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Análise Xiaomi 17 Ultra: um portento!

João Gata por João Gata
Junho 16, 2026
Xiaomi 17 Ultra em Starlit Green sobre superfície neutra, com o módulo de câmara circular Leica

Um sensor de 1 polegada, zoom contínuo de 200MP e parceria com a Leica: o Xiaomi 17 Ultra é o telemóvel que os fotógrafos a sério usam quando não querem carregar uma câmara.

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O Xiaomi 17 Ultra não é um telemóvel com boas câmaras, antes um conjunto de câmaras que até incluem um fabuloso sensor de 1 polegada, zoom contínuo de 200MP e tecnologia Leica integrada. Ah, e faz chamadas e tem 5G e essas coisas. Só tem mesmo um problema…

É notória a progressão na linha Ultra da Xiaomi (para ser honesto, em todas as gamas) que, olhando para trás, parece inevitável: começou em 2022 com a proposta de colocar um sensor de câmara sério num telemóvel, foi evoluindo ano após ano e com a parceria da Leica, chegou finalmente o desejado sensor de 1 polegada e com ele também a estabilização óptica de qualidade fotográfica.

O Xiaomi 17 Ultra é mais que suficiente para quem fotografa a sério e quer sair de casa com um único dispositivo no bolso – ou quase no bolso – dada a dimensão do módulo de câmara. E só não digo que é o melhor fotográfico do ano porque vou experimentar o OPPO Find X9 Ultra a partir de agora e logo tirarei conclusões.

Construção e design

Analise Xiaomi 17 Ultra 1

O 17 Ultra é o modelo mais fino e leve da história da linha Ultra: 8,3 mm de espessura e 224 gramas, um corpo plano com estrutura em liga de alumínio, o painel traseiro em fibra de vidro aeroespacial – um material que mantém o corpo mais fresco durante o uso intensivo do que o vidro convencional -, e a certificação IP68 cobre poeira, imersão em água e jactos de alta pressão. O ecrã frontal usa o Xiaomi Shield Glass 3.0 com resistência a quedas 30% superior face ao modelo anterior.

Está disponível em Preto, Branco e Starlit Green – esta última uma cor que, em luz directa, alterna entre verde suave e cinzento prateado com uma elegância que as fotos não captam totalmente e foi a que me calhou em sorte para esta análise.

Existe também uma edição especial Leitzphone, desenvolvida em parceria com a própria Leica, com acabamento mate preto, anel metálico rotativo à volta do módulo de câmara para controlo preciso do zoom, e interface visual com a identidade Leica – incluindo o ponto vermelho icónico. A Leitzphone custa mais 500 euros e é uma proposta para quem quer a experiência Leica a sério, do hardware ao software.

O elefante na sala – ou melhor, o círculo no bolso – é o módulo de câmara: é grande, é circular e mesmo assim faz o telemóvel oscilar ligeiramente quando pousado numa superfície lisa e não há forma elegante de contornar isto: é o preço físico de ter quatro sensores de qualidade superior num corpo fino.

Câmaras (e o logo Leica)

Analise Xiaomi 17 Ultra a

A câmara principal usa um sensor de 1 polegada com 50MP, abertura f/1.7, estabilização óptica e a tecnologia LOFIC – que, em linguagem simples, significa que o sensor consegue captar uma gama dinâmica enorme numa única exposição em vez de combinar várias fotografias.

O resultado prático é que cenas com contraste extremo, como um pôr-do-sol com sombras profundas, interiores de bares mal iluminados, a rua no lusco-fusco, saem com detalhe tanto nas zonas muito claras como nas muito escuras, sem o aspecto artificial que o HDR excessivo produz noutros telemóveis.

A parceria com a Leica traduz-se em dois perfis de cor – Leica Authentic para reprodução fiel, Leica Vibrant para imagens mais saturadas – e numa calibração de cor que favorece tons de pele naturais mesmo sob iluminação artificial.

A grande novidade desta geração é o sensor telefoto de 200MP com zoom óptico contínuo entre 3.2x (equivalente a 75mm) e 4.3x (equivalente a 100mm). A diferença face ao sistema de focais fixas dos anos anteriores é substancial: em vez de saltar abruptamente de 3x para 5x, o zoom desliza de forma suave e contínua, como uma lente zoom de câmara fotográfica convencional. O resultado é um controlo de enquadramento muito mais natural, especialmente em situações onde a distância ao sujeito não é exactamente a que o zoom fixo contempla.

A ultra-grande-angular de 50MP fecha o trio com uma distância focal equivalente a 14mm, que serve tanto para paisagens e grupos como para fotografia macro a partir de 5 cm de distância.

A câmara frontal subiu de 32 para 50MP com autofoco, uma estupenda actualização que se nota tanto em selfies como em videochamadas, e que reforça a qualidade geral deste Ultra.

