O Samsung Galaxy Z Fold 7 é, pela primeira vez, um dobrável que se sente tão natural na mão quanto um smartphone convencional. Com 8,9 mm de espessura fechado e apenas 4,2 mm aberto, este Fold parece ter feito dieta rigorosa.
O resultado é um dispositivo surpreendentemente leve com apenas 215 gramas, menos 24 g que o modelo anterior, e um formato mais equilibrado que cabe no bolso sem esforço. Direi até que escorrega lá para dentro (sem capa, naturalmente).

A dobradiça foi redesenhada, está mais “simples” e transmite grande robustez, bem audível (e com grande satisfação) pelo sonoro “clack”. Quando fechado, lembra um Galaxy S25 Ultra mais estreito e quando aberto, transforma-se num “mini-tablet” de 8 polegadas (a medida que parece que está na moda), pronto para multitasking sério e a sério.
A estrutura em alumínio reciclado, o vidro Gorilla Glass Victus Ceramic 2 e a certificação IP48 oferecem alguma resistência a água e poeira, embora a fragilidade do ecrã interno continue, como em todos os dobráveis, a ser o ponto mais delicado. Ainda assim, o vinco, que outrora era o aspecto físico menos bom dos dobráveis, está agora praticamente invisível.
O resultado é admirável e digno de grande aplauso: é, sem sombra de dúvidas, o dobrável mais refinado da Samsung até hoje, rivalizando com o Honor Magic V5 (ler análise), que considero , agora a par deste, o melhor do mercado.
Ecrãs: dois mundos AMOLED perfeitos

O ecrã exterior LTPO AMOLED de 6,5” é simplesmente magnífico: resolução FHD+, taxa variável até 120 Hz e brilho que chega aos 1200 nits. Tudo se move com fluidez e cor equilibrada, sem aquela sensação “esticada” de gerações anteriores. O formato sai vencedor e agradecemos!

Aberto, o painel interno de 8” QXGA+ é ainda mais impressionante. Quase quadrado, ideal para produtividade, combina HDR10+, Dolby Vision e picos de 1300 nits, garantindo visibilidade mesmo sob luz solar. A dobragem, como descrito acima, é quase imperceptível, e o toque, suave como num tablet topo de gama. É para ficar de queixo caído.
E ainda podemos trabalhar, fazer videoconferência ou até ver filmes em Flex Mode, com o Fold meio dobrado, especialmente agora que o som é mais envolvente e o ecrã, mais brilhante e limpo.

O brutal e bestial Snapdragon 8 Elite
Equipado com o Snapdragon 8 Elite for Galaxy e 12 GB de RAM, o Fold 7 não poupa em músculo e é mais que suficiente para trabalho árduo em qualquer dinâmica, desde multitarefa à edição de vídeo, passando por jogos complexos e IA generativa.
Disponível em versões de 256 GB, 512 GB e 1 TB, com armazenamento UFS 4.0 ultra-rápido, o Fold 7 é também um dos mais eficientes em dissipação térmica. Raramente aquece, mantendo estabilidade notável nos testes 3DMark e Geekbench.
O novo modo DeX baseado no Android 16 permite usar o Fold como um mini-PC com janelas flutuantes, e até oito aplicações simultâneas abertas no ecrã interno. O desempenho é impecável, embora o novo DeX perca algumas opções da versão anterior. Um factor que continua a fazer-se sentir, desde que a marca optou pela divisão das gamas de topo, é a ausência de S Pen. Se me dá jeito no S24U que ainda me acompanha, imagino-a neste super ecrã e o que poderia fazer com ela…
Câmaras: 200 MP de ambição com pequenos compromissos

