A Samsung entregou-me o novo Z Flip7 durante uma semanita para poder tirar algumas conclusões. Não é muito tempo, mas o suficiente para perceber as diferenças do 7 em relação ao 6… que não são muitas para o utilizador real ou o influencer do momento, mas que enche uma página de características técnicas para quem gosta de saber todos os pormenores.

A recente geração de dobráveis da Samsung chega num momento em que a concorrência aperta, e de que maneira, com os Motorolas e os Honors a convencer muitos entusiastas, para citar os exemplos mais orelhudos. E, na verdade, a Samsung tem de provar que é quem domina o segmento porque já cá anda há alguns anos. Será que consegue?
Os ecrãs

A marca está verdadeiramente entusiasmada com a espessura que conseguiu para o Flip7, uns extraordinários e mínimos 6,4mm. É realmente fascinante perceber a tecnologia investida neste equipamento através destas nuances técnicas, como saber que o ecrã exterior (Flex Window) é o maior de sempre (de 3,4 passa para 4,1″) e que suporta 120Kz com brilho até 2600nits.
A espessura da moldura é mínima (1,25mm) o que lhe garante uma vitória se comparado com o RAZR 60 Pro e, realmente, é mais fácil de “swipar”, dá nas vistas, e permite uma utilização lata sem a necessidade de abrir constantemente o telefone para aceder às demais funções.

O ecrã principal também está milimetricamente maior (de 6,4 para 6,9″) numa proporção que se assemelha mais ao formato 21×9 tradicional. Ainda assim, não me agrada enquanto utilizador. De qualquer forma, as barras pretas que surgem nas laterais cada vez que se consome vídeo “horizontal”, ou seja, no formato normal e adequado para qualquer tipo de vídeo, ainda estão lá mas um pouco menos largas.
De qualquer forma, é a janela perfeita para ler mensagens, verificar a agenda ou tirar selfies ou vídeos com a câmara principal sem abrir o telefone. E agora suporta assistentes de IA como o Gemini Live, que responde com voz, texto e imagem e que, muito sinceramente, faz todo o sentido no contexto da utilização de um Flip.
Processador Exynos 2500



O Galaxy Z Flip 7 estreia o novo processador Exynos 2500 de 3nm fabricado pela Samsung, acompanhado de 12GB de RAM LPDDR5X e o GPU Xclipse 950. Este chip marca uma evolução significativa na arquitectura e promete maior eficiência energética.
Na prática, a performance é fluida para tarefas do dia a dia, alguns jogos e as mais recorrentes aplicações de IA. No entanto, o Z Flip7 tende a aquecer durante sessões intensas de gaming (e não pode ser nada de muito puxado ou complexo) ou navegação GPS prolongada, pelo que ficam desde já avisados.
A bateria de 4.300mAh representa um aumento de 300mAh face ao predecessor, resultando numa melhoria dramática da autonomia o que, a meu ver, é dos pontos mais positivos deste novo modelo.
Câmaras
As câmaras mantêm-se inalteradas do Flip 6: 50MP principal, 12MP ultra-wide e 10MP selfie. O processamento de imagem melhorou, com mais saturação de cor e contraste, ocasionalmente à custa de cores fiéis à realidade e a qualidade de vídeo não me mostrou nada de novo principalmente se comparada ao modelo antecessor.
O upgrade mais notável é a gravação em 10-bit HDR (vs. 8-bit anterior), oferecendo maior precisão cromática e detalhe.
O modo nocturno é interessante, mas por vezes pode ser um pouco agressivo e com tendência para mascarar o tom da pele. É pena a ausência de uma teleobjectiva principalmente se levarmos em conta o valor a que este Z Flip7 é vendido.

