É bem verdade, podem dizer que já é um modelo com um certo tempo, mas o que interessa é que o smartwatch Xiaomi Mi Watch ainda dá cartas, principalmente por dois motivos: o preço que é quase uma oferta para tudo o que faz e a longevidade da bateria, que envergonha quase todos os demais. Vamos a ele?

Porquê o Xiaomi Mi Watch
Em primeiro lugar, tem formato circular como os relógios. É bonito porque não dá nas vistas, tem dois botões que permitem inúmeras acções, é bastante responsivo ao toque e tem qualquer coisa que nos faz gostar dele.
Essa qualquer coisa não é poder comprá-lo entre 100 ou 130€, como vemos nas lojas, é mesmo do que é capaz como smartwatch. É que ao fim de um par de semanas de utilização, começamos a pensar porque é que todos os outros custam tanto dinheiro, inclusive as “pulseiras de fitness”.
Formato
O Mi Watch tem um ecrã circular AMOLED de 1,49” com Corning Gorila Glass 3 e um brilho de 450 nits, válido sob a luz do sol.
Tem GPS integrado, pode ir a banhos e até aguenta mergulhos até 50 metros de profundidade (é daqueles testes que ninguém faz mas vem no papel), tem ainda GPS integrado o que é perfeito para os mais de 17 modos de fitness e, atenção, uma centena de exercícios que nos prometem um corpo de Adónis.

Autonomia ímpar
Mas isto tudo vem com um factor plus que é a autonomia: estando eu habituado a Fitbits e a Samsungs, sei que de dois em dois dias lá vou ter de o recarregar, o que habitualmente, interrompe todo o ciclo de sono semanal e os dados daí adquiridos, pois não está no pulso.
O Mi Watch é como o coelhinho Duracell: aguenta, aguenta e aguenta, não a tocar tambor, mas a memorizar e a mostrar dados durante quase duas semanas sem interrupção. E isto, caros Xázados, é fantástico!
No papel, a marca garante 16 dias com um carregamento, 22 no modo de poupança de bateria e mais de 50 horas no modo Desporto. Ok, do papel para a vida normal, posso garantir quase 15 dias no modo normal, pois foi esse que utilizei.
Quanto aos demais, não tive tempo e nem sequer saúde física para aguentar 50 horas de treino.

Personalização
Sabemos que os smartwatch têm uma característica única que agrada a muitos utilizadores que é a escolha da “face” ou “cara” ou visor. O Mi Watch, que está apontado para a malta mais jovem e radical e millennial, sabe que as cores e os desenhos divertidos podem fazer parte da vida que se almeja e muitos dos 100 temas são baseados neste tipo de propósito.
Mas há sempre os temas “clássicos” para pessoal mais adulto, ou mesmo os mais simples ou, como se diz, minimalistas. Até podemos, porque não, escolher uma fotografia para ser a “watch face”.
Monitorização
Opta-se por um smartwatch para ficarmos a par da nossa saúde, certo? Ou notificações e ouvir música e tal, mas a saúde é o mais importante. O Mi Watch tem um grupo de sensores que monitoriza o nosso estado, desde stress, respiração, oxigénio no sangue, energia, batimentos cardíacos em tempo real e, muita atenção, monitorização do sono e dos seus ciclos com legendas gráficas fáceis de entender (sono profundo, leve e REM).
Para os menos conhecedores, R.E.M. não é apenas um grupo de rock/pop que conheceu fama e proveito há uma vintena de anos, mas significa Rapid Eye Movement, ou seja, aquele movimento que fazemos com os olhos fechados que parece que estamos a ter um sonho ou um qualquer ataque. É bom ficar a saber um pouco sobre ambos (a banda e o processo físico).

No dia a dia
O Mi Watch pesa apenas 32 g, a pulseira em silicone é confortável e deve ultrapassar a maior parte das alergias de peles mais sensíveis, tem modo always on com sensor de brilho automático (para poupar energia à noite e não dar nas vistas numa discoteca), tudo baseado num sistema operativo próprio que está longe da dinâmica do Wear OS.
Este será o ponto negativo de toda a experiência, pois não temos acesso à loja de aplicações, ficando reféns do que existe (e que não é muito) no próprio relógio. Mas, e atenção, falamos de 100€!
As notificações também estão reduzidas aos mínimos olímpicos, com Whatsapp, Instagram e Mensagens. Mas na verdade, quem usa mais que estas? Ah, o Facebook, Twitter, Gmail… esqueçam lá isso, são sempre “APP” quando existem e não permitem uma interacção imediata.
O que é mais interessante, porém, é podermos utilizá-lo como music player e escolher as músicas para as nossas actividades físicas, pois o emparelhamento com qualquer tipo de auriculares Bluetooth é rápido e fácil.
Para os “runners”, saibam que podem escolher o tipo de acção e deixar o telefone em casa. O próprio relógio grava o percurso e demais actividade física, sendo possível depois passar para o smartphone todo esse conjunto de informações.

Concluindo
É, acima de tudo, um smartwatch perfeito para quem gosta de desporto. Mas também serve quem tem preocupação com saúde e bem-estar. Não tem todas as qualidades de outros modelos, mas oferece uma autonomia fantástica num design conseguido e com muitas características que podem responder às necessidades de muitos utilizadores.
E depois, bom, e depois são 100€ na loja oficial.




