android. E está no bom caminho.