Para vídeo, tenho que destacar que o modo de filmagem a imitar a utilização de uma camcorder (que não significa nada para as gerações mais novas) continua muito engraçada e até útil. Há vários modos de câmara lenta, algum controlo PRO para melhorarmos significativamente as filmagens e até suporte para microfones externos wireless o que, hoje em dia, é um “must”. Parabéns por isso, Samsung!
Ora vamos lá destacar o que vem no PR oficial:
- Com a Nightography melhorada, os utilizadores podem captar fotografias vívidas em ambientes com pouca luz através de ajustes de iluminação melhorados e da remoção de ruído ou molduras desfocadas.
- O 10-bit HDR proporciona cores mais ricas, contraste mais profundo e detalhes mais realistas em vídeo, independentemente da hora do dia.
- O Galaxy Z Flip7 eleva as selfies ao próximo nível, directamente a partir da FlexWindow. Os Filtros em Tempo Real permitem agora aos utilizadores pré-visualizar e aperfeiçoar instantaneamente as fotografias da FlexCam. E com o novo Zoom Slider, podem aumentar ou diminuir rapidamente o zoom com apenas um deslize – tornando-o perfeito para captar um outfit completo ou enquadrar todos para uma selfie de grupo impecável.
- Com a Pré-visualização Dupla, o fotógrafo e quem está a ser fotografado podem ver a imagem em direto no ecrã exterior, ajudando os utilizadores a conseguir a fotografia perfeita à primeira.
Os momentos quotidianos dos animais de estimação transformam-se em fotografias apelativas com o Portrait Studio no Assistente de Fotos.
Mas, na verdade, há uma situação que me impele a usar um destes dobráveis que é a possibilidade de usar as câmaras principais para fazer um vídeo ou retrato no modo selfie, o que aumenta bastante a qualidade do ficheiro.
E a possibilidade de colocar o Flip na mesa com o ecrã dobrado, tipo tripé, é outra das vantagens do formato. Sim… às vezes esqueço-me que estas são as razões que nos levam a comprar um dobrável e não as capacidades extraordinárias disto ou aquilo em termos mais técnicos.

Especificações das Câmaras
Câmara Principal (Traseira)
- Sensor: 50MP Samsung ISOCELL GN3 (mesmo do Flip 6)
- Abertura: f/1.8
- Distância focal: 23mm (equivalente)
- Estabilização: OIS (Optical Image Stabilization)
- Tamanho do pixel: 1.0μm (2.0μm com pixel binning)
- Gravação de vídeo: 4K@30/60fps, 10-bit HDR (upgrade do 8-bit)
Câmara Ultra-Wide (Traseira)
- Sensor: 12MP (mesmo do Flip 6)
- Abertura: f/2.2
- Campo de visão: 123°
- Sem OIS: Apenas estabilização digital
- Qualidade: Adequada em boa iluminação, limitada em cenários escuros
Câmara Frontal (Interior)
- Sensor: 10MP
- Abertura: f/2.2
- Gravação: 4K@30/60fps
Alguns pontos a reconsiderar



Quando escrevi que a concorrência aperta, é difícil compreender como justificar a escolha do Flip7 (com o novo Exynos 2500) em relação ao Motorola Razr Ultra (com Snapdragon Elite 8). É que há diferença e o preço é semelhante.
O carregamento do Flip7 também fica aquém da concorrência, ao oferecer 25W em vez de 45W em velocidade do mesmo. E as câmaras também poderiam ter sido revistas, porque são quase idênticas ao modelo anterior.
Portanto, o foco está na espessura e nos ecrãs, o que já não é nada mau, muito pelo contrário. Mas abrir o Z Flip7 não é uma tarefa fácil, pois a dobradiça está mais forte que nunca, o que é bom para efeitos de durabilidade. Mas em termos de praticabilidade, há que lhe apanhar o jeito.
O espantoso ecrã externo, imenso e sofisticadíssimo, tem ainda muito poucas aplicações nativas (uma meia dúzia) e nem vou comparar com o Motorola. E espero que a marca aja rapidamente neste campo para catapultar o verdadeiro chamariz deste Flip7.
Então para quem é o Galaxy Z Flip7?

O Galaxy Z Flip 7 é uma bela possibilidade para quem procura um smartphone dobrável compacto, elegante e com boa autonomia. É muito bonito, trendy, excelentemente acabado e cheira a hightech por todo o lado.
No entanto, para utilizadores que gostam mesmo de fotografia ou procuram inovação neste e noutros campos, pode ser preferível esperar pela próxima geração ou considerar alternativas como o Fold 7 para câmaras superiores, ou o Motorola Razr Ultra para melhor performance bruta.
É um smartphone que poliu a fórmula existente sem reinventar a categoria, oferecendo melhorias que justificam a actualização apenas para utilizadores de modelos mais antigos ou que chegam ao mundo dos dobráveis. E nesse campo, é um encanto que pisca o olho a quem quer estar e ser moda enquanto a Apple não lançar um dobrável para o influencer que vive dentro de alguns de nós.
Preço Samsung Galaxy Z Flip7
1249€ (com 12/256)
799€ (versão FE com 8/128)