Em condições de boa luz, o 17 Ultra produz imagens extraordinárias com qualquer um dos três sensores: detalhe excepcional, exposição precisa, cores fiéis. Mas o que mais me encantou foi a consistência e a excelência entre sensores, sem os saltos de qualidade abruptos que caracterizam muitos sistemas multi-câmara de concorrentes.

Então à noite, seja nos finais de tarde seja ao longo da escuridão, a câmara principal é fenomenal; mesmo que se perceba que a telefoto perde algum detalhe mas como mantém uma qualidade que a maioria dos concorrentes não consegue sequer à luz do dia, passemos à frente sem tanto preciosismo.

Para vídeo, o 17 Ultra grava 8K/30fps e 4K Dolby Vision até 120fps em câmara traseira, e 4K/60fps na frontal, com suporte a gravação em Log para edição profissional em pós-produção. A estabilização electrónica é, talvez, o ponto menos bom do conjunto.

Desempenho, ecrã e bateria

Analise Xiaomi 17 Ultra b

O processador Snapdragon 8 Elite Gen 5 de 3nm com 16 GB de RAM é o chip mais potente disponível em Android em 2026. O 17 Ultra usa-o sem qualquer tipo de limitação artificial: jogos exigentes, edição de vídeo 4K, processamento de imagens RAW, multitarefa intensiva – tudo corre sem hesitação.

O sistema de refrigeração de duplo canal IceLoop mantém as temperaturas controláveis mesmo sob carga prolongada, embora o corpo aqueça de forma perceptível durante a gravação mais prolongada em 4K ou com o carregamento simultâneo com algum tipo d eutilização.

O ecrã AMOLED de 6,9″ tem resolução 1.5K (1200 x 2608 pixels), taxa de actualização variável entre 1 e 120 Hz e brilho máximo de 3500 nits. Para fotografia, o facto do ecrã ser plano é mesmo um argumento real, pois elimina as distorções de cor e as reflexões que as bordas curvas introduzem, tornando a avaliação de exposição e cor mais fiável.

O ecrã inclui ainda PWM a 2160 Hz para redução de fadiga ocular – uma especificação técnica que na prática significa que olhar para o ecrã durante horas num ambiente de pouca luz provoca menos cansaço do que nos painéis convencionais.

A bateria de 6000 mAh suporta um dia e meio de uso misto sem esforço, e com uso moderado dois dias são alcançáveis. A recarga rápida a 90W carrega de zero a cem em menos de 45 minutos; os 50W sem fios funcionam com carregadores compatíveis, embora a ausência de Qi2 – o padrão magnético que simplifica o alinhamento nos carregadores de mesa – seja a concessão mais irritante desta ficha técnica a este preço.

HyperOS 3 e IA

Analise Xiaomi 17 Ultra c

O HyperOS 3 baseado em Android 16 é uma interface madura com mais de 100 animações refinadas em relação à versão anterior. O HyperIsland – a versão Xiaomi do Dynamic Island da Apple – notifica sobre carregamento, temporizadores e calendário de forma discreta na ilha da câmara frontal. As funcionalidades de IA incluem reconhecimento de ecrã, transcrição em tempo real, tradução e edição generativa de imagens, acessíveis tanto pelo HyperAI da Xiaomi como pelo Gemini da Google.

A Xiaomi compromete-se com cinco anos de actualizações de sistema operativo e seis de patches de segurança – sólido para o mercado Android, embora ainda abaixo dos sete anos da Samsung e Google. A presença de aplicações pré-instaladas é uma irritação que não tem justificação razoável e que teimosamente mantém presença nas marcas chinesas.

Em suma

Analise Xiaomi 17 Ultra d 1

O Xiaomi 17 Ultra é mesmo muito bom (até nesta cor verde). O zoom contínuo de 200 megapíxeis é uma evolução técnica genuína que muda a forma de fotografar, a câmara principal com sensor de 1 polegada e LOFIC produz resultados que colocam em causa a necessidade de uma câmara dedicada em muitas situações, e a bateria de dois dias transforma o telemóvel num companheiro de viagem sem ansiedade.

Mas nem tudo é perfeito: o módulo de câmara é volumoso, a estabilização de vídeo fica atrás de alguns, poucos, adversários reais, e o preço é realmente elevado, mesmo que justificável tendo em conta a concorrência que não lhe chega aos pés. Para quem quer um dos melhores sistemas de câmaras num smartphone e está disposto a pagar por isso, o 17 Ultra é a resposta mais honesta disponível este ano.

Preço

O tal problema que mencionei no primeiro dos parágrafos são os cerca de 1350€ que temos de desembolsar para o trazer da loja.

Tags: 17 UltraAnálisecâmarafotografiaHyperOSLeicaLOFICsmartphoneSnapdragon 8 EliteXiaomi
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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