O Samsung Galaxy Z Fold 7 tem, finalmente, montada um conjunto de câmaras de topo, afinal, que justifiquem também o preço pedido. A objectiva principal de 200 MP f/1.7 com OIS, herdada do S25 Ultra (ler análise), é uma verdadeira máquina de detalhe. As imagens são ricas, equilibradas e com excelente alcance dinâmico, mesmo em luz mista.
O modo nocturno é rápido e eficaz, com cores realistas e brilho controlado. O sensor usa tecnologia pixel binning 16:1, transformando 200 MP em ficheiros de 12 MP com enorme captação de luz, embora seja possível guardar fotos em 50 MP ou 200 MP nativos via Expert RAW.
A ultra-grande angular de 12 MP mantém coerência cromática, ainda que perca alguma nitidez nas bordas, enquanto o telefoto de 10 MP com zoom óptico 3× é competente mas não brilhante. Falta-lhe o Zoom 5× óptico do Ultra, o que limita o alcance, mas também percebo que os utilizadores de cada um dos terminais não são o mesmo.

Ambas as câmaras frontais (10 MP exterior e 10 MP interior) cumprem bem em luz diurna, mas é possível tirar selfies muito superiores com as câmaras traseiras, usando o ecrã exterior como viewfinder. Aliás, só entendo a câmara frontal no ecrã dobrável para conversas com a família.

O Vídeo com até 8K/30 fps e 4K/60 fps, tem excelente estabilização e completa um sistema que, finalmente, coloca o Fold na mesma liga dos flagships convencionais.
Bateria e carregamento
A bateria mantém-se nos 4400 mAh, o mesmo valor da geração anterior, o que, dada a espessura, é um feito técnico. A autonomia ronda um dia e meio de uso misto, chegando a dois dias com o ecrã interno menos usado. Acho este valor muitíssimo bem tendo em vista o emagrecimento real do Fold 7.
O carregamento rápido de 25 W (sem carregador incluído) leva-o aos 60% em 30 minutos e à carga completa em 82 minutos. O carregamento sem fios de 15 W continua presente, mas sem avanços.
Face à concorrência chinesa com baterias de silício-carbono, a Samsung prefere jogar pelo seguro – talvez ainda traumatizada com o Note 7 (do qual guardarei para sempre uma bela história de recuperação pela marca).
One UI 8 com cérebro Gemini

O One UI 8 baseado em Android 16 é maduro, limpo e mais estável que nunca. Mantém as melhores funções multitarefa e adiciona ferramentas de IA do ecossistema Galaxy: Circle to Search, transcrição automática, edição de áudio e vídeo, tradução em tempo real e Google Gemini integrado.
A Samsung promete 7 anos de actualizações completas, igualando a política do Pixel e do Fairphone. A ausência do S Pen é o maior senão para fãs da série Note, mas o Fold 7 compensa com a fluidez e a inteligência artificial mais sólida alguma vez integrada num dobrável.
Em suma

O Galaxy Z Fold 7 é, para mim (e acho que não estou sozinho), o melhor dobrável que a Samsung já criou. Mais fino, mais leve e finalmente funcional, elimina quase todos os compromissos que marcaram as gerações anteriores. O ecrã é magnífico, o vinco desapareceu, o software é soberbo e a câmara principal está à altura de um topo de gama.
É caro, frágil e ainda sem resistência total a poeira, mas é também o híbrido entre smartphone e tablet que mostra o melhor da engenharia coreana e consolida a Samsung como líder incontestada no mundo dos ecrãs flexíveis.

Preço e disponibilidade em Portugal
O Samsung Galaxy Z Fold 7 chega ao mercado português com preço de referência de 2.109,90 €, nas versões 256 GB, 512 GB e 1 TB, em quatro cores: preto, cinzento, azul e verde-menta (exclusiva online).
Está disponível nas lojas Samsung Experience, FNAC, Worten e operadoras, com planos de retoma e Samsung Care+.

A ANÁLISE
Galaxy Z Fold 7
O Galaxy Z Fold 7 é, para mim (e acho que não estou sozinho), o melhor dobrável que a Samsung já criou. Mais fino, mais leve e finalmente funcional, elimina quase todos os compromissos que marcaram as gerações anteriores.
PRÓS
- Ecrãs notáveis, IU, processador
CONTRAS
- Preço





